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MP pede à Caixa acesso a relatório sigiloso sobre Gilberto Occhi

Procuradores da Operação Greenfield querem acesso a documento produzido pelo escritório de advocacia Pinheiro Neto a pedido do Conselho de Administração

Os procuradores da força-tarefa da Operaçao Greenfield requisitaram na sexta-feira acesso a uma investigação interna da Caixa sobre o presidente desse banco público, Gilberto Occhi. O relatório foi produzido pelo escritório de advocacia Pinheiro Neto a pedido do Conselho de Administração e é mantido em sigilo pela instituição financeira.

A investigação foi iniciada pelo Pinheiro Neto com base no relato do corretor e delator Lúcio Bolonha Funaro. Em sua colaboração premiada, Funaro acusou o presidente da Caixa de desviar recursos para o Partido Progressista (PP). 

“Sabia até que tinha uma meta do Gilberto Occhi, de produzir um valor ‘x’ por mês”, disse o delator, em um dos vídeos do depoimento prestado ao Ministério Público. No entanto, ele não soube dizer qual era o valor da meta.

“Qualquer verba da Caixa para sair, tudo quanto é verba do governo, tinha que passar pela diretoria dele. Tinha que passar na vice-presidência dele”, disse Funaro, em relação à atuação de Occhi. “E ele tinha uma meta, que não sei de quanto era. Meta de propina”, reforçou Funaro.

O relatório produzido pelo escritório Pinheiro Neto mapeou toda a evolução patrimonial de Occhi. O documento, segundo fontes relataram à reportagem, teria sido finalizado pelo escritório e estaria sob tutela do Conselho de Administração da Caixa Econômica Federal.

Novo presidente

Nesta terça-feira, os procuradores também enviaram à Presidência da República, ao Ministério da Fazenda e ao Conselho Administrativo da Caixa uma recomendação para que o novo presidente do banco seja escolhido por meio de um processo seletivo impessoal e com a produção de uma lista quíntupla. 

Atual presidente, Occhi deve deixar o comando do banco durante a reforma ministerial. Ele foi indicado pelo seu partido, o PP, para assumir o comando do Ministério da Saúde. 

Os procuradores argumentam que o modelo de escolha com processo seletivo tem por objetivo melhorar a gestão do banco e garantir a transparência.

Recrutamento

Em dezembro de 2017, os procuradores haviam recomendado o uso de um serviço de recrutamento para a formação dessa lista de nomes a ser escolhidos para o comando do banco. Com base nesses nomes, o presidente da República poderia escolher o mais bem preparado.

Na mesma recomendação de dezembro, os procuradores solicitaram a saída de todos os vice-presidentes da instituição. A saída só ocorreu em janeiro após o Banco Central também se posicionar a favor das mudanças. Ao todo, quatro vice-presidentes foram substituídos. 

Internamente no MPF, a nova recomendação é vista como um complemento da anterior e tem por objetivo evitar que um novo nome político seja indicado para a vaga de Occhi.

Até o fechamento deste texto, a reportagem não havia obtido um posicionamento dos envolvidos.