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Mercado espera manutenção da Selic em 14,25% em reunião desta quarta-feira

Apenas dois dos 73 analistas consultados acreditam que o Banco Central vai aumentar a taxa de juros no fim deste ano

Certos de que o mergulho do Produto Interno Bruto (PIB) empurrará a inflação mais para perto do centro da meta em 2016, setenta e três analistas do mercado financeiro consultados pela Agência Estado afirmaram que a taxa básica de juros (a Selic) permanecerá em 14,25% ao ano na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que começou nesta terça-feira e se encerra nesta quarta, após o fechamento da bolsa de valores. A taxa deve ficar estacionada neste patamar até o fim do ano.

Quando perguntados sobre como esperam a Selic para o fim de 2015, apenas dois dos profissionais consultados acreditam que o colegiado vai elevar a taxa de juros na última reunião do ano.

O maior aumento na reunião do fim de 2015, de 0,5 ponto porcentual, é esperado por Luis Fernando Horta, chefe do Departamento de Economia da Kinea Investimentos. A previsão dele está atrelada à crença de que o Banco Central (BC) terá de elevar os juros ainda neste ano para conter a pressão inflacionária decorrente do nível de câmbio em 4 reais. “Na Focus, as estimativas para o IPCA estão acima de 6,50%”, disse. Na pesquisa do BC, as instituições que mais acertam as projeções já veem a inflação em 2016 em 6,72%, conforme o levantamento do dia 13 deste mês.

Já para 2016, a maioria dos especialistas acredita na queda do juro, pois a atividade fraca pode afetar com mais intensidade a inflação no ano que vem. De um total de 65 instituições participantes, 47 acreditam que a taxa de juros fechará 2016 entre 11% e 13,75% ao ano. Já 17 casas estimam que a Selic ficará inalterada em 14,25%, enquanto uma espera elevação dos juros para 16%.

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Outro que prevê aumento do juro nominal até o fim do ano é o superintendente de câmbio da SLW Corretora, João Paulo de Gracia Corrêa. Ele trabalha com a Selic encerrando 2015 em 14,50% ao ano. Para ele, o BC deverá elevar a Selic na última reunião do ano para conter o aumento da inflação no começo do próximo ano, período em que há registros de aumentos de preços de alimentos, gastos com educação e aumento impostos.

Horta, da Kinea, por sua vez, avalia que o rebaixamento do rating de BBB para BBB- e a manutenção da perspectiva negativa para a economia pela agência Fitch não deve mover o BC a reajustar a taxa de juros no fim do ano. “Acho que não. Nem que tivesse perdido o investment grade. Expectativas de inflação na Focus acima de 6,5% para a reunião de novembro é que deve levar o BC a subir juros”, reforçou.

No entendimento do economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Camargo Rosa, o BC deve manter a Selic em 14,25% até parte de 2016, pois acredita que a taxa neste nível poderá fazer com que as expectativas de inflação desacelerem, levando o IPCA para 4,50% no fim do ano que vem. “A convergência das expectativas é que vai ser um sinal de mudança na condução da política monetária”, disse.

De certa forma, Camargo Rosa acredita que o BC não está mais olhando tanto para a inflação de 2016, mas para a de 2017. Conforme ele, no ano que vem ainda haverá algum realinhamento dos preços administrados que tende a afetar a inflação daquele período. Se a CPMF voltar, disse, a pressão deve ser ainda maior. “Aí, fica difícil buscar 4,50%”, afirmou.

(Com Estadão Conteúdo)