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Menor demanda faz indústria nacional exportar mais por menos

Preço médio da tonelada enviada pelo Brasil ao exterior atingiu o menor nível desde 2009, quando o mundo ainda vivia os efeitos da crise mundial

O acirramento da competição em mercados estratégicos e a menor demanda global têm obrigado a indústria brasileira a exportar mais por menos. O preço médio da tonelada enviada pelo país ao exterior atingiu o menor nível desde 2009, quando o mundo ainda vivia os efeitos da crise mundial, segundo levantamento feito para o jornal Folha de S. Paulo. O estudo considera os embarques de manufaturados, bens de alto valor agregado, de janeiro a setembro de cada ano.

Os dados mostram que, neste ano, o Brasil recebeu, em média, 1.500 dólares por tonelada exportada – queda de 15% ante o ano passado. Em 2011, o preço médio chegou a 2.000 dólares. Os números refletem um período de dificuldade dupla. Por um lado, o mercado está desaquecido. A Organização Mundial do Comércio (OMC) já reduziu a expectativa de crescimento no comércio internacional de 4% para 2,8% — bem abaixo da média histórica, de 5%.

Por outro lado, a perda de espaço em mercados estratégicos, como Europa e Argentina, força a redução de preços. “Estamos vivendo a confluência perversa de competição forte e mercados deprimidos. Tivemos de acompanhar o ritmo de China e outros mercados e, para vender um pouco mais, baixar o preço”, diz Carlos Abijaodi, diretor da CNI (Confederação Nacional da Indústria).

A situação se repete em diversos segmentos industriais, segundo dados da Funcex (que estuda o comércio exterior). As vendas de tubos de ferro ou aço, por exemplo, ficaram praticamente estáveis nos noves primeiros meses do ano, mas o valor levantado em dólares caiu 24%.

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(Da redação)