Os filhos de Lula, Erenice e Nascimento ensinam como fazer para virar milionário usando apenas a carteira de identidade

Aiuri Rebello e Bruno Abbud O Ronaldinho da informática Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, tinha 27 anos em 2003, quando decidiu montar uma produtora de conteúdo digital em parceria com os amigos de infância Fernando e Kalil Bittar, filhos de Jacó Bittar, ex-prefeito de Campinas, conselheiro da Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros) […]

Aiuri Rebello e Bruno Abbud

O Ronaldinho da informática

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, tinha 27 anos em 2003, quando decidiu montar uma produtora de conteúdo digital em parceria com os amigos de infância Fernando e Kalil Bittar, filhos de Jacó Bittar, ex-prefeito de Campinas, conselheiro da Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros) e íntimo de Lula desde a década de 70. No ano seguinte, a Gamecorp foi pinçada do semianonimato e do raquitismo financeiro por uma proposta surpreendente: a Telemar ofereceu R$ 5 milhões para tornar-se sócia minoritária dos três jovens empresários. Com a mediação da consultoria de Antoninho Trevisan, outro velho amigo de Lula, o negócio foi consumado em 2005. A direção da Telemar informou que resolvera investir no diminuto empreendimento baseada em projeções econômicas que não divulgou. E garantiu que só soube que se associara a um filho do então presidente depois de consumado o acerto.

Antes de virar empresário, Lulinha, formado em Ciências Biológicas pela Universidade Paulista (UNIP), ganhava  R$ 600 por mês como monitor do Jardim Zoológico de São Paulo. Em outubro de 2006, numa entrevista concedida à Folha, o pai foi confrontado com a carta de um leitor interessado em saber por que seus filhos, com formação escolar mais sofisticada, não eram tão bem sucedidos quanto o integrante da Primeira Família. “Porque deve haver um milhão de pais reclamando: por que meu filho não é o Ronaldinho? Porque não pode todo mundo ser o Ronaldinho”, comparou Lula. “Eles fizeram um negócio que deu certo. Deu tão certo que até muita gente ficou com inveja”. Na mesma semana, no programa Roda Viva,  o presidente voltou ao tema. “Não posso impedir que ele trabalhe”, defendeu-se. “Vale para o meu filho o que vale para os 190 milhões de brasileiros. Se têm alguma dúvida, acionem ele”.

A Câmara Municipal de Belém, no Pará, já atendera à sugestão do presidente em fevereiro de 2006, quando solicitou à Procuradoria-Geral da República que investigasse Lulinha por suspeita de tráfico de influência. Como a sede da Telemar fica no Rio, a Procuradoria repassou o caso aos procuradores baseados em território fluminense. Em outubro de 2006, o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro pediu a abertura de inquérito à Polícia Federal. Em junho de 2007, contudo, resolveu transferir a missão para o Ministério Público Federal de São Paulo, que abriga a sede da Gamecorp. Em outubro de 2009, os procuradores  paulistas entenderam que cabia ao Superior Tribunal de Justiça decidir quem deve cuidar do assunto.  Em 12 de fevereiro deste ano, a Folha informou que STJ resolvera a pendência: cumpre à 10ª Vara Criminal Federal de São Paulo apurar se Lulinha subiu na vida porque é um Ronaldinho da informática ou porque foi içado pelo sobrenome.

O filho da Casa Civil

A edição de VEJA de 11 de setembro de 2010 revelou que Israel Guerra, 32 anos, filho da ministra Erenice Guerra, amparava-se na influência da chefe da Casa Civil para extorquir propinas de empresários interessados em fechar negócios com o governo. As maracutaias ganharam velocidade em julho de 2009, quando Israel montou com dois sócios a Capital Assessoria e Consultoria, nome oficial da quadrilha formada por parentes e agregados da melhor amiga de Dilma Rousseff. Em abril de 2010, Fábio Baracat, dono de uma empresa de transporte aéreo, pousou em  Brasília para ouvir a proposta do filho da Casa Civil: para contar com a boa vontade da mãe, Baracat teria de pagar R$ 25 mil por mês pela consultoria, mais uma taxa de sucesso de 6% do valor do contrato com o governo.

Baracat conseguiu no mesmo ano um contrato de R$ 84 milhões com os Correios. Só com a taxa de sucesso, Israel embolsou R$ 5 milhões. É uma bolada e tanto, sobretudo para quem tivera de sobreviver com o salário de funcionário público. Em 16 de setembro de 2010, dois dias depois da demissão de Erenice, uma sindicância interna foi instalada na Casa Civil para apurar o escândalo.  As apurações foram concluídas quase quatro meses depois, em 2 de janeiro de 2011. Como não se descobriu nada de errado, ninguém foi punido. Um inquérito aberto pela Polícia Federal ouviu cerca de 60 pessoas. Não tem prazo para terminar.

O Palocci amazonense

O arquiteto Gustavo Morais Pereira, filho do ex-ministro Alfredo Nascimento, tinha 21 anos em 2005, quando se juntou a dois sócios para abrir a construtora Forma Construções, com capital inicial de R$ 60 mil. Em 2006, a empresa declarou R$ 17,7 milhões à Receita Federal. Em 2007, a fortuna cresceu para R$ 52,3 milhões. O aumento de 86.500 % em dois anos, revelado pelo Globo há 10 dias, transformou em coisa de amador o milagre da multiplicação do patrimônio operado por Antonio Palocci.

Desde o nascimento, a empresa construiu um conjunto de 86 casas de alto padrão e um prédio comercial de 20 andares num bairro nobre de Manaus. O Ministério Público Federal investiga desde o ano passado as proezas financeiras de Gustavo. Entrou na alça de mira dos promotores por ter declarado renda incompatível com os ganhos da Forma Construções. Que, por sinal,  também é alvo de investigações, concentradas nos negócios feitos com uma empresa frequentemente irrigada por recursos do Ministério dos Transportes, comandado por Alfredo Nascimento. O pai de Gustavo, demitido por corrupção, ainda não recebeu nenhuma intimação judicial.

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  1. Comentado por:

    Artur Tamaoki mariscai

    A Polícia Federal e Receita Federal , devem ser de total imparcialidade e agir igualmente a todos brasileiros, compondo estas instituições estão as melhores formações acadêmicas e melhores inteligências do país, formados no mínimo como contadores, auditores e administradores de empresas, estes profissionais são capazes de desmascarar quaisquer fantasias ou falcatruas financeiras, porque se fingem de mortos perante todos indícios de enriquecimento ilícitos da família e ligados próximos das famílias de lula e Dilma? Se o lula em seus dois mandatos angariou como presidente da república um salário de 50 mil pór mês , somaria 4.8 milhões de reais e seu filho neste mesmo período 60 mil reais, será que o lula conseguia demonstrar a origem de todos seus recursos sem que haja favorecimento dos órgãos de fiscalizações e vista grossa? Se estes órgãos de fiscalizações são independentes , demonstrem publicamente todas declarações de renda desde o início do mandato do lula, família e próximos até o final de seu mandato com denúncias das juntas comerciais e cartórios de imóveis de todo país.

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  2. Comentado por:

    Fabiano Barreto

    Não existe esperança nenhuma para o Brasil. Se algum dia vier a surgir algum processo que possa ter solução para a trajetória de degradação moral e ética que sustenta a cultura da impunidade em todos os níveis neste amontoado de gente que ainda não tem direito de chamar-se país, vocês podem ter certeza de que ele ainda não começou. E depois que começar só faria efeito depois de cerca de 50 anos, o período necessário para que algumas gerações desaparecessem. Ou seja, até onde posso enxergar o Brasil ainda não existe, é apenas uma obra de ficção. Na verdade o Brasil é uma espécie de “golpe”. A ficção do “país” só existe para servir de fachada para a arrecadação de impostos que deveriam servir para sustentar o serviço público de qualidade, mas do qual mais da metade é roubada. Eu estou indo embora, meus filhos merecem coisa melhor, talvez meus bisnetos possam testemunhar se o Brasil virou país de verdade. O Lula é o mais perfeito retrato do brasileiro. O povo é isso aí mesmo. Um Brasil só se (des)constrói com muitos e muitos Lulas.

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  3. Comentado por:

    Theodomiro Gama Júnior

    O ser humano precisa evoluir seu sentimento de inveja,e combater a sua hipocrisia. Pois, dizer que um pai deixa de ajudar um filho, é uma hipocrisia. Quero que alguém me diga o contrário. Caso seu filho use de uma atitude ilícita para enriquecer desonestamente, a prejudicar o próximo, é uma coisa que deve ser combatida. No contrário, o pai deve sim ajudar seu filho. Abraços do Ttt13.

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  4. Comentado por:

    oswaldo

    A ORIGEM DA ESPÉCIE
    A origem das espécies não tem data,
    Aparecemos não se sabe como,
    Mas,lá atras fomos mono e primata,
    Somos agora do gênero HOMO,
    O homo hábilis, espécie apta,
    Faz qualquer coisa e come como eu como,
    Porém os mais hábeis comem muito mais,
    São políticos matreiros e imorais.
    Certas moléculas de aminoácidos,
    Pequeninas e muito aparentadas
    Se colam de forma íntima,apertadas
    Por fatores ribo-nucleico-ácidos
    Em tais reações químicas ordenadas
    Por sugestão ou por mando tácito
    Que o evento tem por resultado e efeito
    O surgir do GENOMA do sujeito.
    A herança genética aberrante
    Onde na arrumação falta o critério,
    E o cuidado que devia ser constante,
    Na criação se torne despautério
    Que nem a evolução mais atuante
    Cure o mal,o dano e o vitupério.
    Assim é que o ladrão pune a justiça;
    E todo o poder vê, se cala ou atiça.
    Voltando ao genoma por um momento:
    Às combinações dos genes exatas,
    Respondem pelo avanço e aprimoramento,
    Que trouxe o homem vindo dos primatas
    Piorando-lhe a moral e o sentimento,
    Nos animais qualidades inatas
    Erro na escolha dos genes usados,
    Fez surgir a espécie dos aloprados.

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  5. Comentado por:

    João Carlos Saraiva Saraivasa

    O milagre da nultiplicação bilionária

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  6. Comentado por:

    Eunice Santos

    Sou uma simples cidadã brasileira…e sinceramente em alguns momentos sinto-me envergonhada de estar e participar de um Brasil, a onde impera a mentira,a corrupção e principalmente a falta de visão de uma nação que não quer enxergar a triste realidade que estamos vivendo durante longos anos.Um Brasil de ontem e de hoje com juros absurdos,escândalo e mais escândalos a onde algumas pessoas do poder publico enriquecem de um dia para o outro e ficam impunes.E o pior disso tudo e o tal jeitinho brasileiro…a onde tudo se promete e nada se cumpre.E o pior de tudo,por mediocridade acreditamos numa falsa verdade.

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  7. Comentado por:

    teixeira

    Pelos recentes acontecimentos envolvendo a esfera federal, se pode deduzir que onde a imprensa é menos influente, talvez por ser regionalista também mais fácil de ser “cooptada” ou desenvolver laços com o poder político e pronto, não sai mais nada. Vejam a questão do desmatamento na amazônia, distribuida entre os governos da região norte, que nunca parece protestaram, nem questionaram nem levantaram CPIs. Com certeza nas prefeituras se poderia também estar acontecendo , vereadores se revezando como secretários e assim partidos políticos e poder executivo contraindo “enlaces matrimoniais” até que “a morte os separe”. É claro que a esfera federal deve continuar estando sob rigoroso controle das instituições próprias do poder judiciário, mas também a imprensa não pode se descuidar. “Cooptar” membros de um poder é possível, como ficou demonstrado nos escândalos do mensalão, do petrolão e agora da Petrobrás no Lava Jato. E se é possível em nível federal com certeza a mesma possibilidade deve existir nas esferas estaduais, daí os rombos que também existem nos estados e prefeituras. Alguma coisa deve existir de concreto.

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