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Juros futuros cedem reforçando aposta de queda da Selic

Por Da Redação - 18 out 2011, 15h47

Por Márcio Rodrigues

São Paulo – No primeiro dia da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o mercado de juros continua se fiando nas sinalizações da autoridade monetária de que ajustes moderados na Selic são condizentes com a convergência da inflação para a meta em 2012. Assim, a precificação na curva a termo de juros futuros ainda indica queda de 0,5 ponto porcentual da Selic, amanhã, sem que os dados de inflação conhecidos hoje e a criação de postos de trabalho acima do esperado em setembro alterassem tal cenário. No entanto, a demora na solução da crise de dívida e bancária da Europa e a leve desaceleração do crescimento chinês abriram espaço para que os agentes trabalhassem com um prolongamento do afrouxamento monetário em 2012.

Ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2012 (270.950 contratos) cedia a 11,14%, de 11,18% no ajuste, indicando redução de 0,55 ponto porcentual da Selic, amanhã, e mais 0,5 ponto no encontro de novembro. O DI janeiro de 2013, com giro de 300.625 contratos, recuava a 10,47%, de 10,55% na véspera, enquanto o DI janeiro de 2014 (74.585 contratos) estava na mínima de 10,75%, ante 10,89%. Os DIs janeiro de 2017 e de 2021 estavam, ambos, na mínima de 11,23%, ante 11,37% no ajuste de ontem, com 25.775 contratos e 2.090 contratos negociados, respectivamente.

Apesar do avanço das bolsas e das commodities, o noticiário externo é, mais uma vez, dúbio. Logo na abertura dos mercados ocidentais os investidores repercutiam a advertência dada pela agência de classificação de risco Moody’s, no fim da noite de ontem, de que a perspectiva estável do rating AAA da França está sob pressão devido a métricas mais fracas de endividamento e do potencial surgimento de novas obrigações. Além disso, do outro lado do mundo, a China informou ontem à noite que o PIB do terceiro trimestre cresceu 9,1% em relação ao mesmo período do ano passado, abaixo dos 9,5% do segundo trimestre e também das previsões dos economistas, que apontavam para uma expansão de 9,2%.

Diante desse quadro, os mercados abriram no vermelho, mas mudaram de lado depois que, novamente, a retórica entrou em ação. O ministro de Finanças da França, François Baroin, afirmou que o país está trabalhando em uma forte resposta à crise da dívida na zona do euro, na preparação para a reunião de cúpula da União Europeia. Disse ainda que o país fará tudo para manter seu rating AAA. Alguns resultados positivos de empresas dos Estados Unidos também ajudaram a impulsionar os ativos.

Internamente, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) indicou criação de 209.078 novas vagas de trabalho com carteira assinada no País em setembro, segundo o Ministério do Trabalho. O resultado ficou dentro do intervalo previsto pelo mercado, entre 150 mil e 240 mil postos, mas superou a mediana das estimativas, de 175 mil vagas formais.

No que diz respeito à inflação corrente, o IGP-10 divulgado hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) subiu 0,64% em outubro, ante 0,63% em setembro. A inflação na capital paulista, pedida pelo IPC-Fipe, subiu 0,27% na segunda quadrissemana de outubro, ante 0,23% no primeiro levantamento do mês e acima da mediana projetada pelo AE Projeções, de 0,25%.

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