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Wall Street está em alerta com queda de gigantes da tecnologia

Dependência do mercado de ações de tecnologia e as mega capitalizações estão trazendo à tona comparações com a bolha das "pontocom" de 2000

Por Luana Meneghetti Atualizado em 20 jan 2022, 16h38 - Publicado em 20 jan 2022, 16h28

As gigantes da tecnologia – Apple, Microsoft, Google, Amazon e Facebook – já foram responsáveis por sustentar os ganhos das principais bolsas de Nova York. As big techs alavancaram Wall Street, que chegou a atingir recordes quando o mundo e diversos negócios eram duramente afetados no auge da pandemia. Mas essas empresas, agora, enfrentam um momento de queda livre em seus papéis, o que tem colocado o centro financeiro dos Estados Unidos em alerta, principalmente pelo enorme peso delas na composição dos principais índices do mercado.

O pregão da quarta-feira, 19, foi marcado por diversas quedas nos principais índices. Pressionado pela derrocada de Apple, Tesla e Amazon, o Nasdaq Composite, focado em tecnologia, recuou 1,15% na sessão. O S&P Information Technology caiu 10% em relação à máxima, com a Apple, empresa de maior peso na composição, decaindo abaixo de sua média móvel pela primeira vez desde outubro. O S&P 500, por sua vez, afundou 6%. Esse movimento de declínio, inclusive, já vem sendo observado desde o final do ano após o Federal Reserve, o banco central americano, acenar uma postura mais hawkish com a elevação dos juros e a retirada dos estímulos em uma tentativa de controlar a inflação no país.

De acordo com o serviço de análise para o mercado financeiro Seeking Alpha, a dependência do mercado de ações de tecnologia e as mega capitalizações estão trazendo à tona comparações com a bolha especulativa das “pontocom”, que ocorreu de 1994 a 2000. Mais de 50% da composição da Nasdaq é formada por empresas de tecnologia. A bolsa de valores de Nova York, a Nyse, também tem se tornado um verdadeiro ponto de encontro para as techs. Nos últimos cinco anos, a Nyse listou 72% das aberturas de capital do setor. Os investidores do S&P 500 também estão cada vez mais dependente das big techs. As cinco gigantes representam 18% do índice que engloba as 500 principais empresas americanas de capital aberto. “Se essas ações de alta valorização falirem, os setores de menor peso terão muita dificuldade em recuperar a folga”, alerta Seeking Alpha, em relatório. O Morgan Stanley também tem demonstrado preocupação, comparando os resultados do S&P 500 com a da bolha tecnológica que estourou em 2000.

De acordo com a Seeking Alpha e os especialistas entrevistados por VEJA, a venda das ações de tecnologia estão atreladas à política monetária dos Estados Unidos, que vem refletindo em um rápido aumento nos rendimentos do Tesouro.  “O rendimento real do Tesouro de 10 anos, medido pelos títulos protegidos pela inflação, está 40 pontos base acima de onde encerrou 2021”, aponta o relatório da Seeking Alpha. O banco de investimento americano Stifel já precifica uma queda no S&P 500 para 4.200 pontos no primeiro trimestre deste ano com o impacto da elevação dos rendimentos do Tesouro.

Segundo Thiago Lobão, CEO da Catarina Capital, a inflação é um evento atípico para os americanos e os investidores estão apreensivos com os efeitos da adoção das políticas monetárias no mercado acionário. “Esse cenário tem motivado uma rotação dos investidores”, comenta sobre os fatores atrelados ao movimento de queda das ações de tecnologia. A alta dos juros também tem levado investidores a migrar para empresas tradicionais, renda fixa e mercados emergentes.

Apesar do cenário preocupante, as casas de análise entrevistadas por VEJA descartam qualquer semelhança com a bolha das “pontocom”. Segundo Lobão, da Catarina Capital, a realidade era outra nos anos 2000, quando as companhias do setor eram deficitárias e não geravam caixas. A Bolha da Internet, como também ficou conhecida, teve seu início em 1994 e se caracterizou pela alta valorização das ações das empresas de tecnologia, que acabaram despencando nos anos 2000, o que levou muitas a quebrarem.

O analista chefe da Valor investimentos, Breno Bonani, também destaca que as valorizações das ações de tecnologia não aconteceram em um curto período como no caso da bolha das pontocom. “A valorização desses papéis já vem acontecendo há mais de 10 anos, começou no pós-crise de 2008 se intensificou de 2010 para frente”, diz. Além disso, o mundo atual e as perspectivas para o futuro são cada vez mais dependentes da tecnologia, tornando essas empresas promissoras, dado a importância que elas desempenham e ainda vão desempenhar na sociedade. Segundo Flávio de Oliveira, chefe de Renda Variável da Zahl Investimentos, o setor hoje é bastante consolidado com empresas sólidas e com crescimento provado nos últimos anos. Ainda assim, Wall Street segue em alerta com as recentes movimentações do setor.

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