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Pioneiro do microcrédito é demitido de banco que fundou

Nobel da Paz Muhammad Yunus é acusado de de violar regras da instituição

Por Da Redação - 2 mar 2011, 11h18

Deixando de lado as questões legais, alguns indianos não descartam a possibilidade de Yunus ser vítima de uma campanha política movida pela primeira-ministra Sheikh Hasina Wajed

A briga que há meses se entendia entre o bengalês Muhammad Yunus, Nobel da Paz em 2006, e o governo da Índia resultou, nesta quarta-feira, na demissão de Yunus da direção do banco de microcréditos que ele mesmo fundou, o Grameen Bank. O Banco Central de Bangladesh, regulador do setor financeiro do país, acusa Yunus de ser nomeado ao cargo de diretor-geral sem o consentimento da instituição, o que representa uma violação das regras do próprio Grameen Bank.

Yunus é o pai do conceito de microcrédito – o empréstimo de pequenas quantias de dinheiro a pessoas pobres, que jamais conseguiriam um tostão dos bancos convencionais. Em 1976, quando ainda era professor universitário, fez a primeira experiência desse tipo ao oferecer 27 dólares a um grupo de 42 artesãos em dificuldades. A soma irrisória foi suficiente para que eles comprassem matéria-prima, vendessem sua produção de tamboretes de bambu e garantissem a continuidade do negócio. Animado com as possibilidades que a iniciativa apresentava, o intelectual virou banqueiro no ano seguinte. Fundou o banco Grameen, que significa “banco da aldeia” em bengali, e passou a fomentar a atividade econômica entre os pobres.

Segundo a rede britânica BBC, Yunus, hoje com 70 anos, deveria ter se aposentado das funções no banco aos 60. O ministro indiano das finanças, A.M. Muhit, chegou a sugerir que o ganhador do Nobel era muito velho para dirigir o banco. O governo faz pressão há alguns meses para que Yunus se aposente.

Deixando de lado as questões legais, alguns indianos não descartam a possibilidade de Yunus ser vítima de uma campanha política movida pela primeira-ministra Sheikh Hasina Wajed. Recentemente, Hasina declarou publicamente que os fornecedores de microcrédito estão “sugando o sangue dos pobres”.

Os desentendimentos entre as duas figuras começaram em 2007, quando Yunus, ainda eufórico com seu Nobel conquistado um ano antes, sugeriu que criaria seu próprio partido político para limpar seu país da corrupção na administração pública. O futuro do Grameen agora é incerto. O banco tem cerca de 955 milhões de dólares em empréstimos a 8,3 milhões de tomadores de crédito.

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