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Instabilidade política leva dólar a ultrapassar R$ 3,30

Crise na base aliada do governo, reforçada pela saída de Cid Gomes do Ministério da Educação, pode dificultar ainda mais o ajuste fiscal do governo

Por Da Redação - 19 mar 2015, 15h13

(Atualizado às 16h35)

Em mais um dia em que a instabilidade política domina os mercados, o dólar renovou a máxima em quase doze anos e superou a barreira dos 3,30 reais. Por volta das 15 horas, a moeda americana operava na máxima do dia, em alta de 2,881%, a 3,3067 reais na venda, o maior cotação desde abril de 2003. Perto das 16h30, a alta desacelerou para 2,69%, a 3,3006 reais. A valorização reflete, em parte, a crise local na base governista, com o novo ingrediente da saída de Cid Gomes do Ministério da Educação.

Atritos entre o governo e seus aliados no Congresso continuavam deixando investidores apreensivos, uma vez que podem dificultar ainda mais o ajuste fiscal. Na véspera, Cid Gomes pediu demissão do cargo de ministro da Educação depois de uma sessão tumultuada na Câmara dos Deputados, para evitar que a já complicada relação do governo com a base aliada se tornasse ainda pior.

“O custo político de fazer o ajuste está cada vez mais alto e o mercado não gosta disso”, disse o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira.

Os investidores também monitoram o encontro do presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, com representantes da Fitch, que estiveram nesta quarta-feira com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Embora nos mercados haja o temor de que um rebaixamento da nota de crédito do país esteja próximo, o governo estaria mais confiante agora de que conseguirá convencer a agência de que conduzirá o ajuste fiscal necessário e cumprirá a meta de superávit primário de 1,2% para este ano.

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Na véspera, o dólar havia recuado pelo terceiro dia seguido, reagindo ao tom de cautela adotado pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) em seu comunicado de política monetária. “O rali de moedas emergentes após a conclusão da reunião do Fed de ontem se provou pouco duradouro”, escreveram analistas da Capital Economics em nota a clientes.

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Leilões – Nesta manhã, a autoridade monetária deu continuidade às rações diárias vendendo a oferta total de até 2.000 swaps cambiais, que equivalem a 97,4 milhões de dólares. Foram vendidos 250 contratos para 1º de dezembro de 2015 e 1.750 para 1º de março de 2016. O BC fará ainda mais um leilão de rolagem dos swaps que vencem em 1º de abril, que equivalem a 9,964 bilhões de dólares, com oferta de até 7.400 contratos.

(Com agência Reuters)

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