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Merkel e Sarkozy concordam em não discutir mais BCE

Por Daniel Flynn e Emmanuel Jarry

ESTRASBURGO, França (Reuters) – Alemanha e França concordaram nesta quinta-feira em parar de discutir em público sobre o papel do Banco Central Europeu (BCE) na resolução da crise de dívida da zona do euro.

Após reuniões com o primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disseram que confiam na independência do BCE e que não tocarão em seu mandato de combate à inflação quando propuserem mudanças ao tratado da União Europeia. As alterações a serem apresentadas teriam o objetivo de atingir uma coesão fiscal maior dentro do bloco.

Os líderes também demonstraram confiança em Monti, um tecnocrata não eleito, para superar os desafios econômicos da Itália — em contraste ao desdém mal disfarçado destinado ao seu predecessor, o bilionário Silvio Berlusconi.

“Todos nós afirmamos nossa confiança no BCE e em seus líderes e afirmamos que, em respeito à independência dessa instituição essencial, precisamos nos abster de fazer exigências positivas ou negativas a ele”, disse Sarkozy em entrevista coletiva em Estrasburgo, no leste francês.

Ministros de Sarkozy vinham pedindo repetidamente para o BCE intervir de forma decisiva e conter a fuga de investidores do mercado de bônus da zona do euro. Merkel e seus ministros, por outro lado, têm dito que o tratado da UE impede que o BCE atue como credor de última instância.

Sarkozy disse que Paris e Berlim apresentarão propostas conjuntas antes da cúpula da UE, em 9 de dezembro, por mudanças no tratado que imponham uma disciplina orçamentária mais dura para a área de 17 nações.

Merkel disse que propostas para poderes mais intrusivos, que façam cumprir as regras de Orçamento da UE, são o primeiro passo para uma união fiscal mais profunda. Entre as propostas, há o direito de levar governos infratores para o Tribunal de Justiça da UE.

Porém, a chanceler disse que não serão modificados o estatuto e a missão do BCE, reafirmando também sua oposição à emissão de bônus conjuntos da zona do euro, com uma possível exceção aberta no fim de um longo processo de integração fiscal.

Autoridades francesas esperavam que Berlim desistisse de sua contrariedade a aumentar o papel do BCE no combate à crise, depois que a própria Alemanha fracassou em um leilão de bônus na quarta-feira, destacando a cautela dos investidores até com os ativos mais seguros da Europa.

“Há urgência (para a intervenção do BCE). Nós conversaremos sobre isso hoje em Estrasburgo”, disse o ministro francês do Exterior, Alain Juppé, à rádio France Inter, horas antes da reunião.

Sarkozy tinha se aproximado mais de Merkel nesta semana ao concordar em emendar o tratado da UE para permitir que poderes intrusivos mudem Orçamentos nacionais em nações que saiam dos trilhos na zona do euro. Juppé advertiu, entretanto, que mudanças no tratado podem levar anos por causa da necessidade de obter ratificação dos 27 Parlamentos nacionais.

ITÁLIA

Monti, por sua vez, repetiu o objetivo da Itália em atingir um Orçamento equilibrado até 2013, mas disse que há espaço para mais discussão sobre como as metas fiscais poderiam ser ajustadas em uma recessão pior que o previsto.

Os juros pagos em bônus italianos dispararam neste mês para mais de 7 por cento, nível considerado insustentável no longo prazo, desencadeando a queda de Berlusconi.

Manter a Itália solvente e capaz de tomar emprestado nos mercados de capital é vital para a sustentabilidade da zona do euro. Leilões importantes de bônus na semana que vem testarão a confiança do mercado no país.