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Mercado projeta inflação acima do teto em 2011

Por José de Castro

SÃO PAULO, 19 Dez (Reuters) – Os agentes financeiros reduziram novamente suas previsões para a inflação no próximo ano e em 12 meses, mas elevaram a projeção de 2011 para acima do teto da meta, mostrou o relatório Focus do Banco Central (BC) nesta segunda-feira.

Ao mesmo tempo, o mercado diminuiu a expectativa de crescimento econômico para este ano, enquanto manteve a perspectiva para a Selic no final de 2012 em 9,50 por cento.

De acordo com o gestor de renda fixa e derivativos da Brasif Gestão, Henrique de la Rocque, a piora na projeção de inflação para este ano pode ser um reflexo da última leitura do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O IPC-S subiu 0,72 por cento na segunda quadrissemana de dezembro, maior taxa desde a primeira semana de setembro.

Também na semana passada, o mercado soube que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, referência do regime de metas do governo) fechou novembro com alta de 0,52 por cento, levando a taxa em 12 meses a 6,64 por cento. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a leitura de dezembro deve ser de no máximo 0,50 por cento para que o IPCA não supere o teto da meta, de 6,50 por cento.

Para de la Rocque, a aparente “contradição” entre piora no cenário de preços para este ano e também para a economia deve acabar em 2012, conforme os próprios números do Focus mostram.

O prognóstico para os preços em 2012 recuou pela terceira semana consecutiva, com investidores avaliando o efeito da desaceleração da economia sobre os custos às famílias. A estimativa para a alta do IPCA no próximo ano caiu a 5,39 por cento, ante 5,42 por cento na semana anterior.

A expectativa para os próximos 12 meses caiu para 5,40 por cento, contra 5,44 por cento

A taxa ainda se encontra acima do centro da meta do governo, de 4,5 por cento, mas a série de quedas na projeção para 2012 favorece a avaliação do BC de que a inflação convergirá para o centro da meta naquele ano.

O decréscimo nas estimativas para os preços ocorre em linha com a redução nas perspectivas para o crescimento da economia neste ano, após recentes indicadores revelarem o impacto da crise internacional sobre a atividade doméstica. Tal quadro foi referendado pelos dados do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, que mostraram estagnação da economia ante os três meses anteriores.

No Focus, o prognóstico para o crescimento do PIB neste ano caiu a 2,92 por cento, ante 2,97 por cento na semana anterior, quarta baixa seguida. Para 2012, o mercado manteve a previsão de alta de 3,40 por cento da atividade.

Investidores deram uma pausa na redução da perspectiva para a Selic no próximo ano, que permaneceu em 9,50 por cento ao ano. Mas os agentes seguem prevendo aperto monetário em janeiro de 2013, com a mediana das estimativas apontando a taxa básica de juros em 9,63 por cento no início daquele ano.

Para a LCA Consultores, o quadro de incerteza nos mercados internacionais deve estimular o BC a atrasar a retomada do aperto monetário.

“A recuperação da economia americana, mais dinâmica do que antecipávamos na primeira metade de 2011, e a reação do governo chinês à desaceleração de sua economia evitarão uma queda muito acentuada dos preços das commodities, mas os riscos associados à crise na Europa predominarão sobre a economia brasileira”, afirmou em nota a equipe de analistas da consultoria.

A expectativa para a taxa de câmbio permaneceu em 1,80 real por dólar e em 1,75 real por dólar para o final de 2011 e de 2012, respectivamente.

(Por José de Castro; Edição de Hélio Barboza)