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Juncker se opõe a criar um comissário especial para a Grécia

Bruxelas, 30 jan (EFE).- O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, rejeitou energicamente nesta segunda-feira a proposta alemã para que a Grécia ceda o controle de seu orçamento e seja nomeado um comissário com poder de veto para tratar do assunto.

‘Me oponho fortemente à ideia de impor um comissário’, disse o primeiro-ministro de Luxemburgo ao chegar na cúpula informal dos chefes de Estado e governo da União Europeia.

‘Isso não é aceitável’, acrescentou, em referência à proposta feita pela Alemanha em um documento distribuído na semana passada aos governos da eurozona.

‘Não é aceitável nem para a Grécia, nem para mim’, disse Juncker, acrescentando que não concorda que a ideia da Alemanha deva ser aplicada apenas à Grécia, ‘se for uma regra geral’.

O chanceler austríaco, o social-democrata Werner Faymann, por sua vez, também condenou a proposta alemã, afirmando que ‘um comissário designado especialmente para um país não parece uma boa ideia’.

Em sua avaliação, é melhor que a Comissão Europeia atue como geralmente é feito em todos os países, com uma supervisão reforçada.

Já a comissão destacou que reforçará sua capacidade de fiscalizar o cumprimento das medidas de ajuste, mas detalhou que corresponde ao país a ‘responsabilidade’ de executá-las.

‘Essa responsabilidade repousa sobre seus ombros e deve seguir sendo assim’, afirmou em comunicado o porta-voz comunitário de Assuntos Econômicos e Monetários, Amadeu Altafaj.

A União Europeia manterá uma cúpula nesta segunda-feira, na qual realizará uma discussão ‘limitada’ sobre a situação da Grécia, já que a falta de avanços em várias frentes impede que a aplicação do segundo plano de resgate do país seja tratada em detalhes, indicaram fontes da diplomacia.

A Grécia ainda não fechou um acordo com bancos privados sobre uma grande moratória à dívida de Atenas que está em mãos de instituições internacionais, que foi inicialmente previsto para o último fim de semana.

Além disso, não concluiu o relatório técnico final da chamada ‘troika’ (formada por Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia) sobre a situação financeira da Grécia.

Por essa razão, a discussão desta segunda não aborda a possibilidade de disponibilizar mais fundos públicos para o programa de resgate grego, nem a possibilidade de que Atenas ceda parte da soberania. EFE