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‘Juro alto é desincentivo para quem quer inovar’, diz CEO da Amaro

O suíço Dominique Oliver, fundador da Amaro, investe em logística para fazer frente ao mercado, mas vê Selic alta como empecilho a empreendedorismo

Por Felipe Mendes
8 dez 2022, 10h43

O suíço Dominique Oliver, CEO e fundador da grife de bem-estar e moda feminina Amaro, reconhece que a alta da taxa de juros no Brasil é um ‘mal necessário’, mas teme que um eventual novo ciclo de avanço da Selic possa vir a afugentar o consumo e, sobretudo, inibir a inovação e o empreendedorismo. “Os juros vão permanecer mais altos por mais tempo, pelo que está precificado nos juros longos. Isso simplesmente cria um desincentivo para quem quer inovar, investir e construir no país, já que torna muito mais confortável para investir em renda fixa e não tomar risco em equity [investimento em empresas]”, afirma ele, em entrevista a VEJA.

O executivo vê que, neste momento de retração da economia global, as empresas estão mais preocupadas com a busca pela rentabilidade do que com o ‘crescimento a qualquer custo’. Sobre os malefícios do atual patamar de juros para os consumidores, ele reconhece que é um inibidor para as compras no mercado de vestuário. “Acho que os consumidores estão com poder aquisitivo prejudicado, principalmente nas classes econômicas mais baixas, e isso bate direto no consumo discricionário, de forma geral.”

O juro mais elevado tem sido uma resposta do Banco Central à inflação do país. No mercado de vestuário, o índice de preços acumulado no ano até outubro avançou 15%, muito acima em relação às principais matérias-primas que compõem a cadeia da moda. Oliver reconhece que o repasse de preços, mas diz que, desde o terceiro trimestre, as consumidoras estão mais cautelosas. “Este ano, a inflação se acumulou muito e foi repassada para o consumidor. Mas, a partir do terceiro trimestre, a gente viu que a consumidora não está conseguindo absorver mais esse aumento de preço”, afirma ele. “Várias empresas pararam de aumentar e até retraíram um pouco em termos de preço nos últimos meses. Não temos muito mais espaço para repassar a inflação no ano que vem.”

Ele reconhece que os fatores que levaram o setor da moda a sofrer mais com a pandemia se dissiparam neste ano. “A pressão da cadeia produtiva tem ficado muito menos forte. Além disso, todos os custos marítimos de transporte diminuíram muito. Hoje, a gente está em um dos menores patamares de custo de frete marítimo nos últimos anos. Tudo voltou a ser como era antes da pandemia. Então, acho que a pressão de custo está muito menos acentuada hoje para nós hoje”, reitera.

Para fazer frente às rivais no ramo da moda, a varejista, que tem 21 unidades físicas pelo país, anunciou a expansão de sua malha logística, com entrega de até 3 horas para 5 mil produtos, sobretudo em cidades do Nordeste, onde uma compra poderia levar até sete dias para chegar às mãos de uma consumidora. A empresa também está implementando a retirada em seus espaços físicos em até 30 minutos após a aprovação da compra feita pela internet. “Isso faz diferença para que a consumidora compre mais vezes e com mais impulso”, diz Oliver. 

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