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Preço do automóvel deve cair com novo regime, diz Anfavea

Segundo Cledorvino Belini, presidente da entidade, o aumento da escala e a incorporação de novas tecnologias na cadeia vão baixar os preços

Por Naiara Infante Bertão 4 out 2012, 19h05

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini, afirmou nesta quinta-feira, em coletiva de imprensa em São Paulo, que o Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores (Inovar-Auto) levará as montadoras a aumentar sua escala de produção, aprimorar-se tecnologicamente e tornar-se mais competitiva. Como resultado, garente Belini, os carros fabricados no país ficarão mais baratos.

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Belini, contudo, recusou-se a traçar uma estimativa do quanto pode baratear o automóvel nacional. “É prematuro dizer quanto que pode cair do preço de hoje do automóvel. Isso vai depender, fundamentalmente, da escala de produção e da infraestrutura que o país está investindo, a exemplo da redução do custo de energia elétrica. É prematuro, mas são elementos que darão competitividade ao país, para o mercado interno e para a exportação”, disse.

Indagado se o aumento dos aportes obrigatórios não levaria as montadoras a gastar mais e, consequentemente, ter de repassar custos ao consumidor final, o presidente da Anfavea explicou que há fatores compensatórios. Ele citou como exemplo o retorno, na forma de crédito tributário, de metade dos investimentos em engenharia, pesquisa e desenvolvimento. Destacou também o próprio aumento de escala e a diminuição dos custos com infraestrutura.

Mão de obra – O executivo admitiu, entretanto, que será um desafio para o Brasil preparar sua mão de obra e que, provavelmente, as empresas terão de ensinar seus profissionais no exterior e depois colocá-los para trabalhar no país.

Outro desafio será o desenvolvimento de tecnologia para diminuir o consumo de combustível. “O prazo é apertado (até 2017), dado o estágio em que estamos. Nossos combustíveis são diferentes dos europeus. Não podemos simplesmente pegar a tecnologia deles. Temos de desenvolver a nossa. Temos de investir em etanol de alta tecnologia e outros biocombustíveis. Temos de chegar até 2016 com grande esforço da engenharia nacional.”, ressaltou.

Como o novo regime, será obrigatória a adoção de tecnologias que impliquem taxa mínima de 12% da eficiência energética, equivalente a uma redução de 13,6% do consumo de energia dos automóveis. As companhias que aumentarem ainda mais a eficiência de seus veículos serão beneficiadas com créditos que poderão ser abatidos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

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Competitividade – A expectativa da Anfavea é que o novo regime aumente a competitividade da indústria brasileira, fazendo com que retome o posto de importante exportador mundial. Com o anúncio, a associação já revisou sua projeção de investimentos do setor (incluindo montadoras e autopeças), passando-a de 40 bilhões de reais entre 2013 e 2017 para até 60 bilhões de reais no período.

Belini destacou que o desempenho da indústria brasileira no exterior dependerá, no entanto, também de fatores externos, como o câmbio. Ele afirmou que, após o estouro da bolha imobiliária americana em 2008, os países desenvolvidos desvalorizaram moedas para recuperar seus mercados locais, o que fez com que o real se valorizasse e a indústria perdesse competitividade. Este tem sido, aliás, ponto de um discurso freqüente do próprio governo. Seguidas vezes, a presidente da República, Dilma Rousseff, atacou as políticas monetárias dos países mais desenvolvidos, classificando-as, inclusive, de protecionistas.

“Nossa escala de produção é muito baixa. Precisamos ter patamar de produção de 5 a 6 milhões de unidades para enfrentar mercado que produzem 10 milhões de unidades. Esse projeto vai nos ajudar porque já está atraindo investimentos. Há espaço para a expansão do mercado e a inovação tecnológica vai poder nos dar competitividade”, fala.

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Entrantes – Aurélio Santana, diretor técnico da Anfavea, explicou ao site de VEJA que as montadoras que se encontram em estágio inicial no país – isto é, que ainda não possuem uma estrutura fabril – serão também beneficiadas com o novo regime e não serão preteridas em relação às que já estão por aqui. “As empresas que tiveram o plano de produzir no Brasil poderão, segundo o novo regime, importar até 50% de sua capacidade produtiva futura com descontos do IPI”, explicou.

Em outras palavras, se uma companhia pretende abrir uma fábrica no Brasil que produzirá 100 mil unidades por ano, ela poderá, durante o tempo em que a mesma estiver em construção, importar 50 mil carros de modelo similar ao que for produzir. Assim, ao fim da construção e inauguração, ela passará a se enquadrar no novo regime plenamente. “A ideia é que não haja distorções”, ressaltou.

Para aquelas que não queiram ter estrutura produtiva no país, elas poderão importar até 4,8 mil carros com os descontos de IPI, caso invistam em pesquisa e desenvolvimento no Brasil ou aloquem recursos no Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

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