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Mantega admite efeitos da crise internacional sobre os Brics

Em Tóquio, ministro afirmou que países terão de aceitar um crescimento menor

Por Da Redação - 11 out 2012, 07h38

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu nesta quinta-feira que os países que integram o grupo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) estão sendo afetados pela desaceleração da economia mundial. “Isto reduziu o ritmo de crescimento de todos. Houve uma redução muito forte das trocas comerciais. Em 2012, está havendo um dos menores crescimentos do comércio internacional, que vai avançar menos de 3%”, destacou, após participar de uma reunião dos Brics, em Tóquio. O ministro ainda afirmou que os países membros dos Brics têm uma opinião semelhante à exposta pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no relatório Perspectiva da Economia Mundial, lançado nesta semana, que destacou que o nível de atividade global está num ritmo de recuperação abaixo do que era previsto nos últimos meses.

De acordo com Mantega, os Brics vão buscar um entrosamento maior porque vão registrar expansão maior do que as que serão registradas pelas economias desenvolvidas nos próximos anos. “Ainda assim, alguns Brics que estavam crescendo com taxas muito elevadas, como China e Índia, terão de se contentar com taxas um pouco menores”, apontou. No caso do Brasil, o ministro ressaltou que o nível de atividade está em aceleração e voltando a níveis mais favoráveis. “O Brasil teve uma desaceleração da sua economia no primeiro semestre deste ano. Estamos acelerando o crescimento no segundo semestre e voltando aos patamares de crescimento acima de 4%”, afirmou.

Fundo dos Brics – Mantega apontou que, por causa da redução do ritmo de atividade dos países desenvolvidos e do comércio mundial, os Brics precisarão “estimular o mercado interno”, a fim de depender menos da Europa e dos EUA. “Temos de estabelecer sinergia no nível financeiro. E estamos avançando um programa de pool financeiro entre nós, no sentido de criarmos um fundo que poderá colocar recursos nos países que necessitarem”, destacou. “Estamos falando de um mecanismo que os asiáticos chamam acordo de Chiang Mai; é um acordo financeiro, no qual os países grandes da região colocam recursos virtuais. Eles só serão usados se houver necessidade e será uma espécie de retaguarda financeira para os países”, disse Mantega.

“Estamos avançando na constituição desse mecanismo. Todos os países estão de acordo e estamos olhando os detalhes. E o melhor momento é agora, pois os Brics não estão precisando dessa sustentação. É bom lembrar que os Brics têm as maiores reservas internacionais”, prossegui. De acordo com o ministro, não há uma data prevista para a entrada em vigor desse fundo, que poderá ganhar o formato de um tratado e precisará ser aprovado pelos Congressos dos países membros do Brics. “E nas próximas reuniões estaremos avançando sobre o tema”, disse.

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“Estamos avançando também com o banco de desenvolvimento chamado Sul-Sul. Esse seria o banco dos Brics. Uma comissão está trabalhando com isso. Esse banco será importante para financiar investimentos, como infraestrutura entre os países”, continuou. Segundo Mantega, os países combinaram fazer mais uma reunião no México em novembro. Por causa da tensão geopolítica entre China e Japão, provocada por uma disputa territorial relacionada a ilhas nas vizinhanças dos dois países, muitas autoridades de Pequim não viajaram para Tóquio a fim de participar da reunião do FMI. “A China estava representada. Havia um vice-presidente do Banco do Povo da China que tinha autoridade para representar. A discussão avançou bastante”, relatou Mantega.

Política monetária – Mantega ainda comentou a redução da taxa básica de juros da economia, a Selic, nesta quarta-feira, pelo Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central. Mantega afirmou que a decisão do BC de baixar a Selic de 7,50% para 7,25% colabora para reduzir o diferencial de taxas entre o Brasil e outros países no mundo. “A redução dos juros nos ajuda a diminuir a arbitragem e a impedir a valorização do real”, destacou, depois de participar de uma reunião dos Brics, em Tóquio. Perguntado sobre o que ele espera para a próxima reunião do Copom ele disse: “eu não espero nada.”

(Com Agência Estado)

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