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Supercomitê dos EUA não chega a acordo sobre orçamento

Governo admite incapacidade em elaborar plano bipartidário de redução do deficit

O comitê bipartidário que lidera as discussões sobre a redução do deficit americano admitiu, nesta segunda-feira, que fracassou em seu objetivo de tentar equilibrar o orçamento nos próximos dez anos. O deficit do país chega a 15 trilhões de dólares. O acordo deveria sair nesta tarde e tinha votação prevista no Congresso para a próxima sexta-feira. Contudo, o grupo de deputados composto por Republicanos e Democratas não conseguiu chegar a um consenso sobre os cortes orçamentários e postergou a decisão para 2012. “Após meses de trabalho árduo e intensas deliberações, chegamos à conclusão de que não será possível fazer nenhum acordo bipartidário antes do prazo”, afirmou a senadora democrata Patty Murray, em comunicado no final da tarde, pronunciando-se em nome do “supercomitê” – como é conhecido o grupo que discute política fiscal em Washington.

Apesar do fracasso, membros do Congresso americano deixaram claro que continuarão trabalhando na elaboração de um acordo, ainda que ele demore para ficar pronto. Republicanos continuam se negando a aceitar aumento de impostos para os mais ricos, e democratas não querem que haja cortes nos programas sociais americanos. “Nós só temos que continuar trabalhando até que ele fique pronto. Se não, o mercado vai nos forçar a isso”, afirmou Maya MacGuineas, presidente do comitê “Orçamento Federal Responsável”, ao jornal Wall Street Journal.

A impossibilidade de acordo, no entanto, não impede que cortes automáticos de 1,2 trilhão de dólares sejam feitos a partir de 2013, como a redução dos gastos militares, por exemplo. Contudo, alguns analistas acreditam que, até lá, o governo terá tempo para costurar um novo acordo que não penalize tanto os militares. Já o mercado deve encarar com pessimismo a incapacidade do governo americano de elaborar um plano em conjunto para reduzir o deficit. Nesta segunda-feira, as bolsas americanas fecharam em forte queda, influenciadas pela falta de confiança no reequilíbrio das contas públicas e pelo risco cada vez maior de um novo rebaixamento da nota da dívida americana pelas agências de classificação de risco.

Desta vez, o presidente Barack Obama procurou não se envolver nas discussões, direcionando suas energias para aprovar seu plano de criação de empregos nos Estados Unidos – que acabou sendo vetado pelos republicanos. O presidente deverá alegar, na campanha para sua reeleição em 2012, que a oposição obstrui suas propostas sempre que surge a oportunidade. Nas últimas discussões sobre o deficit, em agosto deste ano, a imagem do presidente se desgastou enquanto ele tentava aprovar seu plano de redução de deficit junto ao comitê.

Entra água no plano de Obama – Quando conseguiu aprovar o plano de redução de deficit de longo prazo, em agosto, quase à beira de um calote, o presidente Barack Obama previa um contingenciamento de até 2,4 trilhões de dólares na próxima década. O plano era o seguinte: os cortes seriam aprovados pelo Congresso em duas etapas, sendo 917 bilhões de dólares imediatamente, e 1,5 trilhão de dólares no fim do ano, que seriam definidos pelo atual comitê formado por democratas e republicanos da Câmara e do Senado. Se a comissão não chegasse a um acordo sobre pelo menos 1,2 trilhão de dólares em economias, ou o Congresso rejeitasse as sugestões, cortes automáticos nesse valor começariam a ser feitos em 2013.