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‘Militar sabe fazer conta’, diz Maia sobre apoio da categoria à reforma

Segundo o presidente da Câmara, Forças Armadas precisam apoiar as mudanças nas aposentadorias ou 'também ficarão sem receber salário'

Por Da redação - Atualizado em 18 mar 2019, 20h32 - Publicado em 18 mar 2019, 19h41

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, disse que os militares não devem se opor a mudanças de regras para eles na reforma da Previdência por saber “fazer conta”. O governo deve enviar ao Legislativo o projeto que altera as regras previdenciárias para as Forças Armadas ainda nesta semana. 

“Os militares sabem fazer contas, são pessoas bem preparadas. Ou eles vão ajudar a fazer a reforma nas Forças Armadas ou também ficarão sem receber salário. Se não fizer a reforma, o Brasil voltará aos tempos da hiperinflação, ou teremos um grande precatório nas aposentadorias de todos, porque não haverá recursos para pagá-las”, afirmou Maia, durante encontro sobre a reforma da Previdência na Fundação Getulio Vargas, em Botafogo, na Zona Sul do Rio.

O tempo mínimo para que um militar vá para a reserva subiria de trinta para 35 anos. Além disso, a alíquota iria de 7,5% para 10,5%.

Apesar de otimista em relação à aprovação das mudanças nas aposentadorias no primeiro semestre, Maia alfinetou o ministro da Economia, Paulo Guedes. Segundo ele, Guedes precisa se aproximar mais do Legislativo para ajudar na aprovação do texto.

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“Eu digo sempre ao ministro Paulo Guedes, que tem aprendido rápido a fazer política, mas que ainda precisa se aproximar mais da política: ‘Ministro, infelizmente, não temos 320 liberais no Parlamento brasileiro. É uma construção, mostrando aos parlamentares que não têm a agenda de reforma de que essa agenda da Previdência vai gerar condições para que o Estado brasileiro volte a ter condições de investir na melhoria da qualidade de vida das pessoas'”, contou Maia.

Desvinculação do Orçamento

Segundo Maia, a proposta de emenda constitucional de desvinculação do Orçamento feita por Guedes gera algumas polêmicas no curto prazo que podem atrapalhar o trâmite da reforma no Congresso.

“Se o governo encaminhar, vamos respeitar e vamos ajudar o debate. Mas ela [PEC da desvinculação do Orçamento] gera algumas polêmicas no curto prazo que podem atrapalhar, pode contaminar [a discussão da Previdência]. Mas, se for decisão do Senado debater, vamos debater, como ele vai ajudar na discussão da Previdência”, explicou Maia, ao deixar o prédio da Fundação Getulio Vargas (FGV), após participar da abertura de um seminário sobre a Previdência promovida pela entidade.

De acordo com o parlamentar, a desvinculação vai tratar de temas que ninguém vai mexer, mas vai mobilizar duas bancadas contra: educação e saúde. “É inócua a desvinculação na saúde e na educação, porque ninguém vai mexer nisso, a pressão é muito grande, principalmente a nível federal, talvez alguns estados e municípios tenham espaço para isso. Então você vai trazer duas bancadas que podem ajudar para um debate defensivo em relação a esse tema sempre negociando esse tema com a reforma da Previdência”, alertou.

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Para o deputado, o melhor seria deixar o debate da desvinculação para um segundo momento, de modo a não correr na Câmara em paralelo à discussão da Previdência. “Na Câmara, não deve ser paralelo, talvez no Senado a gente constrói um grupo para debater”, afirmou.

Segundo Maia, hoje, o governo ainda não tem os votos necessários para a aprovação do texto principal da reforma, que fixa a idade mínima em 62 anos para mulheres e 65 anos para homens.

“Não temos 320 deputados que foram eleitos com a agenda da reforma da Previdência. Temos que mostrar aos 320 a importância da reforma. Nós, que defendemos a urgência e a decisiva reforma da Previdência, precisamos mostrar a 250, 280 deputados que não foram eleitos com essa agenda, que, para que o Brasil volte a investir, a gente precisa da reforma da Previdência”, disse. Para aprovar a PEC, é necessário o apoio de ao menos 308 deputados, dos 513 do parlamento. 

O governo precisa se empenhar no diálogo com deputados e senadores para aprovar a reforma da Previdência. “O governo adotou um modelo de relação político-institucional que quebra paradigmas de décadas. É um modelo novo. E esse modelo novo precisa ser precedido de conversa, de diálogo e de entendimento”, ressaltou o senador, após encontro com o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.

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(Com Estadão Conteúdo e Agência Brasil)

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