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Juros caem com inflação menor e incertezas externas

Por Márcio Rodrigues

São Paulo – A desaceleração apontada pelos indicadores de preços – IPCA-15 e IGP-M – somou-se às seguidas indicações de que o Banco Central seguirá com seu atual plano de voo, até que a Selic chegue ao patamar de um dígito, e tirou prêmios dos juros futuros hoje. Além disso, em um mercado vendedor em taxa, o fato de as negociações ficarem suspensas por quatro dias devido ao carnaval fez os agentes se precaverem de uma eventual piora do ambiente externo, sobretudo porque todos preferem adotar a cautela quando o assunto é Grécia.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013 (127.690 contratos) recuava para 9,18%, de 9,22% no ajuste. Nesse patamar, o contrato janeiro de 2013 atribuía a expectativa de dois cortes de 0,50 ponto porcentual da taxa básica nos encontros do Comitê de Política Monetária de março e abril e mais um recuo adicional de 0,25 ponto porcentual. O DI janeiro de 2014 (180.195 contratos) cedia para 9,60%, de 9,65%na véspera. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (25.815 contratos) indicava 10,63%, de 10,67% ontem, e o DI janeiro de 2021 (2.395 contratos) marcava 11,02%, de 11,06% no ajuste.

Os dados domésticos concentraram as atenções no mercado de juros. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) de fevereiro desacelerou para 0,53%, ante aumento de 0,65% em janeiro e levemente abaixo da mediana de 0,55% encontrada pelo AE Projeções. Já a segunda prévia do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) teve deflação de 0,11% em fevereiro, após avançar 0,22% na segunda prévia de janeiro, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O resultado também ficou abaixo da mediana das expectativas (-0,07%). Pelo lado da atividade, a taxa de desemprego em janeiro atingiu 5,5% – em linha com as expectativas -, ante 4,7% em dezembro de 2011.

Lá fora, pelo menos nos EUA, os investidores também se preparam para um feriado. Na segunda-feira os norte-americanos comemoram o Dia do Presidente e os mercados estarão fechados. É difícil acreditar, no entanto, que ninguém estará de olho no noticiário econômico. Será nesse dia que os ministros das Finanças da zona do euro discutem a liberação do resgate de 130 bilhões de euros para a Grécia. A decisão, se positiva, pode aplacar, ainda que temporariamente, o pessimismo dos agentes. Caso contrário, a descrença em uma solução para a Grécia aumentará ainda mais.