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Produção industrial tem maior queda mensal desde janeiro

Queda de 1% em setembro pode colocar em dúvida avaliações de que há uma recuperação mais robusta no segundo semestre, como defende o governo

A produção industrial brasileira caiu 1% em setembro frente a agosto, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira. Trata-se do pior resultado mensal desde janeiro passado, quando a contração foi de 1,8%, e pior do que o esperado pelo mercado. No acumulado dos últimos 12 meses, a queda foi de 3,1% – pior resultado desde janeiro de 2010

O mau resultado foi provocado, sobretudo, pelo segmento de máquinas e equipamentos, relacionado aos investimentos produtivos. Na comparação com setembro de 2011, a produção diminuiu 3,8%, o pior desempenho desde junho, quando a queda foi de 5,6%. De acordo com pesquisa da Reuters com 35 analistas, a expectativa era de que a produção industrial recuasse 0,5% em setembro ante agosto. As estimativas variaram de alta de 0,1% a queda de 1,6%.

Na comparação anual, a expectativa era de queda de 3,4% de acordo com a mediana de 31 projeções, sendo que elas variaram de quedas de 1% a 4,3%. Segundo o IBGE, em setembro, 16 das 27 atividades pesquisadas apresentaram contração na produção sobre o mês anterior, com destaque para o setor de máquinas e equipamentos, com queda de 4,8% no período. Esse foi o segundo resultado negativo consecutivo da atividade, com queda acumulada de 8,5% no período.

Também pesaram no resultado de setembro os setores de outros produtos químicos (-3,2%), alimentos (-1,9%), perfumaria, sabões e produtos de limpeza (-10%), fumo (-11,7%) e veículos automotores (-0,7%). Na outra ponta, houve aumento da produção nos setores, entre outros, farmacêutica (6,0 por cento) e outros equipamentos de transporte (4,4%), que têm “desempenhos de maior importância para a média global”.

O resultado de setembro pode colocar em dúvida as avaliações de que está havendo uma recuperação mais robusta no segundo semestre, como defende o governo. Em agosto, a produção industrial havia crescido 1,7%, número revisado pelo IBGE nesta quinta-feira, ante a expansão de 1,5% reportada antes.

Impactada pela crise internacional, a indústria brasileira tem sido, desde o início do ano, uma das principais causas para a fraca atividade da economia do país. Para minimizar os impactos vindos de fora, o governo adotou várias medidas de estímulo, como isenções fiscais, para tentar impulsionar o setor.

O governo tem defendido que a economia já começou a se recuperar. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, por exemplo, afirmou que a economia estará crescendo, a uma taxa anualizada, cerca de 4 por cento neste segundo semestre e em 2013.

Para outubro, entretanto, a confiança da indústria indica uma melhora, com o índice apurado pela Fundação Getúlio Vargas avançando 1% no mês em relação a setembro, o que alimenta a esperança de uma recuperação gradual.

(Com agência Reuters)