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PANORAMA3-Bolsas têm fortes perdas; cresce aversão ao risco por UE

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SÃO PAULO, 25 Jun (Reuters) – As bolsas tiveram nesta segunda-feira um dia de fortes perdas no Brasil e no exterior, com o cenário de incertezas na zona do euro aumentando a aversão ao risco nos mercados, e Espanha e Chipre anunciando pedidos de ajuda financeira internacional.

A falta de esperanças quanto a avanços conjuntos no combate à crise da dívida no bloco monetário europeu durante a próxima cúpula da União Europeia (UE), que começa na quinta-feira, em Bruxelas, reforçou o clima de insegurança nos mercados.

A chanceler alemã, Angela Merkel, já afirmou nesta segunda-feira que a responsabilidade compartilhada da dívida com a zona do euro é “econômica errada” e “contraproducente”, e se mostrou preocupada de que esse seja o foco da cúpula.

Em Wall Street, os três principais indicadores fecharam com quedas acima de 1 por cento, com o Nasdaq tendo flertado com o patamar de 2 por cento de baixa. Na Europa, o principal índice de ações do continente registrou sua maior queda diária em mais de três semanas, liderado pelo recuo de papéis do setor bancário.

No Brasil, o Ibovespa seguiu o movimento externo, embora com peso extra do tombo das ações da Petrobras, e encerrou o dia com queda de quase 3 por cento. Problemas em um dos componentes da divulgação de market data prejudicaram ainda parcialmente a divulgação das cotações no segmento Bovespa à tarde.

No mercado doméstico, ainda vale destacar que as ações preferenciais da Petrobras tiveram a maior queda diária desde novembro de 2008, com investidores repercutindo o detalhamento do novo plano de negócios da estatal, que reduziu meta de produção, e o reajuste de preços de combustíveis abaixo do esperado.

No mercado de câmbio, o dólar fechou estável frente ao real, no décimo pregão sem atuação do Banco Central. Operadores citam as incertezas no exterior ainda como ameaças para uma pressão de alta sobre a moeda norte-americana.

Às 18h56(horário de Brasília), o dólar tinha alta de 0,23 por cento ante uma cesta de divisas, enquanto o eurocaía 0,02 por cento ante a moeda dos EUA.

A segunda-feira foi mais um dia de forte sensibilidade dos mercados às manchetes envolvendo o bloco europeu, com a Espanha pedindo formalmente ajuda para seus bancos e o Chipre anunciando que buscará fundos da UE para orçamento e bancos.

A Grécia, que já recebe ajuda oficial por meio de um programa de resgate, ainda perdeu nesta segunda-feira seu ministro das Finanças, que renunciou ao cargo após uma doença tê-lo deixado no hospital por vários dias.

Segundo a Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, falou nesta segunda-feira com o recém eleito primeiro-ministro da Grécia, Antonis Samaras, e pediu a ele para que a Grécia trabalhe mais próxima da UE e de outras instituições enquanto busca realizar reformas econômicas.

Entre as commodities, os futuros do petróleo negociados nos EUA fecharam em baixa nesta segunda-feira, também refletindo a diminuição de esperanças para o encontro da UE, além da informação de que a tempestade tropical Debby, a primeira nomeada da temporada com possibilidade de atingir o Golfo, não tocou importantes áreas produtoras de petróleo.

FOCUS E JUROS FUTUROS

No cenário doméstico, os juros futuros operaram em forte queda nesta segunda-feira, refletindo não apenas o maior pessimismo no cenário externo, como também o relatório Focus, que apontou um crescimento menor da economia brasileira.

O documento mostrou que o mercado reduziu pela sétima vez seguida sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012, cortando ainda suas estimativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medidor oficial de inflação, no final deste ano.

Em dados separados, a Fundação Getulio Vargas (FGV) informou que o seu Índice de Confiança do Consumidor (ICC) recuou 2,8 por cento em junho na comparação com maio.

À tarde, o Tesouro Nacional reportou que a dívida pública mobiliária federal interna subiu 2,14 por cento em maio frente a abril, enquanto o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior anunciou que a balança comercial registrou déficit de 119 milhões de dólares na quarta semana de junho.

AGENDA

O calendário de divulgação de indicadores prevê para a terça-feira, no cenário doméstico, o anúncio do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de São Paulo, referente à terceira quadrissemana deste mês, e do Índice Nacional de Custo da Construção-M (INCC-M), relativo a junho.

O BC, por sua vez, divulga dados sobre operações de crédito, inadimplência e spread bancário, enquanto a Receita Federal disponibiliza o resultado da arrecadação federal de impostos e contribuições. Ambos os anúncios são referentes a maio.

No cenário externo, analistas e operadores aguardam também os índices de confiança do consumidor de junho nos EUA, Alemanha e França, além do indicador Standard & Poor’s/Case Shiller sobre preços de moradias norte-americanas.

Veja como fecharam os principais mercados financeiros nesta segunda-feira:

CÂMBIO

O dólar fechou a 2,0660 reais, em alta de 0,06 por cento frente ao fechamento anterior.

BOVESPA

O Ibovespa fechou com queda de 3,07 por cento, para 53.805 pontos. O volume financeiro ficou em 4,6 bilhões de reais.

ADRs BRASILEIROS

O índice dos principais ADRs brasileiros caiu 2,42 por cento, a 25.765 pontos.

JUROS <0#2DIJ:>

No call das 16h, o DI janeiro de 2014 estava em 7,950 por cento ao ano, ante 8,050 por cento no ajuste anterior.

EURO

Às 18h56 (Brasília), a moeda comum europeia era cotada a 1,2501 dólar, ante 1,2568 dólar no fechamento anterior nas operações norte-americanas.

GLOBAL 40

O título de referência dos mercados emergentes, o Global 40, subia para 129,250 por cento do valor de face, oferecendo rendimento de 1,428 por cento ao ano.

RISCO-PAÍS

O risco Brasil seguia com alta de 7 pontos, para 215 pontos-básicos. O EMBI+ avançava 7 pontos, a 378 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

O índice Dow Jones caiu 1,09 por cento, a 12.502 pontos, o S&P 500 registrou desvalorização de 1,60 por cento, a 1.313 pontos, e o Nasdaq caiu 1,95 por cento, aos 2.836 pontos.

PETRÓLEO

Na Nymex, o contrato de petróleo mais curto caiu 0,55 dólar, a 79,21 dólares por barril.

TREASURIES DE 10 ANOS

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos, referência do mercado, subia, oferecendo rendimento de 1,6041 por cento, frente a 1,676 por cento no fechamento anterior.

(PANORAMA1, PANORAMA2 e PANORAMA3 são localizados no terminal de notícias da Reuters pelo código ).(Por Frederico Rosas; Edição de Danielle Fonseca)