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Obama propõe orçamento de US$ 3,99 tri e desagrada republicanos

Proposta inclui taxação de grandes fortunas. Medidas precisam de aprovação do Congresso, que é liderado pela oposição

Por Da Redação 2 fev 2015, 15h56

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apresentou nesta segunda-feira um orçamento de 3,99 trilhões de dólares para o ano fiscal de 2016, abrindo uma batalha com os republicanos em torno dos programas para aumentar a renda da classe média por meio de impostos mais elevados para as grandes corporações e para a parcela mais rica da população.

O orçamento é um documento político e um roteiro fiscal que, para entrar em vigor, precisa da aprovação do Congresso, controlado pelos republicanos. “Nossa esperança é que, ao expressar uma visão econômica clara centrada em torno da classe média e do crescimento econômico, nós vamos ser capazes de ter uma conversa produtiva (com os republicanos) e progredir ao longo do ano”, disse um funcionário do governo no domingo, ao esboçar uma prévia do orçamento.

Altos funcionários do governo norte-americano disseram que o orçamento prevê um déficit de 474 bilhões de dólares ou de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB), devendo se estabilizar neste patamar ao longo dos próximos dez anos. Além de incluir propostas feitas no discurso do Estado da União, o orçamento destaca prioridades dos democratas para o último ano do mandato de Obama e para o início da campanha presidencial de 2016.

Os democratas consideraram o orçamento uma afirmação das prioridades do presidente e uma oportunidade para demonstrar que são o partido que representa a classe média. “O orçamento proporciona uma oportunidade para contrapor a sua visão de ajudar a classe média à abordagem do Congresso republicano, de exacerbar a desigualdade, ignorando a classe média e aumentando ainda mais os encargos daqueles que pretendem se inserir nela”, disse o presidente do Centro para o Progresso Americano, Neera Tanden. O Centro para o Progresso Americano tem laços estreitos com a Casa Branca.

Já os republicanos disseram ver espaço para um acordo em áreas como reforma tributária e infraestrutura. Mesmo assim, boa parte das propostas estabelecidas por Obama semanas antes do lançamento do orçamento provoca alvoroço. “Quando ele dedica seu tempo e energia para falar sobre as novas políticas de gastos e impostos progressivos a que os republicanos universalmente se opõem, ele sinaliza ao Congresso que está mais uma vez buscando brigar em vez de legislar”, disse o ex-assessor econômico do presidente republicano George W. Bush, Keith Hennessey.

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Compromissos – Segundo as autoridades, o orçamento inclui cerca de 1,8 trilhão de dólares em redução do déficit ao longo dos próximos dez anos por meio de reformas na saúde, nos impostos e na imigração. Mas a estimativa parte do princípio que os republicanos apoiarão as propostas de Obama, o que é pouco provável. Os republicanos barraram, por exemplo, a legislação para reforma da imigração na Câmara dos Deputados.

O governo ainda pretende reduzir a taxa de desemprego de 5,6% para 5,4% em 2015, além de propor uma série de obras de infraestrutura, um aumento de 6% em pesquisa e desenvolvimento e uma polêmica junção de agências governamentais do país. Obama chegou a propor anteriormente a junção de agências comerciais, mas a ideia fracassou.

O orçamento dedica 14 bilhões de dólares para o fortalecimento da cibersegurança depois de uma série de invasões por parte de hackers. Já em política externa, o orçamento financia esforços para derrotar os militantes do Estado Islâmico e apoiar aliados europeus e da OTAN contra agressões da Rússia. As informações são da Casa Branca.

(Com agência Reuters)

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