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Vendas de móveis e eletros melhoram, mas não voltam ao nível pré-crise

Mesmo tendo registrado um aumento na produção de 4% nos últimos 12 meses, a indústria de móveis prevê que o setor se recupera da crise apenas em 2022

As vendas do comércio varejista começaram o ano em alta. No acumulado dos últimos 12 meses encerrados em janeiro, os setores de eletrodomésticos e móveis estavam entre os que mais se destacaram. Esse desempenho, na avaliação de Fátima Merlin, CEO da Connect Shopper, pode ser explicada pela queda que essas categorias tiveram em anos anteriores. “Os bens duráveis foram os que mais sofreram com a crise. A retomada agora não repõe as perdas do passado”, afirma a especialista em comportamento do consumidor. “A recuperação de tudo que foi perdido deve começar mesmo em 2019.”

Silvio Laban, coordenador de marketing do Insper, diz que o nível de consumo ainda está bem inferior ao período pré-crise. “Tivemos bons resultados neste começo de ano, mas ainda vai demorar para voltar ao desempenho de 2014. O que foi perdido leva-se tempo para recuperar. O consumidor adquiriu novos hábitos na crise e não vai se desapegar deles tão rapidamente. Alguns trocaram de marca, outros passaram a fazer compras com frequência menor.”

Mesmo tendo registrado um aumento na produção de 4% nos últimos 12 meses, a indústria de móveis está cautelosa em relação ao futuro. O setor acredita que vai se recuperar da crise apenas em 2022. “Tivemos um período muito difícil, com fechamento de empresas, redução de emprego. O segmento de móveis populares foi o que mais sofreu”, conta Daniel Lutz, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Mobiliário.

A Via Varejo – dona das marcas Pontofrio, Extra e Casas Bahia – já sentiu a retomada das vendas eletrodomésticos, móveis e outros itens, como telefonia, em 2017. No caso dos móveis, a recuperação é importante, já que o grupo possui uma fábrica (Móveis Bartira). “Reinventamos nosso processo de venda online, fazendo a integração entre o mundo físico e online por meio da realidade virtual e aumentada. O consumidor consegue ver os móveis no ambiente da loja e depois como eles ficam na casa dele por meio da realidade virtual”, afirma Paulo Naliato, diretor executivo de vendas da Via Varejo.

O desempenho do setor de eletrodomésticos e eletrônicos deve ser beneficiado neste ano pela Copa da Rússia. A expectativa é que as pessoas comprem novas TVs para assistir aos jogos em casa. A associação brasileira da indústria de eletroeletrônicos (Eletros) prevê que serão vendidos 12,5 milhões de aparelhos de TV em 2018. O número está abaixo das 14,993 milhões de unidades de 2014, mas acima das 9,9 milhões de 2015 e 8,4 milhões de 2016. No ano passado, foram vendidos 11,4 milhões de aparelhos.

“Quando voltamos para o nível de 2014? A qualquer momento, desde que haja disponibilidade financeira. As pessoas trocam produtos que ficam mais à vista, como a TV. Ela fica na sala, o consumidor assiste a programas com amigos”, afirma Lourival Kiçula, presidente da Eletros.

Comentários

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  1. Flavio Oliveira Melo

    A escalada dos preços da energia elétrica e da gasolina, acima da inflação, tem corroído o orçamento das famílias brasileiras, apesar do aumento da massa salarial. De janeiro de 2015 para cá, o porcentual de renda disponível – depois do pagamento de despesas essenciais – caiu quase dois pontos porcentuais, de 45,6% para 43,76%. É o menor patamar desde 2009. Isso significa que o brasileiro poderia estar consumindo, a mais, algo em torno de R$ 14,5 bilhões.

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