Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

PANORAMA3-Grécia volta a preocupar investidores e derruba mercados

SÃO PAULO, 8 Mai (Reuters) – A Grécia voltou a ser o centro das preocupações nos mercados nesta terça-feira, com uma agenda fraca de indicadores e dificuldades crescentes para a formação de um novo governo no país europeu, para que sejam levadas adiante as medidas necessárias para que Atenas receba ajuda para pagar sua dívida.

Com isso, as bolsas internacionais acentuaram suas quedas durante o dia, com o petróleo caindo e o dólar subindo. No Brasil, a divisa norte-americana chegou a ter valorização de mais de 1 por cento frente ao real.

O candidato a primeiro-ministro pela Coalizão de Esquerda, Alexis Tsipras, deu início nesta terça-feira aos esforços para formar um novo governo, renunciando aos termos da ajuda internacional e ameaçando nacionalizar os bancos.

Antonis Samaras, líder do partido conservador Nova Democracia, que ficou em primeiro nas eleições de domingo, afirmou que Tsipras levaria a Grécia para fora do euro com sua exigência de que as promessas feitas em troca do resgate da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) sejam desfeitas.

Líderes políticos da Alemanha alertaram, também nesta terça-feira, que, se a Grécia não cumprir com todas as condições estabelecidas no plano de resgate, a ajuda será suspensa.

Esse cenário fez com que as principais bolsas europeias caminhassem para sua maior queda em quatro meses. O índice FTSEurofirst 300, que reúne as principais ações da zona do euro, por exemplo, fechou com baixa de 1,66 por cento, a 1.017 pontos.

As bolsas de valores dos Estados Unidos acompanharam esse movimento externo e também fecharam em baixa nesta terça-feira, embora tenham conseguido reduzir as perdas perto do encerramento do pregão, ficando bem acima das mínimas registradas ao longo do dia.

Com a preocupação em torno da Grécia, dados sobre a produção industrial da Alemanha referentes a março acabaram ofuscados. O Ministério da Economia alemão informou que a produção saltou 2,8 por cento em março em relação ao mês anterior, superando previsões de uma pesquisa da Reuters que apontava crescimento de 0,8 por cento.

No mercado doméstico, a tendência não foi diferente, e a bolsa brasileira caiu mais de 1 por cento em função do cenário externo, sendo que, no intraday, chegou a cair mais de 2 por cento.

A piora no ambiente internacional ainda levou o dólar a subir quase 1 por cento frente ao real nesta terça-feira. A divisa norte-americana fechou cotada a 1,9387 na venda, o maior valor desde 14 de julho de 2009, quando fechou a 1,9700 real.

O Banco Central ainda completou seis sessões seguidas sem atuar no mercado cambial.

Também no mercado doméstico, os juros futuros interromperam a trajetória de queda vista desde as mudanças nas regras da poupança e ampliaram ganhos com o mercado voltando a se preocupar com a inflação, depois que o Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) teve forte aceleração.

A Fundação Getulio Vargas (FGV) informou que o IGP-DI subiu 1,02 por cento em abril, após registrar elevação de 0,56 por cento em março.

A FGV também informou nesta terça-feira que o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) acelerou para alta de 0,57 por cento na primeira quadrissemana de maio, após fechar abril com avanço de 0,52 por cento.

O mercado ainda passou a esperar uma aceleração do Índice Geral de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril, que será divulgado na quarta-feira.

Além do IPCA, serão anunciados no Brasil na ocasião o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe referente à primeira quadissemana do mês, os indicadores industriais da Confederação Nacional da Indústria (CNI) de março e dados do fluxo cambial semanal. O BC ainda divulga o IC-Br relativo ao mês de abril.

Nos Estados Unidos, está prevista apenas a divulgação dos estoques no atacado de março. Na Alemanha e na França sairão dados das respectivas balanças comerciais relativas ao mês passado.

Veja como ficaram os principais mercados financeiros nesta terça-feira:

CÂMBIO

O dólar fechou a 1,9387 real, em alta de 0,93 por cento frente ao fechamento anterior.

BOVESPA

O Ibovespa caiu 1,40 por cento, para 60.365 pontos. O volume financeiro na bolsa foi de 7 bilhões de reais.

ADRs BRASILEIROS

O índice dos principais ADRs brasileiros caiu 1,82 por cento, a 29.361 pontos.

JUROS <0#2DIJ:>

No call das 16h, o DI janeiro de 2014 estava em 8,380 por cento ao ano, ante 8,240 por cento no ajuste anterior.

EURO

Às 18h41 (Brasília), a moeda comum europeia era cotada a 1,3001 dólar, ante 1,3052 dólar no fechamento anterior nas operações norte-americanas.

GLOBAL 40

O título de referência dos mercados emergentes, o Global 40, subia para 132,188 por cento do valor de face, oferecendo rendimento de 0,965 por cento ao ano.

RISCO-PAÍS

O risco Brasil subia 2 pontos, para 190 pontos-básicos. O EMBI+ avançava 5 pontos, a 330 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

O índice Dow Jones fechou em queda de 0,59 por cento, a 12.932 pontos, o S&P 500 registrou desvalorização de 0,43 por cento, a 1.363 pontos, e o Nasdaq perdeu 0,39 por cento, aos 2.946 pontos.

PETRÓLEO

Na Nymex, o contrato de petróleo mais curto caiu 0,93 dólar, ou 0,95 por cento, a 97,01 dólares por barril.

TREASURIES DE 10 ANOS

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos, referência do mercado, subia, oferecendo rendimento de 1,8419 por cento, frente a 1,8730 por cento no fechamento anterior.

(PANORAMA1, PANORAMA2 e PANORAMA3 são localizados no terminal de notícias da Reuters pelo código ).(Reportagem de Danielle Fonseca; Edição de Frederico Rosas)