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Petrobras perde R$ 150 milhões por ano com furto de combustíveis

No ano passado, foram registrados 261 casos; empresa lança nesta sexta-feira programa de combate a esse crime

A ação de grupos criminosos nos dutos de transporte de petróleo e derivados já causa prejuízo de 150 milhões de reais à Petrobras por ano. Preocupada com a escalada do número de furtos de combustíveis, que mais do que triplicou em três anos, a estatal vai lançar nesta sexta-feira, 7, um programa de inteligência e segurança, o Pró-Dutos. Além de perdas financeiras, a empresa quer evitar também que se repita no país o cenário de violência vivido no México, onde o furto em dutos motiva assassinatos e impõe custos anuais de cerca de 1,5 bilhão de dólares à petroleira Pemex. 

No Brasil, entre tentativas e episódios efetivos de furto, foram registrados 72 casos em 2016. No ano passado, subiu para 261, a maior parte em São Paulo (151) e no Rio de Janeiro (69). Organizações criminosas teriam descoberto que a venda irregular de combustíveis é um bom negócio, sobretudo em períodos em que os preços dos combustíveis estão mais altos e a economia em recessão. Procurada, a Petrobras confirma o lançamento do programa.

Na maior parte das vezes, o foco dos bandidos é o petróleo no estado bruto (40%), mas há furtos também de derivados, como gasolina, óleo diesel e até nafta petroquímica, que, misturada a combustíveis automotivos, tende a parar nos postos revendedores e nos tanques dos carros.

O problema chegou ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, que, frequentemente, tem a entrega de combustível de aviação interrompida porque a Transpetro, subsidiária da Petrobras que opera os dutos, é obrigada a paralisar a atividade de tubulações onde atuaram criminosos.

Além da perda de receitas, outra consequência dos furtos estaria relacionada aos efeitos dos vazamentos nas comunidades que se instalaram próximas aos dutos. No fim do mês passado, uma criança de 9 anos morreu em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, após cair numa poça de gasolina pura que escapou de um duto perfurado. O temor da empresa é que fatalidades como essa se repitam e tomem proporções maiores, colocando em risco comunidades inteiras.

Estratégia

Na tentativa de evitar o avanço da ação de bandidos, a estatal traçou estratégia internamente batizada de “método margarida”. O nome faz referência à imagem de uma flor formada por oito pétalas, que representam as linhas de ataque do Pró-Dutos. A ideia é reunir autoridades em torno do combate aos furtos e formar parcerias, que podem incluir até mesmo petroleiras concorrentes, além da Polícia Federal, Ministério Público e entidades de Defesa e Justiça. Nesta sexta, serão firmados acordos com os governos dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. 

Funcionários da estatal e juristas ainda trabalham na formulação de um texto que deve servir de base para um marco legal que será apresentado ao Congresso pelo governo federal.