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Líderes da Grécia chegam a acordo sobre reformas

O presidente do Banco Central Europeu Mario Draghi confirmou o consenso entre partidos gregos e troika

Os líderes políticos da Grécia chegaram a um acordo sobre as reformas e medidas de austeridade para assegurar o resgate necessário para o país, afirmou nesta quinta-feira o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, em coletiva de imprensa em Frankfurt.

Draghi disse que o primeiro-ministro grego Lucas Papademos lhe telefonou e declarou que havia obtido um acordo entre os maiores partidos políticos gregos. Segundo a agência grega ANA, os líderes dos três partidos que integram o gabinete de Papademos alcançaram uma posição comum após negociar o único ponto ainda pendente, referente a cortes nas aposentadorias complementares.

O acordo foi alcançado horas antes de os maiores credores da Grécia se reunirem em Bruxelas. O grupo de instituições conhecido como troika – a União Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) – pressionou o país em crise após uma reunião na quarta acabar sem definições.

Rascunho – O rascunho do acordo entre a Grécia e a troika prevê a dispensa de 150.000 servidores públicos até 2015, além de cortes profundos no pagamento de aposentadorias suplementares. Ao mesmo tempo, inclui uma redução de 22% no salário mínimo do setor privado e a abolição da estabilidade de emprego no setor público.

A versão preliminar do documento de 50 páginas projeta que a economia da Grécia encolherá de 4% a 5% em 2012 e voltará a crescer no primeiro semestre ano que vem. Calcula-se que essas medidas resultarão em uma redução de 600 milhões de euros nos gastos do Estado.

Sem perdão – Ao mesmo tempo em que saudou o avanço, Draghi descartou a hipótese de o BCE perdoar a dívida grega em seu poder.

Atualmente, bancos e fundos de investimento estudam eliminar de seus livros 100 bilhões de euros da dívida grega, ou cerca de 70% do total de títulos que detêm. O FMI diz que essa quantidade é insuficiente para reduzir o endividamento do país a níveis sustentáveis. Nessa situação, o BCE, que possui 45 bilhões de euros de bônus públicos gregos, tem sido instado a renunciar ao menos a uma parte desse montante.

Draghi já manifestou sua oposição a essa medida, alegando que ela implicaria em uma violação dos tratados europeus. “A ideia de que o BCE ponha dinheiro no programa de ajuda à Grécia viola a proibição de financiar os Estados”, disse.

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(Com Reuters)