Para que os brasileiros deixem a Líbia, basta um pedido de Lula ao amigo e irmão Kadafi

Desde domingo, centenas de brasileiros em perigo na Líbia aguardam o pouso do avião fretado pelo Itamaraty. Desde domingo, o chanceler Antonio Patriota espera sentado a autorização do governo local para o pouso em algum aeroporto. Desde domingo, Lula faz de conta que conhece só de vista o homem que há 42 anos manda e […]

Desde domingo, centenas de brasileiros em perigo na Líbia aguardam o pouso do avião fretado pelo Itamaraty. Desde domingo, o chanceler Antonio Patriota espera sentado a autorização do governo local para o pouso em algum aeroporto. Desde domingo, Lula faz de conta que conhece só de vista o homem que há 42 anos manda e desmanda no país. O que espera Patriota para interromper a amnésia malandra e recordar ao ex-presidente os tempos em que entrava sem bater na tenda beduína onde Muammar Kadafi conversa, descansa e dorme escoltado pela guarda pessoal só de mulheres?

Há pouco mais de um ano e meio, na reunião da União Africana realizada em Sirte, na Líbia, Lula e Kadafi andaram protagonizando cenas que, infiltradas em qualquer dramalhão de cinema, fariam a plateia inteira chorar lágrimas de esguicho.  “Meu amigo, meu irmão e líder”, derramou-se o convidado de honra, olhos nos olhos com o anfitrião, na abertura da discurseira. Kadafi pareceu especialmente comovido, naquele 1º de julho de 2009, ao ouvir o parceiro responsabilizar os países industrializados pelo “caráter perverso da ordem internacional”.

Em seguida, o orador acusou a imprensa em geral e os jornalistas brasileiros em particular de tratar com “preconceito premeditado” as relações amistosas entre os governos latino-americanos e as ditaduras da região. Só gente preconceituosa poderia fingir que não vê “a persistência e a visão de ganhos cumulativos que norteia os líderes africanos”, todos muito conscientes de que  “consolidar a democracia é um processo evolutivo”. Kadafi ficou tão animado com o palavrório que no encontro seguinte, promovido na Venezuela, propôs uma aliança militar, “nos moldes da OTAN”, entre os liberticidas africanos e os companheiros cucarachas.

No momento, o terrorista vocacional não tem tempo para pensar nessas grandezas: está inteiramente absorvido pela guerra de extermínio movida contra o povo líbio. Mas atenderá imediatamente ao telefone se souber que é Lula quem está do outro lado da linha. E, se ouvir o pedido, não se negará a suspender por algumas horas o bombardeio aéreo da população civil para permitir que o avião do Itamaraty recolha os brasileiros. Ninguém recusa o que pede um amigo e irmão. (Se recusar, o Brasil colherá mais uma prova de que a política externa da cafajestagem, parida pelo que Ricardo Setti batizou de “lulalato”, serviu apenas para envergonhar o país governado por um megalomaníaco).

Além de acionar o ex-presidente, Antonio Patriota deve reforçar urgentemente o esquema de segurança da embaixada na Líbia. Assustado com a força da insurreição popular, Kadafi tem consultado o companheiro Hugo Chavez sobre planos de fuga e refúgios seguros. O último a tratar desses assuntos com o imaginoso venezuelano foi o hondurenho Manuel Zelaya. Os dois decidiram que um bom esconderijo seria a embaixada brasileira em Tegucigalpa. Kadafi avisou nesta terça-feira que prefere morrer a deixar o país. Se Patriota não abrir o olho, o bolívar-de-hospício e o ditador acuado tentarão abrir em Tripoli mais uma Pensão do Lula.

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  1. Comentado por:

    VAL F. ARALDI BASTOS

    Cheguei a uma conclusão,quem viver,verá.O poste ainda vai arrumar um ministério para que o molusco fique com o avião presidencial.Não vejo outra explicação perante a insistência em comprar outro para a “sra presidenta” com + “autonomia” de vôo,balela.É dinheiro sobrando enquanto brasileiros morrem de fome.

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  2. Comentado por:

    Osvaldinho

    Na hora de deixar o Brasil para ganhar dinheiro no país dos outros, muitos deles formados por universidades publicas, pagas com o dinheiro de imposto e taxas deste povo que passa fome e a maioria não tem seguer o ensino básico, vão todos muito bem e quando tem oportunidade de serem entrevistados por tv brasileira, “tiram onda” dizendo: “Aqui não tem a violência e insegurança que existe no Brasil”, “Meu sálario de tantos mil dólares no brasil nao seria nem 15% disso”, “Aqui o povo tem cultura, instrução e educação, não é como o Brasil onde o povo é ignorante e só pensa em
    futebol e carnaval”. São essa pérolas que ouvimos sempre, mas quando tudo vira merda lembram que tem para onde voltar e as autoridades brasileiras tem que se virar para tirar as “belezinhas” destes “paraísos” e o pior a viagem de volta paga pelas
    embaixadas, ou seja, com o dinheiro dos “sem cultura”, “sem educação” e se demora para retira-los do país em comflito acham que tem direito a reclamar. É, “brasileiro ser muito bonzinho”

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  3. Comentado por:

    Valentina de Botas

    Oi, Augusto!
    Por suas belas linhas, Augusto, o leitor é guiado invariavelmente ao encontro de ideias claras, expostas de modo límpido, em linguagem cristalina. A objetividade, a honestidade e a coragem com que você expõe suas opiniões, além de um appeal todo próprio do seu estilo, distiguem já uma marca, uma grife. Muito valiosa, ou antes, muito preciosa. Ela mesma um valor. Não falo de dinheiro, mas de algo sem preço, por isso ainda mais valioso. Falo do jornalista que não se fraciona entre o profissional e o homem – o primeiro não escamoteia o segundo e este só melhora aquele. Inteireza de caráter. Que não se abriga no esmerado tratamento que a língua tem nos seus textos, pois há verdadeiros crápulas que escrevem muito bem. Ela se oferece na marca, na grife como um todo, daí esta ser um valor. Valores não têm preço. A origem das críticas ao seu trabalho só o enobrece; o respeito e a admiração de quem o conhece também. Dito isso, pergunto: como alguém, conforme li entre os comentários, pode se opor à defesa que você faz dos brasileiros vulneráveis naquela Líbia de quase um ano atrás? Como alguém pode apoiar o abjeto comportamento de Lula? Não pode e, por isso, os milicianos o fazem selvagemente. Ninguém sensato espera bom senso dos seguidores da seita, um velho desconhecido deles. Não surpreendem, mas não deixa de ser chocante a confirmação da expectativa: sem argumentos, desviam o assunto para o ‘seu problema com Lula’, de ordem psicológica. Ora, seu problema com Lula é o mesmo dos demais brasileiros apreciadores da decência: a falta desta no protocaudilho. Kadafi está morto, não vi nem quero ver os vídeos da brutalização do ditador. Minha torcida pelo povo líbio, minha repulsa ao sórdido irmão e líder de Lula, minha ojeriza a ditaduras e a tal amizade não são suficientes para condescender com linchamentos. Isso é somente a aplicação brutal da cruel lei de Talião. O processo complexo e incerto que o país terá de cumprir seria aplainado com o julgamento do ditador, que lhe mostraria aspectos da civilização desprezados por ele e que a própria Líbia parece desconhecer, além de sinalizar para a população que os ciclos de violência terminaram. Significaria subir degraus na escala civilizatória. O vil espetáculo de sua morte chancelou seus torpes métodos. Rebeldes? Rebeldes foram Martin Luther King, Elvis Presley, os zelotes de Massada, Ulisses Guimarães, até Hebe Camargo foi uma rebelde. A turba assassina é apenas a replicação de kadafis. Não é difícil escolher entre defender a civilização, nutrindo a esperança de que suas luzes alcancem lugares primitivos do mundo, o que a Coluna inspira, e agir como os milicianos liderados por Lula que, julgando-se superiores a tudo, abraçam qualquer assassino primitivo inimigo de seus inimigos: prefiro a lucidez otimista e a riqueza sem preço de um caráter íntegro, fico com a grife AN. Um beijo, Valentina.
    Um beijo, Valentina.

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