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O que o mercado espera sobre a decisão de metas de inflação pelo CMN

Ata do Banco Central impulsiona perspectiva de flexibilização monetária, reduzindo expectativa de alteração na meta de inflação

Por Luana Zanobia
Atualizado em 28 jun 2023, 20h47 - Publicado em 28 jun 2023, 15h22

A possível redução dos juros pelo Banco Central, mencionada na ata do Copom, está dissipando no mercado a possibilidade de alteração na meta de inflação, estabelecida em 3% para 2024 e 2025. Nesta quinta-feira, 29, o Conselho Monetário Nacional (CMN) se reúne para discutir a meta de 2026 e uma possível revisão nas que já estão estabelecidas. O colegiado é formado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

A gestora Warren Rena acredita que a ata reforçou a expectativa de um início do processo de flexibilização dos juros. A projeção da corretora é que a Selic encerre o ano em 12% e chegue a 9,50% em meados de 2024. “A redução das expectativas de inflação é um fator importante nesse cenário, e a decisão do CMN sobre a meta de inflação será fundamental para diminuir as incertezas e alinhar as expectativas com a meta”, diz Sérgio Goldenstein, estrategista-chefe da Warren Rena e ex-diretor do BC.  

Enquanto alterações na meta perdem força, as discussões em torno de mudanças no cumprimento da meta ganham relevância. Há uma corrente favorável à adoção de uma meta contínua, que defendem que a mudança poderia acelerar a ancoragem das expectativas e permitir uma queda consistente da taxa Selic.

O banco Itaú espera que a meta de inflação seja mantida com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual, mas com a mudança para uma meta contínua e a delegação ao Banco Central da definição do horizonte de convergência. Segundo o banco, essa mudança traria avanços ao alinhar o Brasil às melhores práticas internacionais. “A mudança para uma meta contínua pode trazer avanços, como institucionalizar a prática do BC de mirar um horizonte contínuo, evitar medidas ineficientes e alinhar o Brasil a melhores práticas internacionais”, diz Mario Mesquita, economista-chefe do banco Itaú em relatório.

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No entanto, para implementar a meta contínua, será necessário redefinir o processo de verificação e possivelmente eliminar a necessidade de definir anualmente a meta pelo CMN. O banco ressalta que é importante manter um prazo de convergência adequado para evitar riscos de expectativas desancoradas e inflação acima da meta por um período prolongado. “Caso seja confirmada a meta contínua, espera-se que o BC continue buscando a convergência da inflação para 3% em cerca de 18 meses. Não seria apropriado alongar o prazo de convergência devido ao risco de expectativas desancoradas e inflação acima da meta por um período prolongado”, avalia Mesquita.

Para os especialistas, o sistema de metas no Brasil tem sido rígido por mais de duas décadas e necessita de atualizações. “Há muito tempo, venho defendendo a questão da mudança do ano-calendário. Imagine chegarmos em dezembro e haver um reajuste de combustíveis. Isso significaria que, mesmo estando dentro da meta durante o ano todo, no último mês, ela não seria cumprida”, diz Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating. No entanto, o economista acredita que se houver alguma mudança nessa reunião, pode ser um aumento no limite de tolerância de 1,5 ponto percentual para 2 pontos percentuais. “Se houver alguma alteração, acredito que será nessa direção”.

A expectativa é que os indicados do governo no Banco Central sejam mais favoráveis a uma abordagem menos rígida. É importante lembrar que em breve o governo terá novos indicados no Banco Central, o que pode influenciar a postura em relação à meta de inflação. O Ministério da Fazenda expressou apoio à ideia de uma meta contínua, argumentando que isso permitiria uma atuação mais flexível diante de choques externos.

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