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Moderna diz ter obtido resultados robustos com vacina para Covid-19

Empresa, apoiada com 500 milhões de dólares do governo americano, viu suas ações dispararem após ter estudo publicado em respeitada revista de medicina

Por Machado da Costa - Atualizado em 14 jul 2020, 19h04 - Publicado em 14 jul 2020, 19h00

A vacina experimental do laboratório americano Moderna para Covid-19 mostrou, segundo a própria empresa, resultados robustos em estudos iniciais. De acordo com um estudo publicado por cientistas da companhia e publicado na revista New England Journal of Medicine, os testes provocaram respostas imunes em todos os 45 voluntários saudáveis​. As ações da companhia saltaram 16% nesta terça-feira, 14, indicando que o mercado, como um todo, acompanha de perto a evolução dos testes com vacinação e anseia por resultados positivos.

De acordo com a publicação, nenhum voluntário do estudo apresentou um efeito colateral grave, mas mais da metade relatou reações leves ou moderadas, como fadiga, dor de cabeça, calafrios, dores musculares ou dor no local da injeção. Eles eram mais prováveis ​​de ocorrer após a segunda dose e em pessoas que receberam a dose mais alta. Apesar dos resultados iniciais serem animadores, isso não significa que o caminho já está trilhado. Ainda há muito a se percorrer para que se possa garantir que uma vacina definitiva foi criada.

Especialistas dizem que uma vacina é necessária para pôr um fim à pandemia que adoeceu milhões e causou quase 575.000 mortes em todo o mundo.”O mundo precisa urgentemente de vacinas para se proteger contra a Covid-19″, disse a Dra. Lisa Jackson, do Instituto de Pesquisa em Saúde Kaiser Permanente Washington, em Seattle, e principal autora do estudo.

A pandemia criou uma necessidade sanitária global e uma corrida, também econômica, entre os laboratórios. No caso dos Estados Unidos, o governo está apoiando a vacina da Moderna com quase meio bilhão de dólares e a escolheu como uma das primeiras a entrar em ensaios em larga escala em humanos. Uma vacina bem-sucedida pode ser um ponto de virada o laboratório, com sede em Cambridge, Massachusetts, que nunca teve um produto licenciado.

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No mundo todo, já morreram 575.201 pessoas, segundo dados da universidade americana Johns Hopkins. Na corrida para interromper uma tragédia ainda maior, existem hoje em todo o planeta em torno de 160 projetos de imunizantes. Destes, 21 já estão em fase de testes clínicos em humanos — e dois chegaram à derradeira etapa exigida pelas agências regulatórias para aprovação. Ambos estão no Brasil: o de Oxford e o da chinesa Sinovac Biotech, que também desembarcou para testagem, por meio do Instituto Butantan, de São Paulo, ancorado pelo governo do estado. Especialistas ouvidos por VEJA acreditam que, com a aceleração de etapas, uma vacina possa ser posta em circulação ainda entre novembro e dezembro deste ano. A gigante Pfizer, por exemplo, já começou a fabricá-la, mesmo sem certezas, em procedimento raro, mas justificável, de modo a ganhar tempo. Evidentemente, só a distribuirá depois de confirmações absolutas, com total segurança. Trata-se de uma corrida em que o vencedor (tomara que assim seja) ganhará em tempo recorde.

(Com Reuters)

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