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Baywatch

Péssima, versão do seriado é vulgar porque não sabe ser nenhuma outra coisa

Devo um agradecimento pessoal ao sujeito que se deu o trabalho de ficar bolando os apelidos com que Dwayne Johnson chama Zac Efron durante Baywatch. Não porque eles fossem originais ou bem sacados – não eram nada de mais. Mas pelo menos eles me distraíram um pouco de uma das piores coisas que já vi numa sala de cinema. Chamado aqui de S.O.S. Malibu, o seriado com David Hasselhoff e Pamela Anderson era cafona e tosco, e as tramas eram todas uns draminhas ou policiais mambembes – e essa era a graça. Vi muito S.O.S. Malibu no sábado à tarde, quando algum canal passava o seriado produzido entre 1989 e 2000, e sempre morria de rir. Tudo era ingenuamente bizarro, da atuação de boneca de Pamela ao olhar desencontrado de David Hasselhoff, que, além de astro canastrão de Supermáquina e S.O.S. Malibu, era (e é) ícone da música brega na Alemanha.

Baywatch

(Paramount/Divulgação)

Mas filmes e séries ruins dependem de ter um certo charme para divertir, e Baywatch, o filme, é um brucutu. É mais tosco até do que o seriado: é bagaceira. Tem um enredo policial horrível de ruim. A comédia é vulgar ao ponto do constrangimento, naquele nível de piada de bêbado. Pior: é vulgar não porque decidiu sê-lo, mas porque não sabe ser nenhuma outra coisa. O elenco não tem salvação. Embora seja difícil decidir quem é pior, estou tentada a dar o troféu para a vilã estuporante de Pryanka Chopra. As mulheres usam maiôs minúsculos – exatamente como as que se podem ver aqui em qualquer praia, de graça, ao vivo e a cores, e em toda a riqueza das suas ondulações materiais. Os homens são bombados até quase arrebentar de dentro da pele; em Zac Efron, o efeito chega ao grotesco. Presume-se que o espectador deveria achar engraçado o gordinho apaixonado pela salva-vidas loira (Kelly Rohrbach, que tenta ser Pamela Anderson e, caramba, não consegue). Mas Jon Bass, que faz o papel, é um desastre. Lembra vagamente Bussunda, menos qualquer talento e qualquer humor. Se a ideia é ver alguma coisa bem podreira, tenho certeza que dá para encontrar alguma baixaria mais engraçada na Netflix, sem pagar ingresso.

Baywatch

(Paramount/Divulgação)

Na saída do cinema, um amigo tentou me consolar: você já viu pior, ele disse. Não sei. Acho que não.


Trailer

BAYWATCH – S.O.S. MALIBU
(Baywatch)
Estados Unidos, 2017
Direção, se é que se pode chamar assim: Seth Gordon
Com Dwayne Johnson, Zac Efron, Alexandra Daddario, Jon Bass, Kelly Rohrbach, Pryanka Chopra. Ilfenesh Hadera e pontas de David Hasselhoff e Pamela Anderson
Distribuição: Paramount

 

Comentários
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  1. Carmmando Alves

    eu quero ir para o cinema para assistir ao filme me divertir e não filosofar, sem duvidas o filme não é feito para você Isabela Boscov !!!

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  2. Soraia Alencar

    Filme trash! Lixo! E quem assiste é lixo tb!😛😛😛😛😛

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  3. Pérsio Ribeiro

    Não sei se me divirto mais com o filme ou com a crítica… grande Isabela!!!

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  4. JEFFERSON VIANA

    Alguns filmes perdem sua qualidade por causa dos atores, aconteceu com Prometheus, que aliás vi sua critica e gostei: da crítica e do filme.

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  5. Ernesto Ribeiro

    Veja o lado positivo: quanto pior é o filme, melhor é o senso de humor venenoso de Boscov: “Direção, se é que se pode chamar assim”. Diante do físico monstruoso do ex-The Rock, só me resta recorrer á filosofia de Olavo de Carvalho : “O homem forte dos anos 50 parecia um homem forte. O de hoje parece um bicho esfolado.”

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  6. Ernesto Ribeiro

    Dwayne Johnson e Zac Efron galopam a passos largos na mesma trilha do falecido Michael Clarke Duncan, que “morreu de causas naturais” depois que o coração dele não suportou mais o peso de um corpo inchado por esteroides além das proporções humanas. A galera do mal no site Pé na Cova já deve estar apostando as fichas num bolão pra saber quem dos dois será o próximo astro de Hollywood a explodir.

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