Resumo dos indícios contra Lula

A jararaca viva mais peçonhenta do Brasil

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AS PRINCIPAIS SUSPEITAS

I.

Lula se beneficiou das reformas feitas pela construtora OAS e também pela Odebrecht em dois imóveis – tríplex no Guarujá e sítio de Atibaia – em troca de contratos bilionários que as empresas obtiveram com a Petrobrás entre 2004 e 2014.

A reforma do tríplex custou quase R$ 800 mil. A do sítio frequentado pela família Lula, mais de R$ 1 milhão.

Como resumi em 12 de fevereiro:

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1) O SÍTIO

– O que diz o juiz Sérgio Moro:

a) Que somente se Lula for o proprietário, faz sentido que as empreiteiras do petrolão tenham bancado suas reformas:

“A realização das reformas por José Carlos Bumlai [amigo de Lula preso pela Lava Jato] e pela Odebrecht e a aquisição da cozinha pela OAS não fazem qualquer sentido se os reais proprietários do sítio forem Jonas Suassuna e Fernando Bittar”, ambos sócios de Lulinha, filho de Lula.

“Admitindo-se, porém, que o proprietário é o ex-presidente as ações de José Bumlai, da Odebrecht e da OAS passam a ser compreensíveis”.

b) “O fato da OAS ter pago a aquisição e a instalação de cozinha tanto para o apartamento no Guarujá como para o sítio em Atibaia dificilmente pode ser atribuído à coincidência.”

As cozinhas custaram R$ 312 mil.

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– Conclusão de Moro:

“As provas, em cognição sumária, são no sentido de que Luiz Inácio Lula da Silva é o real proprietário do sítio em Atibaia e que este sofreu reformas significativas, de valor expressivo, ainda que sem dimensionamento do valor total, por ação de José Carlos Bumlai e da Odebrecht, além da OAS ter providenciado a aquisição e a instalação da cozinha no local”.

– Crimes cometidos, segundo Moro:

“Em princípio, podem os fatos configurar crimes de corrupção e de lavagem de dinheiro no contexto do esquema criminoso que vitimou a Petrobras”.

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– Prova do uso de ‘laranja’:

Em e-mail remetido pelo compadre de Lula e advogado Roberto Teixeira, responsável por representar o ex-presidente, bem como a seus familiares, em ações judiciais, “a utilização de Jonas Suassuna como pessoa interposta fica bastante clara”.

Teixeira afirma, na mensagem, que “a área maior” do sítio “está sendo posta em nome do sócio do Fernando Bittar” (Suassuna).

INICIA-EMAIL-TEIXEIRAPara a Lava Jato, “é mais um sinal de que esses ‘amigos da família’ serviram apenas para ocultar o fato de que foi em favor de Lula que o sítio foi adquirido”.

A compra do sítio, por R$ 1,5 milhão, foi registrada no escritório de Teixeira, compadre de Lula.

– Assessor de Lula pagou obras

Rogério Aurélio Pimentel, assessor especial de Lula, conhecido por seu envolvimento com os aloprados, em 2006, foi o portador do dinheiro para pagar as obras do sítio.

O empreiteiro que fez a reforma, Carlos Rodrigues do Prado, disse aos investigadores da Lava Jato que “o pagamento era feito semanalmente e em espécie por Rogério Aurélio Pimentel, totalizando o valor de R$ 167,4 mil”.

Resta saber quem lhe deu o dinheiro.

Lula e a lei capa VEJA

Edição deste fim de semana (março de 2016), após condução coercitiva de Lula para depor

2) O TRÍPLEX

– O enredo, resumido por VEJA desta semana:

“A história do tríplex enreda Lula ainda mais nas tramoias das empreiteiras do petrolão.

Como VEJA revelou, foi o ex-presidente quem convenceu a OAS a assumir as obras deixadas para trás pela Bancoop, cooperativa que foi à bancarrota após desviar o dinheiro de milhares de associados para os cofres do PT.

Pedido de Lula, sabe-se agora, era ordem, e a OAS topou.

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Edição de abril de 2015

Um dos projetos assumidos pela empreiteira foi justamente o do Edifício Solaris, no Guarujá, onde o ex-presidente teria uma unidade.

A OAS não só evitou o prejuízo a Lula, tirando o projeto do prédio do papel, como aproveitou a oportunidade para afagar o petista.

Reservou para ele um tríplex, na cobertura do edifício – e cuidou para que, a exemplo do sítio, o apartamento ficasse ao gosto da família.

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Condomínio Solaris, onde está o tríplex de cobertura

A empreiteira investiu quase 800 000 reais apenas numa reforma, que deixou o imóvel com um elevador privativo e equipamentos de lazer de primeiríssima qualidade.

Sem constrangimento, Lula e a ex-primeira-dama Marisa visitaram as obras na companhia de Léo Pinheiro, o ex-­presidente da OAS.

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Imagem da visita de Lula ao triplex, revelada pelo Jornal Nacional

Tudo estava ajustado para que a família logo começasse a desfrutar o apartamento.

Mas veio a Lava-Jato e os planos mudaram.

Lula, então, passou a dizer que tinha apenas uma opção de compra do apartamento – e que desistira do negócio.

O argumento não convenceu a polícia.”

II.

Palestras ao custo de 200 mil dólares (cada) foram forjadas para encobrir propina a Lula.

MP acredita que elas foram um modo de “dissimular o recebimento de vantagens indevidas” no esquema de corrupção da Petrobras e na compra de apoio político ao governo dele.

Executivos da OAS, por exemplo, disseram à polícia que não se recordavam de palestras de Lula na empreiteira.

No papel, a OAS pagou 1,2 milhão de reais à LILS, empresa do ex-presidente que teve seus sigilos fiscal e bancários quebrados por Moro.

O Instituto Lula também recebeu repasses milionários das companhias que fraudaram a Petrobras.

Dos 34,9 milhões de reais recebidos pelo instituto entre 2011 e 2014 a título de doações, 20,7 milhões foram repassados pela Camargo Corrêa, Odebrecht, Queiroz Galvão, OAS e Andrade Gutierrez, todas investigadas na Lava Jato.

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O que diz o MPF?

“Há elementos de prova de que Lula tinha ciência do esquema criminoso engendrado em desfavor da Petrobras, e também de que recebeu, direta e indiretamente, vantagens indevidas decorrentes dessa estrutura delituosa”.

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Limpeza documental:

A Lava Jato confirmou neste sábado (5):

Não há dúvida de que houve “limpeza documental” no Instituto Lula às vésperas da Operação Aletheia.

Será aberto inquérito para investigar vazamento de informação sigilosa sobre a deflagração da 24ª fase da Lava Jato.

Sim: eles souberam. Sim: eles fizeram faxina para escapar impunes.

III.

Lava Jato também investiga repasses feitos pelo Instituto Lula e pela LILS a quatro (4!) filhos e uma nora de Lula a partir de 2011.

Segundo as imvestigações:

1) Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha

A G4 Entretenimento e Tecnologia Digital LTDA recebeu 1.349.446,54 reais entre 2012 e 2014.

Ela tem como sócios Lulinha e os empresários Fernando Bittar e Kalil Bittar.

2, 3 e 4) Marcos Cláudio Lula da Silva, Sandro Luís Lula da Silva e Marlene Araújo Lula da Silva

A Flex BR Tecnologia Ltda embolsou 72.621,20 reais da LILS.

Ela tem o mesmo endereço da G4 e os sócios são Marcos, Sandro e Marlene, nora de Lula.

5) Luis Claudio Lula da Silva

Foi beneficiado com 227.138,85 reais.

Luis Claudio também é investigado por envolvimento no esquema de venda de medidas provisórias no governo do pai, Lula.

Foi ele que copiou trechos da Wikipedia para justificar o recebimento de 2,4 milhões de reais de um lobista por um contrato fajuto.

IV.

Lula sabia do petrolão” e da função exercida no esquema pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

É o que garante o ex-deputado Pedro Corrêa, que fechou delação premiada.

“O petrolão e o mensalão são a mesma coisa. Desde 2004, o petrolão financiava o mensalão”, disse Corrêa aos investigadores.

Ele ofereceu contar cinco episódios comprometedores envolvendo Lula e relatou vários encontros com o então presidente.

1) Num deles, segundo Época, o PP cobra mais espaço no esquema de propina da Petrobras.

“Lula, segundo Corrêa, teria dito que ‘Paulinho’, apelido de Paulo Roberto, indicado pelo ex-presidente para a diretoria de abastecimento da estatal, feudo dividido entre PP e PT, estava atendendo bem o partido da base aliada.”

2) Outro episódio:

“Corrêa e João Pizzolatti foram ao escritório do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh. Quando chegaram lá, encontraram Marcos Valério. Greenhalgh e Valério queriam que Pedro Corrêa e Pizzolatti os ajudassem a fechar uma operação de compra e venda de petróleo com Paulo Roberto Costa. De acordo com Corrêa, Lula interferiu para que a transação saísse”.

V.

Tudo isto sem falar nas acusações de Delcídio do Amaral contra Lula e Dilma no acordo de delação premiada do senador petista:

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Para saber mais sobre cada uma dessas acusações, veja o post:

– ‘Bombas’ de Delcídio contra Lula e Dilma confirmam os furos de VEJA e deste blog

A propósito:

Na noite de sexta-feira, o mesmo dia em que Lula foi conduzido a depor e depois se fez de vítima, sem dar explicação alguma, comparando-se a uma jararaca atingida, a ministra Rosa Weber, do STF, negou pedido da defesa do petista para interromper as investigações contra ele no âmbito da Lava Jato.

Agora aguenta, jararaca!

Felipe Moura Brasil ⎯ http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil

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