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O dilema econômico citado por… Beyoncé

Com a nova canção, cantora mundialmente conhecida toca na ferida do mercado de trabalho dos EUA

Por Renan Monteiro Atualizado em 30 jun 2022, 11h33 - Publicado em 29 jun 2022, 14h18

Para além do seu enorme desempenho comercial e artístico, a cantora Beyoncé vem estimulando uma forte discussão econômica com a nova música Break My Soul. A letra da canção, que traz acordes e timbre típicos dos anos 90, intencionalmente ou não, remete a um dos principais movimentos registrados recentemente no mercado de trabalho dos Estados Unidos: o abandono em massa de empregos na busca por melhores salários e condições trabalhistas. A tendência vem sido chamada de Great Resignation, o grande pedido de demissão. 

O Departamento do Trabalho nos EUA, por meio dos dados do Departamento de Estatísticas de Trabalho, estima que havia 11,4 milhões de vagas abertas no fim de abril. Além disso, no mesmo mês, o número de trabalhadores deixando seus empregos foi de 4,4 milhões, levemente abaixo do recorde de 4,5 milhões em novembro de 2021. Com o mercado de trabalho, muitas pessoas têm abandonado funções e postos que as desagradam, um reflexo do período de quarentena, que fez muitos reverem a própria vida e suas atividades.

Capturando o zeitgeist sobre a economia americana, a cantora mundialmente conhecida tocou na ferida do problema com a sua canção. A palavra “emprego” (ou job, no original) aparece apenas três vezes na letra da música, porém, sempre acompanhada da ideia de abandono, superação e um novo começo. A correlação ganhou força nas redes sociais, após o lançamento da canção em 20 de junho, quando pessoas começaram a relacionar sua letra com o abandono de empregos. A música da superstar tem refletido e estimulado ainda mais o movimento “Quit-Toks”, iniciado no ano passado com pessoas se autodemitindo e divulgando o momento na rede TikTok.

Mercado aquecido 

Para além das questões estruturais como a cultura das organizações, um dos indicadores estimulando as demissões em massa, especialmente em 2022, tem sido o efeito inflacionário. A elevação dos preços na casa dos 8,6% nos Estados Unidos, maior índice em mais de 40 anos, prejudica o poder de compra da população. “Precisamos voltar à estabilidade de preços para que possamos ter um mercado de trabalho onde os salários das pessoas não sejam consumidos pela inflação”, disse Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, o banco central dos EUA, durante evento público no final de abril. 

O economista já classificou o aquecimento no mercado de trabalho por lá como “insustentável”. Em outras palavras, a taxa de desemprego mantida em 3,6%, um índice de baixa histórica, não teria estabilidade de longo prazo. “É nosso trabalho levá-lo (o mercado de trabalho) a um lugar melhor, onde a oferta e a demanda estejam mais próximas”, avaliou Powell. Em sua percepção, aliviar os níveis inflacionários, por meio do aumento na taxa de juros, também poderia ajudar o mercado a chegar a uma forma mais “sustentável” de pleno emprego.

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