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Setor público tem déficit inédito no acumulado do ano

Déficit primário das contas públicas chegou a 1,1 bilhão de reais no consolidado de janeiro a agosto, segundo Banco Central

As contas do setor público, que envolvem o governo central, Estados, municípios e estatais, registraram um déficit primário inédito, de 1,105 bilhão de reais (ou 0,03% do PIB), no acumulado dos oito primeiros meses deste ano, segundo dados do Banco Central divulgados nesta quarta-feira. Em igual período do ano passado, o setor público teve um superávit de 10,2 bilhões de reais, até então o pior resultado verificado na série histórica iniciada em 2001.

Só em agosto, as contas do setor público apresentaram um déficit primário de 7,31 bilhões de reais. O número representa quase a metade do déficit alcançado no mesmo mês do ano passado, de 14,46 bilhões de reais. Mesmo assim, este é o segundo pior resultado para os meses de agosto na série histórica, ficando atrás apenas de agosto de 2014.

No acumulado dos últimos doze meses até agosto, o déficit chega a 43,8 bilhões de reais, o equivalente a 0,76% do PIB.

O resultado fiscal de agosto foi composto por um déficit de 6,934 bilhões de reais do governo central (Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência). Os governos regionais (Estados e municípios) influenciaram o montante negativamente com 174 milhões de reais – Estados tiveram um superávit de 226 milhões de reais, enquanto os municípios apresentaram um déficit de 400 milhões de reais. Já as empresas estatais registraram déficit primário de 202 milhões de reais.

No acumulado dos últimos doze meses até agosto, o déficit chega a 43,8 bilhões de reais, o equivalente a 0,76% do PIB. Nos doze meses encerrados em julho, o déficit era maior, de 0,89% do PIB. Apesar da redução, o patamar segue bem longe da meta perseguida pelo governo de conseguir fechar as contas no azul até o fim de 2015. Meta esta que já foi drasticamente diminuída em julho, de 1,1% para 0,15% do PIB.

Já a dívida bruta como percentual do PIB alcançou 65,3% em agosto, 0,7 ponto porcentual da estimativa anterior do BC. A instituição também piorou a previsão para a dívida pública bruta deste ano para 67,2% do PIB, contra 62,7% anteriormente.

Já para a dívida líquida a estimativa melhorou para 34,3% do PIB em 2015, abaixo do patamar de 34,9% projetado em junho, pela valorização das reservas internacionais devido ao avanço do dólar frente ao real.

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