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Johnson sabe há décadas que talco poderia causar câncer, diz agência

Segundo reportagem da Reuters, empresa sabia da presença de amianto, uma substância proibida, em seus produtos

A Johnson & Johnson sabe há décadas que o seu talco continha amianto, uma substância cancerígena proibida no Brasil e em muitos outros países, indica a agência Reuters. Segundo a reportagem, uma revisão dos documentos relacionados a um processo que o gigante farmacêutico enfrentou e perdeu na Justiça dos Estados Unidos, comprova o conhecimento por parte da empresa.

A pesquisa revelou que entre 1971 e o início dos anos 2000, executivos, mineradores, doutores e até advogados estavam cientes de que o talco cru testava positivo para a presença de amianto. Muitas vezes, até mesmo no produto final era detectada a substância.

Em julho deste ano, nos Estados Unidos, em um processo movido no Estado do Missouri, a Johnson & Johnson foi condenada em júri popular a pagar 5 bilhões de dólares a 22 mulheres e suas famílias que alegam que o talco causou câncer nos ovários. Uma das alegações era justamente que fazia mais de quarenta anos que a empresa sabia que o produto poderia causar tais efeitos.

A empresa sempre negou a presença de amianto em seus talcos e recorre na Justiça americana contra a decisão. Em outubro do ano passado, em um outro processo, na Corte de Apelações de Los Angeles, a empresa conseguiu uma vitória e se livrou de pagar 417 milhões de dólares. A Corte considerou os argumentos insuficientes e vagos.

Outro lado

A empresa rebate as acusações. “O talco para bebês da Johnson & Johnson é seguro e não contém amianto”, afirma em comunicado. “Estudos com mais de 100.000 homens e mulheres mostram que o talco não causa câncer ou doenças relacionadas ao amianto. Milhares de testes independentes realizados por órgãos reguladores e laboratórios de pesquisa de referência mundial provam que nosso talco para bebês nunca conteve amianto.”