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Reino Unido prevê fim do euro e se diz aliviado com exclusão da moeda única

Por Por Philippe Valat 27 dez 2011, 10h50

Dez anos depois da entrada em circulação do euro, os britânicos estão mais hostis do que nunca com relação à moeda única europeia e dizem estar convencidos de que evitaram o pior ao conservar a libra esterlina.

De acordo com uma sondagem efetuada após a decisão de David Cameron de não respaldar um paco fiscal entre os 27 membros da União Europeia (UE) na última reunião de Bruxelas, 65% dos britânicos consideram que o euro está condenado a desaparecer e só 19% apostam em sua sobrevivência.

O estudo nem mesmo sugeriu a possibilidade de o país adotar um dia a moeda única.

“Estamos mal, mas ao menos estamos fora da Eurozona”, disse recentemente o Sunday Times, resumindo a opinião geral da população. “Os que odeiam a Europa podem comemorar e dizer que tinham razão desde o princípio”, disse o jornal, que, como a maioria da imprensa britânica, possui inclinação para o euroceticismo.

Contudo, os resultados atuais da economia britânica evidenciam que os benefícios do isolamento monetário do Reino Unido parecem ser limitados.

Segundo os dados da Comissão Europeia, o déficit público britânico será maior em 2011 que o da Grécia e sua dívida é similar à da França, apesar de um plano de ajuste sem precedentes. Além disso, o desemprego acaba de chegar ao máximo em 17 anos e a inflação está quase o dobro do patamar médio da Eurozona.

O país continua pagando a fatura da crise de 2008, que golpeou duramente seu setor bancário e financeiro, sem nenhuma dúvida o mais desenvolvido da Europa e em nome do qual Cameron exerceu seu veto europeu.

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O Reino Unido dispõe também de um fator importante com relação a seus vizinhos: um banco central autônomo respaldado por investidores em busca de opções fora da Eurozona.

Há quase três anos, o Banco da Inglaterra (BoE) injetou o equivalente a mais de 300 bilhões de euros (470 bilhões de dólares), contrariamente ao Banco Central Europeu (BCE), para comprar massivamente obrigações do Estado.

Como resultado, as taxas de juros dos bônus britânicos a 10 anos estão muito baixas, no mesmo nível que as da Alemanha, o que permite ao Reino Unido financiar sua dívida em excelentes condições.

As injeções de liquidez do BoE também contribuíram para a debilidade relativa da libra, que vale atualmente em torno de 1,20 euro, abaixo de seu patamar de maio de 2000 (1,75 euro). As exportações foram favorecidas, apesar de a balança comercial do país continuar deficitária.

Ao final, Joshua Raymond, economista do City Index, está convencido de que se Reino Unido tivesse adotado o euro, hoje estaria muito pior e se encontraria no centro da crise, ao invés de encontrar-se indiretamente exposto.

“Atrelado à Eurozona, o BoE jamais conseguiria comprar tanta dívida soberana e os mercados se preocupariam muito mais com o déficit público”, disse Colin Ellis, analista da consultoria BVCA.

“Como Grécia ou Irlanda, o Reino Unido poderia ter ficado à beira da quebra”, afirmou à AFP Stephen Gallo da Schneider FX. “E, devido ao tamanho da sua economia, seria impossível a realização de um resgate internacional”, completou.

Segundo Gallo, essa suposição tem levado alguns economistas a se perguntarem até que ponto a situação da Eurozona estaria pior se o Reino Unido formasse parte dela.

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