A culpa do estupro não é da mulher, mas a da confusão é da pesquisa do IPEA! Essa, sim, merece ser “atacada”!

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[Acréscimo de 4 de abril: FIM DA FARSA DO IPEA! ATENÇÃO! VÁ PRIMEIRO PARA ESTE ARTIGO: País de estupradores, uma ova! IPEA admite que… eu estava certo! Ai, que chato! Maioria discorda de ataques às mulheres! Só falta o instituto, os jornais, a TV e os ativistas admitirem o proselitismo ideológico também]

Se eu quisesse “provar” que o Brasil é um país tão “machista” que os homens realmente acreditam que o estupro é culpa da mulher, eu teria decerto perguntado a 3.810 brasileiros se concordam ou discordam de frases tão picaretas quanto as da pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA):

“Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas.” – 65% dos entrevistados concordaram, total ou parcialmente.

“Se as mulheres soubessem se comportar haveria menos estupros.” – 58,5%, idem.

Pronto. Os portais de notícias reproduziriam em letras garrafais o resultado do “Brasil medieval“, as feminazi ficariam escandalizadas, os “especialistas” viriam em seguida comentar que “as mulheres ainda são vistas como propriedade”, o lobby para novas políticas públicas iria aumentando e os políticos apareceriam para atender ao apelo geral com propostas de leis, sem que ninguém soubesse afinal se foram eles mesmos que me encomendaram a pesquisa com este objetivo, muito menos se os métodos usados condizem com a impressão resultante.

Não: não estou acusando ninguém de encomendar nada, embora desconfie de institutos de pesquisa econômica que investigam questões comportamentais. Só estou dizendo que esta seria a ordem artificial das coisas se eu quisesse manipular a opinião pública, sobretudo se contasse com agentes do meu grupo ideológico nas redações dos órgãos de mídia.

Quem lê as manchetes dos portais e, se tanto, as duas frases do IPEA em sequência fica obviamente com a impressão – e é ela que vale em matéria de opinião pública – de que os homens são muito malvados e culpam as mulheres pelo estupro. Acontece que a primeira frase não fala de estupro, mas genericamente de ataque; e a segunda relaciona um mau comportamento também genérico das mulheres à diminuição do índice de estupro. E tem mais um “pequeno” detalhe: 66% dos entrevistados eram mulheres! Não duvido que muito mais impiedosas com as “periguetes” do que os homens… (Ficha técnica da pesquisa no fim do post.)

Em todo caso, vamos lá: é feio dizer que uma mulher “merece ser atacada”? Sem dúvida. Mas que diabos é “ser atacada” para o cidadão comum no Brasil? “Atacar” como? Quase todo o palavreado nacional relativo a abordagens, conquistas e pegações consentidas é baseado em conceitos de guerra, de “caça” ou de futebol, tanto para homens (“os guerreiros”) quanto para mulheres, e nem por isso se está falando em “encoxar”, abusar, espancar ou estuprar.

Quantas vezes homens de bem não dizem aos amigos que “partiram para o ataque” com fulana, querendo dizer que apenas a abordaram de forma mais incisiva, mostrando o quanto querem ter com elas alguma relação? Quantos não estimulam os outros a deixar de lero-lero e “partir para o ataque”? Quantas mulheres não adoram ser “atacadas” neste sentido pelos homens?

“Atacar” mulher no Brasil não é necessariamente cometer crimes contra ela. Até “criticar alguém” é “atacar”. Quase todo homem ataca mulheres neste sentido. Se a pesquisa pretendesse esclarecer alguma coisa, teria definido a que tipo de “ataque” se refere (e não teria usado a palavra “merece”, que, entre tantos significados, tem até mesmo o de “atrair sobre si”; sem contar o vazio que gírias como “ninguém merece!” e “fulano merece!” lhe emprestaram).

Se, para 65% dos entrevistados, “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas“, como saber quantos entre eles julgaram que elas “merecem” ser criticadas, abordadas ou “cantadas” por isso? E, principalmente, quantos não exageraram o seu desapreço pelo suposto exibicionismo feminino – quiçá imaginando as filhas (ou as concorrentes, no caso das esposas) de bunda de fora – sem desejar com isso que elas fossem de fato violentadas? Em sentido literal, toda mulher no Brasil usa roupas que mostram o corpo de alguma forma, mas falar sobre o que mereceriam as “mulheres que usam roupas que mostram o corpo” induz o entrevistado a imaginar as mulheres mais vulgares e oferecidas e a repudiá-las em sua resposta. Agora: se a palavra “atacadas” fosse trocada por “espancadas” ou “estupradas”, é evidente que o resultado teria sido mais ameno.

Nada, porém, como deixar para falar de estupro na frase seguinte, mais vaga ainda, não é mesmo? Assim o efeito das duas causaria uma impressão geral de estupidez machista. Repito a dita-cuja: “Se as mulheres soubessem se comportar” (???), “haveria menos estupros.” No mesmo país em que compreender as causas sociais óbvias de um crime, como fez Rachel Sheherazade no caso dos justiceiros, é “incitação” e “apologia” a ele, como diz a comunista Jandira Feghali, do PCdoB (que nunca disse o mesmo dos comunistas), relacionar um mau comportamento vago de alguém à incidência do crime agora é o mesmo que atribuir-lhe a culpa.

Não faço ideia se o índice de estupros diminuiria se as mulheres vestissem burcas, mas é perfeitamente compreensível o raciocínio de que se elas não usassem roupas tão provocantes atrairiam menos a atenção dos estupradores, assim como, se os homens não passassem de Rolex ou de Ferrari em áreas perigosas, atrairiam menos a atenção de assaltantes. E nada disso seria culpá-los dos crimes que os demais cometeram. A frase do IPEA é vaga e induz os entrevistados a pensar na atração que mulheres desnudas despertam em potenciais estupradores e a especular que um cuidado maior diminuiria a incidência de estupros, o que em nada depõe contra o caráter desses entrevistados, muito menos comprova o seu “machismo”.

[Também pode induzir a pensar que estuprar uma mulher mais vestida, por exemplo de calça jeans, dá mais trabalho e é portanto mais difícil mesmo do que uma que já esteja de saia curta, o que leva a crer que haveria menos estupros se as mulheres “soubessem se comportar” no sentido de andarem mais cobertas.]

O uso indiscriminado da palavra responsabilidade por parte da mídia, misturando seus vários sentidos, também colabora, como de hábito, para a confusão geral. Se uma pessoa é supostamente irresponsável (no sentido de “descuidada”) por chamar a atenção de bandidos de alguma forma, isto tampouco a torna responsável (no sentido de “culpada”) pelo crime.

Manchetes como “Maioria acredita que mulher tem responsabilidade em casos de estupro, diz Ipea” estão aí apenas para confundir. Não foi com isto que a maioria concordou, e os pesquisadores do IPEA ainda têm a cara-de-pau de concluir que “O acesso dos homens aos corpos das mulheres é livre se elas não impuserem barreiras, como se comportar e se vestir ‘adequadamente’”. Nenhum homem disse que vai sair transando com as mulheres se elas não se comportarem ou se vestirem adequadamente, mas o IPEA veio com tudo para causar escândalo.

Se, em suposta compensação, 91% dos entrevistados concordaram, total ou parcialmente, que “homem que bate na esposa tem que ir para a cadeia”, não é tampouco porque os entrevistados toleram menos a “violência doméstica” do que as outras, mas porque esta é justamente a frase menos capciosa e portanto mais reveladora da pesquisa (os homens não devem ser tão malvados assim, não é mesmo?). “Bater na esposa” e “ir para cadeia” são expressões muito mais diretas e objetivas do que aquelas usadas nas frases anteriores.

De resto, a confusão em torno da “responsabilidade” pelo estupro já é muito maior no ambiente cultural do que sobre a “culpa” de um homem que bate na esposa; e o IPEA só fez confundir ainda mais – para não dizer manipular – a opinião pública em relação a primeira.

Proponho aos pesquisadores duas lindas afirmativas, com as quais concordo totalmente:

Pesquisas cujas frases induzem a determinadas respostas merecem ser atacadas.

Se as pesquisas soubessem se comportar haveria menos estupro mental no país.

Felipe Moura Brasil – http://www.veja.com/felipemourabrasil

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[Acréscimo de 4 de abril: FIM DA FARSA DO IPEA! ATENÇÃO! VÁ PRIMEIRO PARA ESTE ARTIGO: País de estupradores, uma ova! IPEA admite que… eu estava certo! Ai, que chato! Maioria discorda de ataques às mulheres! Só falta o instituto, os jornais, a TV e os ativistas admitirem o proselitismo ideológico também]

IPEA motangem oficial divulgação

Ficha técnica:

Características da população entrevistada (3810 pessoas) 

A) Residentes no Sul ou Sudeste (sse): 56,7% 
B) Residentes em áreas metropolitanas (metro): 29,1% 
C) Pessoas jovens, 16 a 29 anos (jovem): 28,5% 
D) Pessoas adultas, 30 a 59 anos: 52,4% 
E) Pessoas idosas, 60 ou mais anos (idoso): 19,1% 
F) Mulheres (fem): 66,5% 
G) Brancos (branco): 38,7% 
H) Católicos (cato): 65,7% 
I) Evangélicos (evan): 24,7% 
J) Demais religiões, ateus e sem religião: 9,6% 
K) Menos que o ensino fundamental: 41,5% 
L) Ensino fundamental (edufunda): 22,3% 
M) Ensino médio (edumedia): 30,8% 
N) Ensino superior (edusuper): 5,4% 
O) Renda domiciliar per capita média: R$ 531,26

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  1. Comentado por:

    Antonia Maria de Jesus Abreu

    Eu não sou machista, porém acho que as jovens estão abusando do modo de se vestir, oquê aguçam a vontade dos tarados, portanto devemos alertar e observar nossos filhos e filhos a se comportarem como cavalheiros,respeitosos, pois além das vestimentas tem que haver o respeito com o próximo”, a mídia mostra o lado pobre,; os poderosos só fazem propaganda, pois tem segurança e não correm risco, andam em carros prtoegidos etcc

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  2. Comentado por:

    Eduardo

    O petismo tem sua indústria de panfletagem, gráficos e estatísticas próprios, onde todos retratam, ou uma realidade mais fantasiosa ou mentirosa, ou muito mais pessimista e cruel, só dependendo de quem queria cooptar ou destruir!
    Enfim o Ipea foi desmoralizado, todo e qualquer dado econômico que a partir de agora esse instituto que (também) completa 50 anos de existência, sempre sério e muito respeitado, será visto com desconfiança, com incredibilidade!
    Enfim conseguiram aquilo que deram início aqui:
    http://veja.abril.com.br/211107/p_086.shtml

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  3. Comentado por:

    Edvaldo

    Parabéns, muito bom seu texto!
    Existe uma confusão entre responsável e culpado.
    Na construção do questionário, é importante manter o foco na questão a ser investigada durante a elaboração da pergunta, procurando usar palavras simples e perguntas objetivas que procure reduzir ao máximo possível a chance de interpretações diferentes da desejada. Outro ponto importante, é garantir que a aplicação do questionário seja o mais padronizado possível nas diferentes populações alvo da pesquisa.
    Não está muito claro a metodologia desta pesquisa e, devido o assunto, acredito que existam alguns problemas de metodologia na pesquisa.

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  4. Comentado por:

    Valdir Severino.o

    Filipe foi muito boa a sua observação, mas no Brasil o problema não é como a mulher se veste ou deixa de se vestir, o problema é da justiça ou falta dela, no Brasil aproximadamente 46.000 (quarenta e seis mil) querempessoas são assassinadas por ano, sem falar em diversos outros crime que se cometem diariamente, enquanto tiver Juiz que manda prender e juiz que manda soltar, não vai acabar o estupro e nenum outro crime, é preciso uma reforma no sistema judiciário brasileiro urgente, se querem que diminua o índice de criminalidade de qualquer natureza.

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  5. Comentado por:

    Manoelli Rupolo

    Excelente texto!
    A midia destorce o pensamento humano. O que podia ser uma pesquisa movida pelo respeito, para buscar soluções RACIONAIS para determinados comportamentos humanos, virou uma PIADA e, PRINCIPALMENTE, UM DESRESPEITO PARA NÓS MULHERES. Eu discordo totalmente que estar com roupas curtas atraem ainda mais os “estupradores”.. Até porque já vi mulheres de calça jeans e jaqueta sendo MUITO mais vulgar do que uma de saia e regata. Acredito que o comportamente se baseia em um todo, e não somente na roupa que as mulheres vestem!! NENHUMA mulher merece ser abusada/atacada! ACORDA BRASIL, NÃO É A ROUPA DE UMA PESSOA QUE DEFINE SEU CARATER E SEU COMPORTAMENTO.

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  6. Comentado por:

    Thiago

    A culpa dos estupros não é das mulheres, nem dos homens, mas tão somente do estuprador. Lógico. Tão simples, mas os nossos sociólogos não concordam com a simplicidade, ou com a lógica, eles têm que inventar sempre um fenômeno social para justificar sua utilidade. Na cabeça perturbada dessa gente o estuprador, como qualquer outro algoz da sociedade, é apenas uma vítima dos impulsos. Eles não conseguem provar nada do que dizem sem antes distorcer a realidade até que esta se adeque aos seus absurdos teóricos.
    E o pior é que o povo brasileiro cai na lábia dessa gente. E não somente isso: O brasileiro começa a pensar segundo o que o sociólogo determina. “cultura do machismo”, “cultura do estupro”, isso não existe aqui, mas basta que um de seres mal intencionados inclinados à promoção da destruição radical de toda ordem social, e com o poder econômico e político nas mãos, diga ao povo que isso existe, e o povo acreditará que vivemos em um país islâmico.
    O brasileiro é mais dócil de se programar do que uma TV.

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  7. Comentado por:

    Andreza

    não se deveria atribuir a culpa dos vários casos de estrupo as mulheres,pois elas são as que sofrem mais com o abuso e perseguições. os crimes ocorrentes no brasil de estrupo e pedofilia também tem como culpados a queles que comente tal barbaridade. nesse aso a sociedade tem que prestar atenção , pois esses mal elementos estão em torda parte, e não jugar, afastar quem sofre com isso.

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  8. Comentado por:

    maria de lourdes

    Certo,mas e a vulgaridade feminina? Nós mulheresbrasileiras somos vistas como prostitutas no exterior,será que os gringos também são todos machistas ou será que nós não contribuimos com essa imagem? Estou farta dessa patifaria feminista,que nos incentiva a sermos objetos sexuais,provocar os homens das maneiras mais baixas possíveis,e depois ficar nessa m* de mimimi vitimista quando o tiro sai pela culatra!E o pior que nem podemos ao menos tocarmos no assunto sem o patrulhamneto deessas desajustadas que insistem em pintar um quadro de vitimismo insano.A eficiência dessa lavagem cerebral se comprava nos comentários que aqui li.E vamos que vamos,continuando anos reduzirmos é bundas e peitos!! E viva a hipocrisia desses homens aqui: mulher pode se vestir como vagabunda,não é? Mas minha namorada não,minha esposa não,minha filha não…ao invés de nos ensinar anos vermos como seres-humanos,pesquisas como essa só agrava o quadro de vulgarização exttema que temos neste país,cultura que cria tarados e depois os condenam!

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  9. Comentado por:

    Horminda

    Eu concordo plenamente com o comentário de maria de lourdes e não é só o modo de se vestir é o caráter é o q si tem dentro de suas cabeças a maioria tambem é descomprometidas com tudo.

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