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Quem quer intervenção militar busca o futuro no passado

No fim do século, milhões de venezuelanos acharam que o homem providencial apareceria nos quartéis. Apareceu o coronel Hugo Chávez

A menos de um ano da eleição presidencial de 2018, patrulhas formadas por guerreiros de redes sociais intensificaram o berreiro que reivindica uma “intervenção militar”. A mais recente ofensiva é ilustrada por imagens da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, ocorrida em março de 1964. Há 53 anos, portanto. Isso mesmo: cinquenta e três.

O ex-ministro Pedro Malan, um dos parteiros do Plano Real, sustenta que, nestes trêfegos trópicos, até o passado é imprevisível. A explicação pode estar nesses estranhos surtos de nostalgia que movem os partidários da intervenção militar. Para eles, o que aconteceu não tem o direito de descansar nos livros de História porque não é passado. É um exemplo imortal, que deve ser resgatado quando o presente é nebuloso e com ele moldar o futuro do país.

Antes de formular algumas perguntas aos órfãos de tutores fardados, um aviso a quem enxerga no debate político um furioso Fla-Flu: estarão perdendo tempo os que revidarem com insultos, ofensas e ilações cretinas. Não leio lixo. Mas examinarei com atenção e prazer argumentos capazes de desfazer interrogações relevantes.

Por exemplo: caso ocorra uma intervenção, quem será o interventor? Como será escolhido? Se a escolha já foi feita, por que não transformar o futuro interventor em candidato à Presidência da República? Todos sairiam ganhando. O homem providencial teria quase um ano para expor seu programa de governo, revelar os responsáveis por setores particularmente relevantes e provar que saberá dar um jeito no Brasil. Por seu turno, o povo teria a oportunidade de participar nas urnas da sagração do salvador da Pátria.

Enquanto as respostas não vêm, prefiro a intervenção popular, que se consuma com a arma do voto. Todos os problemas podem ser resolvidos com os instrumentos oferecidos pela democracia. E só marmanjos à procura de babás ignoram que simplesmente clamar por intervenções militares é perigoso.

No fim do século, por exemplo, milhões de venezuelanos rezaram pela aparição nos quartéis de alguém que os conduzisse no caminho do futuro. Apareceu o coronel Hugo Chávez.

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  1. Prezado Augusto Nunes, se limoeiro não dá melancia, desonestos não produzirão honestidade e injustos só gerarão mais injustiças. “Tudu-içu-qui-taí” e que sempre esteve, vai continuar produzindo crimes cada vez melhores – para eles, e pior para o país. É preciso uma quimioterapia para extinguir este câncer, mas os doutores do congresso ficam com peninha de aplicar a injeção de Justiça. Um médico interventor é mais do que necessário nesse momento de agonia de um país. Agora, mesmo que o país descambe para (outra) ditadura militar, penso que ela será preferível à DITADURA DE BANDIDOS, que ora mandam nos destinos da Nação!

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  2. Este Brasil horrível que estamos vivendo, é fruto dos 21 anos de Ditadura. Comparem o Brasil antes de 1964, com ótimas leis sociais, o índice demográfico maior no interior do que nas Capitais. Comparem tudo, inclusive a qualidade dos candidatos a Presidência da República, a independência dos Estados, já que o Brasil era “Estados Unidos do Brasil” após 64, Republica Federativa do Brasil. Comparem 1964 com 1985 e virão que os miltares brasileiros, são péssimos administradores públicos.

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