Clique e assine com até 92% de desconto

Tombini nega risco de bolha de crédito no Brasil

Em entrevista a EXAME, o presidente do Banco Central afirma que governo conteve expansão de empréstimos e que não há razão para temer

Por Da Redação 13 fev 2014, 17h03

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, afirmou em entrevista a EXAME, revista do Grupo Abril, que publica VEJA, que o governo trabalha há três anos para proteger o Brasil da volatilidade do mercado internacional e de um possível estouro de bolha, como acredita o economista Paul Krugman, famoso por seus prognósticos de crises. O presidente do BC destaca que o governo tem trabalhado para conter a expansão dos empréstimos no mercado interno, prevenindo, assim, uma bolha de crédito. “Se ainda tivéssemos o crédito crescendo 30%, 40% ao ano, aí sim, Paul Krugman teria razão em temer pela nossa economia. Mas seguramos nossos excessos”, afirma.

Krugman, Nobel de Economia, disse no fim de janeiro em sua coluna no jornal The New York Times que a bolha dos países emergentes parece estar estourando. Isso, após países como Argentina, Indonésia, Turquia, Índia e África do Sul registrarem fortes desvalorizações de suas moedas frente ao dólar, em reação à retirada de estímulos do Federal Reserve (Fed), banco central americano. Com as perspectivas para a economia americana melhorando e a possibilidade de aumento dos juros, o que se viu foi a saída maciça de dinheiro de países emergentes. Isso fez com que diversos bancos centrais reagissem aumentando juros e as bolsas mundiais refletissem o temor de contágio em todos os emergentes.

Leia mais:

Mercados emergentes, moedas decadentes

Temor de estrangeiros com emergentes não se reflete na Bolsa

Tombini, porém, é categórico em dizer que o Brasil está protegido da turbulência que dominou os emergentes no último mês. “Tomamos medidas, nos últimos três anos, para desacelerar a entrada de recursos externos. Era uma preparação para a saída (de dólares após a retirada de estímulos do Fed), porque sabíamos que esse fluxo era atípico (entrada de dinheiro nos emergentes), tinha prazo de validade”, disse.

Continua após a publicidade

Em sua opinião, não se pode confundir ajuste com fragilidade. O que se vê é a necessidade de ajustes de ativos financeiros, como as moedas e taxas de juro, ao novo cenário de recuperação das economias desenvolvidas. Para ele, a postura atual do Fed é positiva porque evidencia uma melhora na economia internacional e, portanto, traz boas expectativas para o comércio exterior do Brasil.

Leia ainda: ‘Efeito manada’ coloca emergentes na berlinda e afeta o Brasil

Para The Economist, pânico em mercados emergentes não se justifica

Ajustes – O presidente do Banco Central destaca que o Brasil tem respondido de forma “clássica e robusta” ao momento de transição entre um mundo em crise profunda e a recuperação em curso. Aliada à política de menor dependência ao capital externo e controle de crédito, o órgão está atuando com elevação dos juros básicos e acumulação de reservas internacionais. No último caso, ele fala que este “colchão” (reservas) pode ser usado para diminuir o impacto da desvalorização do real.

Tombini diz ainda que não se pode confundir instrumentos de política monetária, usados para combater a inflação, com resultados econômicos. “Os juros estão subindo porque precisamos enfrentar a inflação e navegar nesse novo cenário externo, de diminuição da liquidez global. Esse é um instrumento de política monetária que tem de ser usado quando necessário, e está sendo usado.”

Economia – Tombini defendeu que a expansão econômica precisa de novos motores porque o crescimento gerado apenas pela absorção de mão de obra é limitado. Destravar investimentos, sanar gargalos de infraestrutura e melhorar a educação no país serão fundamentais, em sua opinião. “Podemos enxergar esse momento como uma oportunidade de nos ajustar e aumentar a produtividade da economia.”

Continua após a publicidade
Publicidade