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Mercado projeta crescimento menor do PIB neste e no próximo ano

Analistas preveem alta de 3,17% em 2021, abaixo da estimativa de 3,50% do início do ano; projeção da inflação está estável, mas acima do centro da meta

Por Larissa Quintino Atualizado em 5 abr 2021, 13h59 - Publicado em 5 abr 2021, 09h50

Depois de um 2020 de choque recorde na atividade econômica, analistas do mercado financeiro continuam a projetar uma recuperação da economia brasileira. O ritmo, porém, é menor do que o esperado quando o ano começou, principalmente por causa da nova onda de contaminações de Covid-19.

Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira, 5, pelo Banco Central, o PIB deve ficar em 3,17% neste ano e 2,33% em 2022. O recuo é mínimo em relação à semana anterior, de 0,01 ponto, mas mostra a mesma tendência. No caso da previsão para a economia em 2021, foi a quinta semana consecutiva em que os analistas passam a estimar um crescimento menor.

No início do ano, a projeção de crescimento chegou a 3,50%, mas, a partir das restrições maiores de governadores e prefeitos para tentar diminuir o contágio do novo coronavírus, a previsão começou a diminuir. No caso de 2022, foi a terceira revisão consecutiva para baixo. Há quatro semanas, os analistas consultados pelo BC viam o PIB em 2,5%. O crescimento do país depende muito da velocidade da vacinação. Porém, ainda há entraves na campanha de imunização brasileira.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. A previsão dos analistas está em linha com a do governo, que prevê alta de 3,2%. A última previsão do Banco Central é mais otimista, em 3,6%, assim como da OCDE, de 3,7%. Já o Banco Mundial prevê o PIB basileiro em 3%, abaixo da média mundial. Vale lembrar que a projeção do Banco Mundial foi divulgada na semana passada e já leva em consideração o cenário mais desafiador da economia por aqui. 

  • A volta da atividade econômica depende do andamento das reformas, essencial para melhorar o ambiente de negócios e para destravar investimentos, estimulando assim a recuperação. A PEC Emergencial, medida que cria gatilhos para o ajuste fiscal em caso de crise financeira, foi promulgada e abriu espaço para a reedição do auxílio emergencial, que começa a ser pago na terça-feira, 6. O valor está em menor proporção do que no ano passado, mas suficiente para aumentar a atenção sobre o risco fiscal do país caso o restante da agenda reformista não ande. O auxílio deverá pagar parcelas entre 175 reais e 375 reais nos próximos quatro meses.

    Outra variável medida pelo Boletim Focus que ligava o alerta era a inflação. Depois de 12 semanas consecutivas de alta na previsão do IPCA, o mercado financeiro não mexeu na estimativa da inflação nesta semana. De acordo com os economistas consultados pelo BC, o IPCA deve chegar a 4,81% ao fim do ano, acima da inflação acumulada em 2019 e também acima do centro da meta para o indicador no ano, de 3,75%, mas ainda dentro da margem de tolerância, que vai até 5,25%. A alta dos preços também é projetada para 2022, com inflação a 3,52%, ligeiramente acima dos 3,51% da semana anterior.

    O BC mexe na taxa de juros como diretriz da política monetária, já que uma das principais funções da entidade é ser a guardiã da moeda. Quando a inflação sobe, a alta dos juros é um caminho natural, já que, com juros mais caros, o consumo é desestimulado. Com menor demanda, os preços tendem a cair.  Porém, o peso nos preços do país hoje se devem muito mais à alta do câmbio e à cotação das commodities no mercado internacional do que ao aquecimento da demanda da população.

    A inflação serve como um termômetro da economia e diversas variantes a afetam. No ano passado, o índice chegou a ter deflação entre abril e maio, devido à queda do consumo e, posteriormente, voltou a subir com o reaquecimento da economia. Com maior demanda aqui e no mundo por alimentos, além de outras variáveis como o real desvalorizado e commodities caras, os preços começaram a subir e impactaram no indicador, que fechou o ano em 4,52%, acima do centro da meta de 4% definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

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