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Proposta de uso das reservas internacionais divide governo

Uso das reservas internacionais, hoje em US$ 372 bilhões, é motivo de discordância entre alas política e econômica do governo

Por Da Redação - 16 mar 2016, 08h55

O uso das reservas internacionais, hoje em 372 bilhões de dólares, é motivo de discordância dentro do governo. Na segunda-feira, depois de participar de uma reunião com a presidente Dilma Rousseff, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, voltou a falar sobre essa possibilidade. Wagner disse que o governo avalia usar um terço das reservas para abater a dívida pública federal.

A declaração do ministro antecipa uma queda de braço entre as alas política e econômica do governo. “Abrir mão dessas reservas para quê?”, questiona uma fonte graduada da equipe econômica, que defende a necessidade de manter intocável o “seguro financeiro” do país.

“Essa perspectiva para investimento é descartada, a outra, para abater a dívida, está em discussão”, disse Wagner. A questão ainda não foi fechada, mas a declaração do ministro expõe a pressão em torno da proposta.

A resistência à medida vem tanto do Ministério da Fazenda quanto do Banco Central. Um integrante da equipe econômica faz até a comparação do Brasil com a China para ressaltar a importância das reservas como proteção às oscilações da economia mundial. Desde o ano passado, lembrou, a China vem perdendo em torno de 100 bilhões de dólares por mês em reservas por causa das consequências da mudança em sua política cambial.

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As incertezas causadas pela volatilidade estão levando as empresas chinesas a pagarem suas dívidas em dólar, o que tem impacto nas reservas. A visão dessa fonte é que a China será capaz de absorver as dificuldades decorrentes da volatilidade cambial e do alto endividamento das empresas.

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Empresas – O aprofundamento da crise tornaria mais difícil o alongamento das dívidas corporativas, o que poderia ter efeito nos bancos médios. E passa a ser um ponto de interrogação para o próximo ano.

O ciclo de retomada da economia tem de começar ainda no segundo semestre para manter o cenário sustentável. A difícil tarefa de restabelecer a confiança na economia, tanto de empresas quanto dos consumidores, recobre de incertezas o prolongamento de uma situação marcada por pedidos de rolagem de dívidas que sobrecarregam os bancos.

Pelo acompanhamento do governo, a liquidez bancária é satisfatória, mas a paralisia da economia se espalha de forma perigosa por diversos segmentos. “O ambiente não está favorável para a confiança do consumidor. E as incertezas se estendem para as empresas”, diz um membro da equipe econômica.

(Com Estadão Conteúdo)

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