Os novos arranjos familiares e o papel da reprodução assistida

Transformações sociais, culturais e os avanços da medicina possibilitaram o surgimento de novos arranjos familiares, até pouco tempo, impensáveis

A evolução do comportamento humano, as transformações sociais e culturais da sociedade contemporânea e os avanços da medicina reprodutiva provocam uma meditação sobre os novos arranjos familiares, até pouco tempo, impensáveis.

O Censo de 2010 do IBGE mostra que hoje são 19 laços de parentesco, contra 11 contados no censo de 2000. O conceito tradicional de família, composto por um casal heterossexual com filhos, esteve presente em 49,9% dos lares visitados, enquanto que em 50,1% , a família ganhou uma novo arranjo. As famílias homoafetivas já somam 60.000 , enquanto 10,1 milhões de famílias são formadas por pais ou mães solteiros.

Muito se modificou desde a origem da família. A ascensão da pílula anticoncepcional e o trabalho remunerado da mulher inauguraram a fase de maiores transformações. A década de 80 também trouxe inovações para a instituição, pois a Reprodução Humana Assistida, dissociou o sexo da gravidez, com a inseminação artificial e a fertilização in vitro.

O papel da reprodução assistida nos novos arranjos familiares

A reprodução assistida hoje, entendida e vista como tratamento de saúde, saúde reprodutiva em sentido amplo, reflete o direito à procriação e ao planejamento familiar, assentado na própria liberdade do indivíduo que retrata outros direitos fundamentais, como igualdade.

Em consequência, inquestionável que qualquer indivíduo juridicamente capaz, solteiro, viúvo, divorciado, homossexual, heterossexual, bissexual, transexual, pode ser beneficiário das técnicas médicas, independente do estado civil e da opção sexual.

Monoparentalidade, casais homoafetivos e novos desenhos geracionais

A monoparentalidade programada, conhecida como “produção independente” mostra o empoderamento da mulher na segunda metade do século XX, marcando a possibilidade da mulher gerir suas próprias escolhas, e até o momento da gestação, em razão da criopreservação de seus óvulos. O homem sozinho, com a técnica de cessão temporária de útero e doação de óvulos, também pode ser pai e demonstra que a parentalidade pode ser buscada e vivenciada individualmente.

O aparente obstáculo aos tratamentos dos casais homoafetivos já foi quebrado pelos nossos Tribunais Superiores, que reconhecem as uniões homoafetivas como entidade familiar. A capacidade humana para constituir vínculos nada tem a ver com a orientação sexual de cada um, assim, não se discute a legalidade dos tratamentos, para dois homens ou duas mulheres.

Outros desenhos geracionais também podem ser pensados, por exemplo, a avó que empresta o útero para sua filha e passa a ser mãe e avó de uma mesma criança. E mais, a reprodução póstuma – que viabiliza família após a morte dos doadores de material genético.

A família se transformou com o nascimento de uma nova paternidade, não estritamente biológica, mas baseada no afeto. A pluralidade afetiva, a igualdade de gêneros e a diversidade sexual, não representam ameaça às famílias, mas integram-se como novas possibilidades.

Superados os preconceitos que afetam estas realidades, respeitadas as regras da ética profissional, devemos buscar entender a nova roupagem das entidades familiares de forma aberta, cimentada, sempre, em regras de inclusão.

 

 

Quem faz Letra de Médico

Adilson Costa, dermatologista
Adriana Vilarinho, dermatologista
Ana Claudia Arantes, geriatra
Antonio Carlos do Nascimento, endocrinologista
Antônio Frasson, mastologista
Artur Timerman, infectologista
Arthur Cukiert, neurologista
Ben-Hur Ferraz Neto, cirurgião
Bernardo Garicochea, oncologista
Claudia Cozer Kalil, endocrinologista
Claudio Lottenberg, oftalmologista
Daniel Magnoni, nutrólogo
David Uip, infectologista
Edson Borges, especialista em reprodução assistida
Fernando Maluf, oncologista
Freddy Eliaschewitz, endocrinologista
Jardis Volpi, dermatologista
José Alexandre Crippa, psiquiatra
Ludhmila Hajjar, intensivista
Luiz Rohde,
psiquiatra
Luiz Kowalski, oncologista
Marcus Vinicius Bolivar Malachias, cardiologista
Marianne Pinotti, ginecologista
Mauro Fisberg, pediatra
Miguel Srougi, urologista
Paulo Hoff, oncologista
Paulo Zogaib, medico do esporte
Raul Cutait, cirurgião
Roberto Kalil – cardiologista
Ronaldo Laranjeira, psiquiatra
Salmo Raskin, geneticista
Sergio Podgaec, ginecologista
Sergio Simon, oncologista

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  1. Paulo Bandarra

    Na verdade são novos desarranjos familiares, ou desfamiliarização. A fugas afinidade afetiva irá superar a biologia?

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  2. mais propaganda esquerdopata nessa revista que um dia já foi respeitável

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