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Petrobras negocia 28 ativos para cumprir meta de desinvestimentos

Plano de venda visa levantar 15,1 bilhões de dólares; entre as negociações estão a abertura de capital da BR Distribuidora e a venda da TAG e de distribuidoras da Gaspetro

A Petrobras negocia um total de 28 ativos para cumprir a meta de desinvestimentos da estatal até 2016, estimada em 15,1 bilhões de dólares. As negociações estão em ritmo acelerado, segundo fontes que acompanham o processo na estatal. Um dos principais ativos na lista, a BR Distribuidora, já teve manifestação de investidores interessados no seu processo de abertura de capital. Entretanto, o cronograma para a realização do IPO (Oferta Pública de Ações, na sigla em inglês), prevê que somente nos próximos meses será apresentado aos investidores os termos detalhados da oferta.

A previsão é que até dezembro toda a negociação seja concluída. A procura de investidores pelos dados da BR Distribuidora surpreendeu positivamente a diretoria da empresa. O assunto foi tratado na última reunião do conselho de administração, na sexta-feira, quando o cronograma detalhado para abertura do capital da subsidiária foi apresentado aos conselheiros. O próprio presidente da empresa, Aldemir Bendine, teria indicado que a boa e rápida receptividade entre os investidores à proposta de abertura de capital havia surpreendido.

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Oficialmente, a companhia indica que estuda tanto a oferta de ações quanto um investidor estratégico para o negócio, mas a opção mais consolidada entre os executivos é a de abertura de capital. Em comunicado encaminhado ao mercado nesta quinta-feira, a estatal informou que avalia “alternativas estratégicas” para a subsidiária e que “os atos necessários para realização da oferta estarão sujeitos à aprovação dos órgãos internos da Petrobras e da BR, como também dos entes reguladores”, diz o comunicado.

Os estudos sobre a BR Distribuidora e para a venda dos demais ativos estão em ritmo acelerado na estatal, segundo fontes que acompanham as negociações. A expectativa é que, mensalmente, seja analisado pelo conselho de administração da Petrobras o andamento da reestruturação de pelo menos um dos ativos na carteira. Alguns dos itens previstos para venda devem passar por reestruturação semelhante à aprovada para a Transportadora Associada de Gás (TAG).

Nesta quinta, a estatal confirmou em comunicado que está mudando a composição das subsidiárias regionais da companhia, conforme compromisso assumido com a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A etapa é tida como passo preliminar para a venda das duas subsidiárias regionais a investidores que já atuam nos mercados do Norte e Nordeste e Sul e Sudeste.

A área de gás e energia é a que mais concentra ativos em desinvestimento nesta etapa. Também estão na lista para a venda até o próximo ano participações da estatal em distribuidoras estaduais de gás canalizado, que integram a Gaspetro. Ao todo, a companhia possui participações em 19 distribuidoras, com diferentes patamares de ações em cada uma delas. As negociações também estão avançadas, com parceiros que já têm participação nas empresas.

Também estão previstos até o próximo ano a oferta de participações em contratos de exploração e produção, tanto no pré-sal quanto em campos maduros, principalmente no Nordeste, que tem registrado declínio de produção e rentabilidade na avaliação da empresa. No pré-sal, figuram na lista as áreas de Pão de Açúcar (BM-C-33), Júpiter (BM-S-24), Carcará (BM-S-8) e Tartaruga Verde (BM-C-36), todos com contratos de concessão e não de partilha.

As áreas estão em fase de exploração, mas já apresentaram indícios de óleo e com boas expectativas quanto às reservas. Os parceiros da estatal nessas áreas devem ter prioridade na aquisição dos ativos, conforme estabelecido em contrato, mas o foco é atrair grandes petroleiras multinacionais, com maior capacidade de investimento nos projetos.

O plano de venda de ativos da companhia ainda prevê até 2018 mais 42,7 bilhões de dólares em desinvestimentos em áreas como abastecimento, transporte e logística, além de Exploração e Produção. A previsão é que fique para 2017 e 2018 as vendas de ativos como termoelétricas, unidades de fertilizantes e de biocombustíveis – negócios que não são considerados, pela atual administração, como foco da empresa.

O avanço das vendas de ativos vai enfrentar resistência entre os trabalhadores da companhia. Estão previstos para a próxima semana encontros de entidades sindicais e associações da categoria para deliberar sobre uma paralisação por tempo indeterminado na categoria. Os petroleiros já estão em indicativo de greve desde o início do mês, e realizaram uma paralisação de advertência na última sexta-feira, como sinalização ao conselho de administração.

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(Com Estadão Conteúdo)