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Sem alívio: prévia da inflação em novembro é a maior em 19 anos

IPCA-15 ficou em 1,17% no mês, acima das expectativas do mercado e puxado principalmente por combustíveis; em 12 meses, indicador bateu 10,73%

Por Larissa Quintino Atualizado em 25 nov 2021, 12h50 - Publicado em 25 nov 2021, 09h22

A pressão inflacionária, que corrói o poder de compra de famílias e reflete no custo de empresas, não dá sinais de alívio e continua a acelerar. Em novembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), a prévia da inflação oficial, ficou em 1,17%. O percentual é praticamente estável aos 1,20% registrados no mês anterior e a maior variação para novembro desde 2002. Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 25, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A taxa de novembro novamente está acima das expectativas do mercado, que estimava o indicador em 1,13%. No ano, o IPCA-15 acumula alta de 9,57% e, em doze meses, de 10,73% – vale lembrar que a barreira dos dois dígitos foi rompida na prévia da inflação de setembro. O IPCA-15 capta preços das duas primeiras semanas do mês de referência e das duas últimas do mês anterior e refere-se às famílias com rendimento de um (1.100 reais) a 40 salários mínimos (44.000 reais). 

A alta de preços segue disseminada pelos setores da economia. Porém, assim como em outubro, a alta dos combustíveis exerce a principal pressão nos preços. Segundo o levantamento, a gasolina teve alta de 6,62% no mês e influenciou o resultado dos transportes, que registraram, de longe, a maior variação (2,89%) e o maior impacto nos grupos pesquisados. No ano, o combustível acumula variação de 44,83% e, em 12 meses, de 48%. Neste mês, o peso da alta dos transportes é maior dos combustíveis do que nos dois anteriores, porque o preço das passagens aéreas, que acelerou na casa dos 30%, registrou queda de 6,34%.

No grupo habitação, que vinha de forte influência da energia elétrica, o principal impacto desta vez foi o gás de botijão (4,34%), cujos preços subiram pelo 18° mês consecutivo, acumulando 51,05% de alta no período iniciado em junho de 2020.

No grupo saúde e cuidados pessoais, a alta de 0,80% foi influenciada pelos itens de higiene pessoal (1,65%) e produtos farmacêuticos (1,13%). Em outubro, a variação do primeiro havia sido negativa (-0,26%) e a do segundo, próxima da estabilidade (0,02%). Juntos, os grupos transportes, habitação e saúde e cuidados pessoais contribuíram com  cerca de 75% do índice do mês.

Alimentos desaceleram

Já alimentação e bebidas, segundo item com maior relevância do indicador e que pressiona principalmente as famílias mais pobres, desacelerou em novembro, ficando em 0,40%. No mês anterior, o grupo subiu 1,38%. Segundo o IBGE a queda se deve a baixa no preço das carnes (-1,15%). Com o embargo chinês ao produto brasileiro, há mais carne bovina no mercado interno, baixando os preços. Também recuaram os valores do leite longa vida (-3,97%) e das frutas (-1,92%).

O grupo de vestuário (1,59%) registrou a segunda maior variação do mês, com altas em todos os itens pesquisados, com destaque para roupas femininas (2,05%), masculinas (1,88%) e infantis (1,30%), além dos calçados e acessórios (1,28%). No ano, o grupo acumula variação de 8,64%, enquanto no mesmo período de 2020, o resultado foi negativo (-1,31%). Os demais grupos do IPCA-15 ficaram entre o 0,01% de educação e o 1,53% de artigos de residência.

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