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Leilão do BC tem demanda, mas banco não aceitou ofertas

Por Fernando Nakagawa

Brasília – Houve demanda por dólares no leilão de empréstimo da moeda realizado nesta quinta-feira, mas o Banco Central preferiu não aceitar as ofertas por avaliar que as taxas propostas estavam em patamar considerado não razoável. Uma fonte que acompanhou a operação do BC diz que as instituições financeiras apresentaram ofertas para ficar com os dólares que deveriam ser devolvidos em janeiro ou fevereiro de 2012. Mas, para isso, as mesas de câmbio pediram uma taxa considerada irreal pelo BC.

Nos dez minutos do leilão, bancos contataram o Banco Central para apresentar propostas. De posse das cotações pedidas, a instituição avaliou que nenhuma delas continha preços considerados justos. Por isso, a instituição decidiu não aceitar nenhuma oferta para os dois prazos da operação. No leilão, bancos comprariam dólares e teriam de devolver os recursos ao BC em 18 de janeiro de 2012 (30 dias corridos) ou 16 de fevereiro (59 dias corridos).

A diferença entre as taxas oferecidas pelo mercado e as consideradas justas pelo BC gera algumas interpretações. A primeira é que a falta de dólares no mercado brasileiro pode, eventualmente, não ser tão forte como têm reclamado algumas empresas e instituições financeiras nas últimas semanas. Outra leitura possível é a de que, apesar de uma eventual escassez da moeda gerada pelo agravamento da crise financeira, o mercado e o BC têm avaliações diversas sobre a gravidade, o alcance e as conseqüências desse ambiente desfavorável. Por isso, as duas partes entenderiam de maneira distinta quais seriam as cotações consideradas razoáveis.

Independentemente do sucesso ou fracasso da operação, a retomada do leilão, que não era realizado desde abril de 2009, foi tomada por muitas mesas de câmbio como um recado ao mercado. Para muitos operadores e analistas, a operação foi um aviso do BC: “Se precisar de dólar, estou aqui”. Outros, mais irônicos, dizem que o recado precisa ser completado com a expressão: “Então, não reclamem”.