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Sarkozy, provável candidato à reeleição, terá desemprego como desafio

Por Por Hervé Rouach 27 dez 2011, 13h31

O presidente francês Nicolas Sarkozy – cuja candidatura à reeleição é tida como certa, apesar de ainda não ter sido oficializada – terá que lidar na campanha eleitoral de 2012 com uma taxa de desemprego de 9,3% atingida no terceiro trimestre.

O governo francês teve que enfrentar na segunda-feira à noite os novos e desastrosos dados sobre o desemprego, que já atinge 2,84 milhões de pessoas no país, de acordo com dados de novembro, o que significa um acréscimo de 51.800 pessoas em relação a outubro.

Sarkozy, que deve oficializar em fevereiro sua candidatura para tentar a reeleição, convocou para o próximo dia 18 de janeiro os sindicatos para participar em uma “reunião sobre emprego” no Palácio do Eliseu.

Contudo, a atual situação orçamentária só permitirá ao presidente propor demissões parciais ou flexibilizar o tempo de trabalho para evitar ao máximo as demissões, como apontou nesta terça-feira o ministro de Trabalho, Xavier Bertrand, que atribuiu o aumento das demissões na França à crise na Eurozona.

“Quando as cifras econômicas não são boas, as cifras de emprego também não são”, afirmou Bertrand na rádio francesa RTL.

A crise da dívida europeia está impedindo a reativação da economia, o que pode levar a França e os principais países da Eurozona à recessão.

A França acaba de apresentar dois planos de ajuste para os próximos quatro meses, num momento em que o país tem sido vigiado de perto pelas agências de classificação, que podem rebaixar a qualquer momento a nota triplo A, sinônimo de condições favoráveis de empréstimo nos mercados.

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Paris tenta preservar sua credibilidade, apesar de que sua grande dívida pública lhe obrigará a pedir em 2012 um crédito de ao menos 178 bilhões de euros nos mercados.

Nenhum ministro se arrisca a prever medidas de apoio à economia, uma atitude que contrasta com a de 2008, quando Sarkozy implantou um plano de 26 bilhões de euros para estimular os investimentos. A prioridade então era o crescimento e agora é a redução do déficit.

“O desemprego não é um problema exclusivamente francês. Apenas na Alemanha o desemprego diminui, pois o país realiza profundas reformas no mercado há 10 anos. Nós só temos adotado reformas nos últimos anos”, justificou o ministro do Trabalho francês.

A França prevê que o governo terá dificuldades para manter a taxa de desemprego abaixo dos 10%, apesar de que Sarkozy prometeu reduzi-la a 5% antes de sua eleição em 2007.

“Em 2012 esperamos um ano catastrófico. Prevemos terminar o ano com uma taxa de desemprego de 10,7%”, disse à AFP Henri Sterdyniak, economista do Observatório Francês de Conjunturas Econômicas (OFCE), um instituto independente.

O socialista François Hollande, que parte como favorito nas eleições presidenciais de 22 de abril e de 6 de maio, afirmou que outra política de emprego é possível.

“O resultado de Nicolas Sarkozy: um milhão de desempregados em um mandato!”, disse um dos conselheiros de Hollande, Alain Vidalies. “A política atual só pode conduzir a um incremento do número de pessoas que buscam trabalho e a uma diminuição do crescimento”, completou.

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