Cora Rónai: A caminho do brejo

Um país vai para o brejo quando políticos lutam por cargos em secretarias e ministérios não porque tenham qualquer relação com a área, mas porque secretarias e ministérios têm verbas

Publicado no Globo

Um país não vai para o brejo de um momento para o outro — como se viesse andando na estradinha, qual vaca, cruzasse uma cancela e, de repente, saísse do barro firme e embrenhasse pela lama. Um país vai para o brejo aos poucos, construindo a sua desgraça ponto por ponto, um tanto de corrupção aqui, um tanto de demagogia ali, safadeza e impunidade de mãos dadas. Há sinais constantes de perigo, há abundantes evidências de crime por toda a parte, mas a sociedade dá de ombros, vencida pela inércia e pela audácia dos canalhas.

Aquelas alegres viagens do então governador Sérgio Cabral, por exemplo, aquele constante ir e vir de helicópteros. Aquela paixão do Lula pelos jatinhos. Aquelas comitivas imensas da Dilma, hospedando-se em hotéis de luxo. Aquele aeroporto do Aécio, tão bem localizado. Aqueles jantares do Cunha. Aqueles planos de saúde, aqueles auxílios moradia, aqueles carros oficiais. Aquelas frotas sempre renovadas, sem que se saiba direito o que acontece com as antigas. Aqueles votos secretos. Aquelas verbas para “exercício do mandato”. Aquelas obras que não acabam nunca. Aqueles estádios da Copa. Aqueles superfaturamentos. Aquelas residências oficiais. Aquelas ajudas de custo. Aquelas aposentadorias. Aquelas vigas da perimetral. Aquelas diretorias da Petrobras.

A lista não acaba.

Um país vai para o brejo quando políticos lutam por cargos em secretarias e ministérios não porque tenham qualquer relação com a área, mas porque secretarias e ministérios têm verbas — e isso é noticiado como fato corriqueiro da vida pública.

Um país vai para o brejo quando representantes do povo deixam de ser povo assim que são eleitos, quando se criam castas intocáveis no serviço público, quando esses brâmanes acreditam que não precisam prestar contas a ninguém — e isso é aceito como normal por todo mundo.

Um país vai para o brejo quando as suas escolas e os seus hospitais públicos são igualmente ruins, e quando os seus cidadãos perdem a segurança para andar nas ruas, seja por medo de bandido, seja por medo de polícia.

Um país vai para o brejo quando não protege os seus cidadãos, não paga aos seus servidores, esfola quem tem contracheque e dá isenção fiscal a quem não precisa.

Um país vai para o brejo quando os seus poderosos têm direito a foro privilegiado.

Um país vai para o brejo quando se divide, e quando os seus habitantes passam a se odiar uns aos outros; um país vai para o brejo quando despenca nos índices de educação, mas a sua população nem repara porque está muito ocupada se ofendendo mutuamente nas redes sociais.

Comentários
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  1. Comentado por:

    Rita

    Texto perfeito!Que tal publicá-lo em todos os outdoors do país? Isso será ainda mais perfeito!!

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  2. Comentado por:

    Adilson Nagamine CG.brejolandia

    Brejolandia Braziuu. A culpa é dos outros. Sempre os outros. Mas agora vai mudar. A datafoia já apontou a solução. Melancia presidente! Com o maridão petralha cara de mogno com a laudato aí do bergoglio vai acabar com o brejo. Já a Odebrecht não vai delatar os colombianos. Não faça do microondas uma arma.
    Adilson Nagamine de CG

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  3. Comentado por:

    Adelu

    Resumindo, o Brasil já chegou lá. Viva o Brasil.

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  4. Comentado por:

    Antonio Renovável

    Perfeito o comentário, mas faltaram dois:
    Um País vai pro brejo, quando um delinquente, corrupto que levou esse País para o brejo, ainda aparece com 38% de intenções de voto.
    Um País vai pro brejo quando ainda tem eleitor desse nível: CEGO E ESTUPIDO.

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  5. Comentado por:

    Max Antônio

    Um país vai pro brejo quando as “vacas” da incompetência não encontram os “touros” necessários para dar-lhes o sustento de uma boa ração. Neste mundo político brasileiro só vale a salvação da própria pele,cujos interesses não alcançam a população e muito menos o dever à Ordem e ao Progresso. Falta seriedade e vergonha na cara desta classe que está infernizando a vida do brasileiro. Enfim, o Brasil caminha a passos largos rumo ao brejal. Depois vem o Inferno, cujo chefe ninguém quer ver.

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  6. Comentado por:

    Veron

    Um país vai para o brejal quando um juiz ilibado é desacatado descaradamente por um grupelho de ‘adevogádus’ (com as costas e contas quentes pelo próprio criminoso — e asseclas — que os paga com o dinheiro roubado da Nação) em pleno tribunal onde a Justiça tem de estar firme. Um país vai pro brejal quando um ladrão e seus comparsas pagam com dinheiro roubado uma ‘pesquisa’ para botar ‘no topo’ ou ‘no cargo’ um criminoso em situação de imensa repulsa pela população. Um país vai pro buraco quando escolas são invadidas por canalhas, e quando nelas transitam a pior escória, elementos fantasiados por rótulos embusteiros com o fito de prejudicar não só os estudantes, mas todos os cidadãos, porque os principais criminosos acham que nas escolas podem tocar o terror no país e vergar a Justiça e a Lei e a Constituição.
    Um país se afunda no breu quando os carrinhos-de-bebê levam cachorrinhos e sacos de drogas, quando os ‘alçapões divinos’ formatam fiéis em ‘manos’; quando se levantam ‘poleiro de pombos’ pro povo e ‘entregam’ como ‘casas’ já com ‘porteira fechada’ e as ‘firmas’ de ‘segurança’ e os ‘consêlhos’ clandestinos vigiam e torturam os habitantes.
    Um país vai pro brejo quando as revistas têm receio de publicar os comentários mais realistas do que o povo vê.
    Um país vai pro brejo quando uma funcionário de um corrupto pega 12 anos de cadeia e o chefeta lulladrão debocha do povo e olha o presidente como um ‘bun*ão’ e intimida a PF com sua quadrilha e seus ‘sindicatos-criminosos’.

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  7. Comentado por:

    Pc

    Brilhante! O País já está no brejo, Chegou o Natal, depois Ano novo, Carnaval, Semana Santa, que de Santa não tem nada, logo em seguida fastas Nordestina, feriados, feriados, e tome churrasco e cerveja….as sobras dessas alegrias vão formando a lama do BREJO.

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  8. Comentado por:

    Susca

    Pois é, e nosso país já foi para o brejo faz tempo. Tudo o que está escrito acima aconteceu e ainda acontece nesse nosso Brasil, quem nem mais está dormindo deitado em berço esplêndido; está sim na UTI agonizando enquanto muitos tentam tirar os tubos que ainda o mantém vivo. E a corrupção desenfreada, a luta por poder e dinheiro, é tão nefasta quanto o ódio que 13 anos de desgoverno lulo-petista plantou no coração do povo (o “nós contra eles”). Dias de escuridão, de trevas…oremos por nosso país.

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  9. Comentado por:

    Jose Magalhaes

    Numa Ditadura, o Governo fica com 100 % da Riqueza. Numa Democracia, 15 %. Aqui, já está ficando com perto de 50 %. Estamos numa Democradura, ou Ditacracia.

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  10. Comentado por:

    Oliver

    É MESMO ?
    Pois eu acho que um país vai para o brejo quando é vítima de um golpe vagabundo de esquerda e ninguém põe na lista. Eaí ?

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  11. Comentado por:

    Santos

    Faltou acrescentar que vai para o brejo também a população que além de passarem o tempo se ofendendo mutuamente, também comportam-se como torcida organizada na base do nós contra eles, defendendo políticos e partidos indefensáveis e no momento do voto, vota nos sujeitos recomendados por amigos ou regularmente em “excelências” pouco recomendados com uma lista de enrosco imensa e até com processos na justiça, amigo do amigo, famosos porque são famosos, bonitinhos ou engraçadinhos, por dever favores ou por achar que vai receber favores (aí não adianta protestar contra a corrupção já que não veem nada de mais em seus pleitos) e nesta entra muita gente que vai a protestos e se mostra indignado com este estado de coisas mas no dia da eleição, vai para a praia ou mesmo nem sai de casa preferindo pagar a multa pois acha que está protestando. Estes últimos talvez sejam os piores pois enxergam na omissão uma grandeza, um caráter político e aí tome os picaretas tomando o poder. Dúvidas? É só ver o que aconteceu no Rio de Janeiro.

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  12. Comentado por:

    HIGÉIA de ESCULÁPIO

    Há somente duas maneiras de tirar o País deste brejo tão lamacento:
    1-O povo,democraticamente e nas ruas,exigir mudanças bem radicais!,ou
    2-Pagar o preço!

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  13. Comentado por:

    wilsonX

    Ótimo o artigo da sra. Cora. Vou passar a acompanhá-la no Globo. Mas, e daí? Como sair desse brejo? Agora mesmo as pesquisas indicam que o povo é contra a limitação dos gastos públicos; que é contra a reforma da previdência que, por sinal, todas as charges publicadas reforçam com a mensagem que o sujeito só vai poder se aposentar depois de morto. Mais, até agora não se falou um pingo sobre as incríveis mordomias e os seus custos. Ontem mesmo, aqui em Brasília, ao atravessar uma rua, parou no sinal um reluzente carro preto, Ford Fusion, com uma placa de bronze onde se lia algo como “Corregedor Geral do MPDFT (ministério público do distrito federal e territórios). Ainda não demos conta, mas Isso também não é abuso de autoridade? Abuso no uso pessoal dos recursos públicos? Gostaria, se tivesse capacidade para tanto, de propor aos cidadãos decentes que iniciássemos uma reação a isso, como exemplo da nossa indignação.

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  14. Comentado por:

    ‘martins

    Excelente a reflexão da Cora Rónai, e é inspirado nesta reflexão que também vou fazer o meu desabafo e catarse para ver se também não atolo junto no brejo qui nem os bovinos.
    Um país vai pro brejo quando a MAIOR PARTE de sua população não sabe porque o seu país está indo pro brejo.
    Um país vai pro brejo quando a MAIOR PARTE de sua população aprende a detestar os políticos que administra o seu país, mas continua elegendo-os como se fossem homens santos e sábios.
    Um país vai pro brejo quando a MAIOR PARTE de sua população que detesta os políticos que continuam elegendo mesmo sabendo de todas as suas reais intenções na administração publica, mas esperam ser beneficiados por este estado administrado por esses políticos. detestados.
    Um país vai pro brejo quando a MAIOR PARTE da sua população acredita e deseja na continuação do modelo e sistema de estado construído pelos políticos eleitos continuamente por seus eleitores que os detesta, mas que no fundo também desejam ser esses seres privilegiados por este estado assistencialista e protetor, pois no fundo invejam os privilégios criados pelos políticos para si mesmos, pois entendem que os políticos ao criaram o poder de se auto beneficiar legislando em causa própria, eles devem por isso mesmo também beneficiar a população criando privilégios e direitos para si mesmas.
    Um país vai pro brejo quando a MAIOR PARTE de sua população não consegue ver um palmo à frente de seu próprio nariz de que toda a desgraça de seu país esta acima de tudo nos seus próprios desejos e anseios de querer privilégios e direitos sem ao minimo se questionar quem vai PAGAR A CONTA.
    Um país vai pro brejo quando a MAIOR PARTE de sua população acha e acredita que a historia lhe deve e de que é credora de um monte de direitos, sem se questionar ao menos que também faz parte da parte que deve, pois na medida que acredita que ao nascer o mundo lhe deve, assim também ao nascer também já nasce devendo para os outros que acha que o mundo lhe deve.
    Eu não quero fazer parte destes bovinos que vai pro brejo, deus me livre!
    Sou livre demais para ir para o brejo.

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  15. Comentado por:

    Gaudério

    Parabéns à Cora pelo excelente texto e ao grande Augusto pelas escolhas no “Opinião”. Parece que Augusto, Cora e principalmente Fernão estão colocando finalmente o dedo na ferida que infecciona toda a Nação. Estou nesse time.

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  16. Comentado por:

    Neto

    É por isso que o nosso país se encontra na situação em que está. As pessoas que tinham por missão gerenciar o Estado, pelo jeito são da pior espécie possível, porque sempre buscaram o favorecimento pessoal e nunca o bem comum. Agora chegamos a esta situação praticamente insustentável, onde, os maiores prejuízos serão suportados pelos que mais precisam.

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  17. Comentado por:

    nena

    Muito bom!

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  18. Comentado por:

    Rodrigues

    Como diz o Reinaldo Azevedo, essa gente não aprende nada e esquece tudo, quem vive preocupado com pesquisa do datafolha não aprendeu ainda que esses institutos alem de não ter credibilidade, já provaram que são tendenciosos, ideológicos e incompetentes, além disso, como ficar enchendo a bola desses esquerdistas oportunistas, ainda não percebeu que a pelegada que apóia Marina e Lula são sempre os mesmos e que não passam hoje de 25%? Não importa o que eles são e fazem. Vejam que eles já começam com esse índice, o povo que raciocina nem sequer opina a esta altura dos pleitos, até mesmo porque não são otários para ficar subsidiando a folha para vender noticias as custas de mentiras ou opiniões precipitadas. 75% dos eleitores conscientes, na hora certa vão mostrar para o mundo que mais da metade do nosso povo não são aliados de corruptos e vão votar certo, mesmo que havendo a possibilidade de ser enganados, mas, nunca repetindo o mesmo erro.

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  19. Comentado por:

    Pedro

    Um País Vai Para O Brejo Quando…
    6.000 Malas Do Taboão Da Serra SP
    E Embu Das Artes SP, Abastecem Seus Carros,
    Gratuitamente, Nos Postos Do PCC, Para
    Levarem O Caos Na Cidade De São Paulo,
    Nos Horários De Pico…
    Criam Congestionamento Proposital…
    Pura Vagabundice Do Crime…
    Com Total Apoio Da CET E SPTRANS…
    De Um Lado Cobram 750,00 (Rifa)
    Mensais De Cada Integrante, Do
    Outro Lado Deixam 6.000 Vagabundos
    Com Direito A Um Tanque Cheio Por
    Semana Gratuitamente, Para Espalhar O Caos..

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  20. Comentado por:

    ARARENSE

    Lastimável, mas muito bem escrito. Parabéns!!

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  21. Comentado por:

    Pietro

    Cora, Augusto e colegas…
    sinto em dizer mas, pelas premissas da Cora, o pais ja’ FOI para o brejo

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  22. Comentado por:

    Marco Aurélio Águila Lima

    Perfeito, Cora, perfeito…
    Seria preciso realmente se tirar o foco de tanta cortina de fumaça, e olhar o q realmente está acontecendo à vista de todos, mas poucos querem encarar…
    Nossa falta de discernimento para encararmos nossa (falta de) responsabilidade em aceitar essa eterna “casta de brâmanes” a nos sugar a vida e o fruto do nosso trabalho. Ao invés de nos unirmos contra isso tudo, vivemos como se estivéssemos eternamente num estádio de futebol, sempre tuitando e assistindo novela em celulares.

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  23. Comentado por:

    Huni

    O temer é tão burro que não vê que a única prisão que pode amainar o povo é a prisão do lullarápio. Enquanto o criminozinho mentiroso fica solto e debochando da Justiça e das leis, o temer é tido como FROUXO, e por muitos como comparsa(porque fica patente a dúvida do rabo-preso). Deixar o lullarápio solto é manter o país sob tortura por um criminoso que lesou a Educação, a Saúde, e os cofres públicos; e atormenta nosso viver todo dia ‘incendiando’ as cidades,os bairros, e a política.

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  24. Comentado por:

    Eu

    Cansei. Adeus.

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  25. Comentado por:

    Marco Aurélio Águila Lima

    E qto ao jornalista citado em seu texto, sabemos todos de quem se trata, e trata-se tão somente de uma aguda crise de abstinência dos holofotes q estavam sobre ele, e q agora o frusta por enxergá-los em cima da Lavajato.
    Qto a esse, simplesmente ignoro-o e o leio mais, e deixo-o com seu pretenso monopólio da “razão amparada na lei”. Triste…

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  26. Comentado por:

    Pablo

    Parabéns pela belíssima publicação pena que nem todos pensem mais no um todo no país do que em si. Só aumentaria o seguinte frase,( Um país vai para o brejo quando o governo seguinte faz igual o pior que o antecessor ) Mas mais uma vez parabéns.

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  27. Comentado por:

    Eliporto

    Toda vaca que se preza vai para o brejo sozinha, mas precisa da ajuda do dono para sair dali. Acredito, considerando os exemplos de perigo dados pela jornalista Cora Rónai, que o Brasil já foi para o brejo faz tempo, e com muito gosto. Só isso explica o fato de termos meio que perdido a capacidade de se indignar, ou talvez a falta de tempo de, dada a quantidade diária de sujeira que brota dos esgotos da República. Deitado eternamente em brejo esplêndido o povo espera, como a vaca, pela ajuda do “dono”, representado por aqueles que, nas palavras da jornalista, deixaram de ser povo tão logo se acomodaram em salas suntuosas, refrigeradas, e servidos por uma multidão de aspones. A vaca-brasil terá que sair do atoleiro com as próprias pernas, e, a exemplo de outros países que já estiveram lá, no momento em que parar de ver o outro como um oponente a ser vencido e juntar forças para varrer do mapa os dinossauros e suas formas carcomidas de fazer política que infestam Brasília, ancoradas não no serviço do bem comum, mas na garantia de um futuro glorioso para as suas gerações de perdedores.

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  28. Comentado por:

    G Carvalho

    Governo E Administração — Curso 101 (Cont.)
    Que belo texto! Considera-se um país bem ancorado no brejo uma cleptocracia madura, parruda e rubicunda. Mesmo em se tratando de regimes cleptocráticos, registra-se gradação. Alguns regimes dessa natureza são mais corruptos do que outros. O que todos os regimes cleptocráticos têm em comum é o aparelhamento do Estado com o propósito de permitir o peculato em escala industrial, prática baseada no cálculo político da impunidade.
    O modelo ideal de cleptocracia, que é o governo aparelhado por ladrões visando ao benefício exclusivo deles mesmos,
    contempla o partido único, ou um partido dominante cercado de grupos de interesse fantasiados de legendas políticas de aluguel. Contempla ainda a elegante compilação de besteiras que possa funcionar como ideologia partidária, apta a justificar o controle absoluto dos meios de comunicação, a milicianização das forças armadas e o estabelecimento da notória polícia de quarteirão, capaz de inibir qualquer veleidade de pensamento autônomo, monopólio do Partidão.
    Jugular o Judiciário é a iniciativa mais óbvia e barata de qualquer regime cleptocrático. Nada melhor para os cleptcratas que uma caricatura da Justiça, com seus conhecidos tribunais de cangurus.
    No presidencialismo cleptocrático, partidos únicos, ou partidos dominantes associados com legendas políticas de araque, prostituem imediatamente o Poder Legislativo, recorrendo à promiscuidade institucional. Em outras palavras, se você é um senador ávido por uma boquinha no Poder Executivo, tratará de obter uma licença do Senado Federal, a fim de trocar temporariamente de barco. Não se fala em renúncia obrigatória ao mandato legislativo, como exigem repúblicas mais avessas à promiscuidade entre Poderes, certas de que é impossível servir decentemente a dois senhores.

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  29. Comentado por:

    criatura nojenta

    análise mais que perfeita!

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  30. Comentado por:

    Craibrosnnery

    Dentre os atributos da gestão executiva que assolou meu país nos últimos quadriênios, um dos mais destacados foi a divisão nacional. O maior Cafajeste da nossa história sempre fez questão de reforçar o “nós” contra “eles”. Coisa de gente pequena, de mente obtusa, de alma acostumada com a lama. Não é propriedade exclusiva sua, porém. “Uma andorinha somente não faz verão”, mas uma grande leva de abutres e outros rapinantes destroem uma sociedade. Outra característica que a ameaça de justiça agora começa a quebrantar em alguns é o extremo deboche. Deboche total. E ser debochado é algo de que o alvo do deboche não esquece e não perdoa.

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  31. Comentado por:

    Jackson Toledo

    Parabéns Augusto.Aplaudo de pé.É texto para se colocar em quadro emoldurado.
    Caro leitor, o texto é de autoria de Cora Rónai. Um grande abraço. Victor.

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  32. Comentado por:

    Emile Dickinson

    Este ai, como diz o Jackson Toledo, antes de mim, “é texto para se colocar em quadro emoldurado.”

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  33. Comentado por:

    maya

    Desculpa Cora Rónai não concordo com medo de policia,só tem medo de polícia quem é bandido.
    O resto está impecável.

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  34. Comentado por:

    kafka

    Um país vai para o brejo quando um indivíduo como o ministro Toffoli, do STF é entrevistado por uma importante empresa de televisão, diz um monte de barbaridades e nem fica vermelho. Como é que um cara que SEMPRE FOI REPROVADO em concurso para Juiz de primeira intrância pode chegar ao Supremo? Vocês já imaginaram alguém que jamais conseguiu ser cabo-de-Esquadra, de repente possa ser “nomeado” Almirante? Dizem que o Apedeuta, na juventude, desejava ser sargento do Exército. Como não tinha cursado o Fundamental, não possuía escolaridade mínima, foi rejeitado. Foi ser metalúrgico, sindicalista e político. Pois aquele que não poderia ser sargento, através da política e do voto, tornou-se Comandante-em-Chefe de todas as Forças Armadas. Se alguém contar esta “estória” em Portugal, os “patrícios” morrerão de rir e dirão que isso aconteceu em Banânia…

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  35. Comentado por:

    Armando Masseron

    Augusto, texto magnífico. Parabéns a Cora por escrevê-lo, parabéns a você por publicá-lo. Abc

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  36. Comentado por:

    Jose Augusto

    Um país vai para o brejo quando o povo esquece que ele é o governo….
    Um país vai para o brejo quando pensa que Governo é uma entidade que não faz parte do mundo dele e então so se lembra de reclamar ou atuar quando o Governo vem para mexer (retirar) nos R$ do seu bolso….
    Um país vai para o Brejo quando povo NÃO SABE VOTAR. E FICA ELEGENDO SEMPRE OS MESMOS BANDIDOS.
    Um país vai para o brejo quando o seu povo tem em sua índole o senso de “sacanear os outros” e não liga em ser sacaneado pelos “Camelos Políticos”; “Populistas” ….. BANDIDOS do povo.

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  37. Comentado por:

    Netho

    Um país vai para o brejo…quando o governante perde a legitimidade social que lhe conferiria autoridade e confiabilidade para exercer a governança.
    Dilma não teria sofrido o impedimento, caso a economia andasse bem das pernas e sua popularidade repousasse em patamares toleráveis; independentemente de ser uma neófita desprovida dos recursos essenciais à liderança do país.
    Temer perdeu a já baixa legitimidade de que dispunha, até porque integrava o governo fracassado de Dilma, e não tem como sustentar o comando do país, após as denúncias que vieram à tona e que estão por vir.
    O país precisa, rápido, de eleições diretas, pelo menos, a presidencial. Não é a panacéia, mas o ‘primeiro passo’ indispensável à governabilidade.
    Há supostos especialistas em direito eleitoral e constitucional que justificam a impossibilidade, sob o falso pretexto de que a antecipação de eleições seria inconstitucional, por ser o voto ‘periódico’ uma ‘cláusula pétrea’.
    Vejamos as cláusulas pétreas e saber-se-á que é, perfeitamente constitucional, a antecipação de eleições gerais, sejam as presidenciais, sejam as constitucionais. Caso impossível fosse, não haveria o instituto da ‘reeleição’.
    Não se pode discutir, muito menos cogitar a modificação do sistema de voto direto, onde cada cidadão devidamente alistado tem direito a voto. Além de ser direto, este deverá sempre ser secreto (o cidadão tem o direito de não revelar o seu voto, evitando assim perseguições políticas ou qualquer outra coerção). Além de secreto, deve ser universal, ou seja, todos os brasileiros, natos ou naturalizados têm a oportunidade de se alistar e votar, a menos que se encaixem em certos casos previstos no artigo 14 da Carta Magna. Deve este voto ser ainda periódico, ou seja, o cidadão deve ter a oportunidade de votar de tempos em tempos. Assim, qualquer proposta de modificação do voto que não inclua essas características é passível de discussão e modificação, como por exemplo, o voto obrigatório ou o voto distrital. No ponto, trata-se o termo ‘periódico’, do imperativo do cidadão votar de tempos em tempos, exatamente para garantir a ‘alternância’ do poder.
    Portanto, com ou sem renúncia do presidente, sua raquítica legitimidade (as pesquisas eleitorais demonstram que Temer está com o mesmo nível de aprovação governamental que Dilma no seu pior momento pré-impeachmen) ora impõe a realização de eleições diretas, com fulcro em uma emenda constitucional.
    Como os presidenciáveis não poderão fugir do crivo da Lava Jato, certamente só chegarão a bom termo os que passarem pelo teste “Odebrecht”.
    Os presidenciáveis também não poderão evitar os temas cruciais, porque sabem que não tem mais como prometer o que não conseguirão entregar.
    Não é possível solucionar as grandes questões nacionais dentro do ‘puxadinho do Renan’ e em ‘conchavos no Jaburu’.

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  38. Comentado por:

    Pai Zeco

    O país está a caminho do brejo porque tem povo omisso e conivente. Texto sensacional pela simplicidade das colocações evidentes e desprezadas pela grande maioria da população.

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  39. Comentado por:

    ga

    Isso mesmo Augusto. De tanto andar pelos lados do brejo acabou atolado.

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  40. Comentado por:

    G Carvalho

    Votos De Boas Festas
    Caro Augusto, apesar do dia muito atarefado, arrumei uns minutos para elogiar o artigo da Cora Rónai. Como sempre, procurei recapitular alguns conceitos relacionados com o brejo e a cleptocracia. Parece que o texto se perdeu, dissolvendo-se no ar rarefeito, coisa excepcional nesta coluna, devo reconhecer. Seja como for, valho-me da oportunidade para desejar a você, sua família e equipe um 2017 bem melhor que o corrente ano.
    Foi publicado, caro leitor. Abraços e boas festas! Victor.

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  41. Comentado por:

    jose luiz

    Não me lembro de um resumo tão verdadeiro dessa catástrofe que nos tornamos. Temos que nos dar tapa na cara pra acordarmos. O tempo urge. Teremos coragem? Sim.

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  42. Comentado por:

    CARLOS ALBERTO CASTRO MARTINS

    Um país vai para o brejo quando 100% dos assassinos desviam verbas dos hospitais, educação etc…etc…. matando muito mais que Fernandinho Beira Mar, Elias Maluco, Marcola – (esses pelo menos são fieis aos seus páreas) – Hitler. que Fidel, etc….(não se mata só com arma de fogo ou arma branca) os assassinos mais cruéis são os políticos brasileiros.
    Carlos

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  43. Wanda Dias de Campos

    Augusto, Cora, bom dia. Este texto, reflete o Nós contra Eles, a ânsia pelo poder, a corrupção, o favoritísmo, e o politicamente correto exarcebado, que vimos durante esses treze anos de pt. Muito bom, parabéns. Um abraço.

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  44. Holyah er-Maled Said

    Um país vai para o brejo quando o Contribuinte paga aposentadoria intergral para criminoso indultado por crimiinosa, ainda agindo nas rêdes sociais com total destemor. Fica claro que estamos tratando do bandido ZÉ GENUINO!

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  45. Marcos MOraes

    Rudimentar…

    MAM

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  46. MARIA SELMA DA SILVA Roch

    É só lembrar do amigo do cangaceiro, que virou ministro do turismo! Uns caras que quebraram e tem surrupiado o pobre estado de AL, tem algo de bom a oferecer pra nação?

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  47. Agora é coaxar e comer insetos!
    Este texto mais o comentário do Martins 11:06 deveriam ser incluídos nos relatos históricos desses
    tempos brejisticos.

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  48. Um país vai para o brejo quando sua Lei Maior é a Lei de Gerson : é preciso levar vantagem sempre. E aí, os ídolos do povão são exatamente os que aí estão, levando o Brasil para o brejo, com voto é consentimento dos espertos. Então que vá de uma vez, já que é isso que o povo quer. É Ou não é ? 😮

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