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Impostos e juros altos são os maiores vilões do custo Brasil

Conjunto estrutural de encargos e burocracias encarece em até 25,4% os produtos brasileiros, aponta estudo da Fiesp

Por Luana Zanobia Atualizado em 12 set 2022, 14h56 - Publicado em 12 set 2022, 14h40

O chamado custo Brasil, que mede a diferença entre o custo sistêmico de se produzir no país em relação a outros considerando um conjunto estrutural de encargos e burocracias que afetam a competitividade da indústria, encarece os produtos brasileiros em até 25,4%, de acordo com o estudo elaborado pela Fiesp/Ciesp.

A carga tributária e os juros altos são os itens que mais impactam no custo Brasil. A carga tributária eleva em até 13% o preço dos produtos e a Selic em até 6,1%. Juntos, os dois são responsáveis por 19,1% da média total de 25,4%. O estudo compara os dados do Brasil e de seus 15 principais parceiros comerciais de 2008 a 2019. São eles: China, Estados Unidos, Alemanha, Argentina, Coreia, Japão, Itália, França, México, Índia, Espanha, Reino Unido, Suíça, Chile e Canadá. Os demais custos são compostos por matérias-primas e energia (3,7%), logística (1,5%), carga extra com benefícios (0,8%), e aluguéis e serviços prestados por terceiros (0,4%). “A expressão custo Brasil se refere ao custo da burocracia, dos impostos e de toda atividade administrativa que as empresas têm de fazer para que se possam se manter em dia com a legislação” diz Fernando Moura, sócio da Quality Tax, empresa de consultoria tributária e contábil do grupo CorpServices.

Segundo o estudo, o Brasil tem carga tributária maior que 12 deles e convive com uma das maiores burocracias tributárias do mundo. Na média de 2008 a 2019, a carga tributária brasileira atingiu 33,4% do PIB, enquanto nos países parceiros o percentual ficou em 26,4%. Além disso, somente para preparar e pagar impostos as empresas gastaram 2.354,6 horas por ano, 11,3 vezes maior que a média nos países parceiros. Estima-se que a indústria de transformação, por exemplo, gastou 25,5 bilhões de reais com burocracia dos tributos em 2020, o equivalente a 0,72% de seu faturamento. “Aqui no Brasil temos uma infinidade de tributos. Temos impostos sobre lucros – o imposto de renda; temos tributos sobre receitas – o PIS, Cofins e o IPI; e temos imposto sobre transações financeiras – o IOF, etc. Tudo isso entra na conta da empresa”, diz Moura.

Devido a todas essas burocracias, o Brasil é o país no qual é mais difícil fazer negócios e transações financeiras em todo o mundo, segundo o levantamento do Índice Global de Complexidade Corporativa (Global Business Complexity Index). É a segunda vez seguida que o país figura no topo do ranking de países mais burocráticos. Em 2020, o Brasil ficou em segundo lugar no pódio, perdendo apenas para a Indonésia.

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Em relação aos juros no período analisado de 2008 a 2019, a taxa média real da Selic foi de 4,2%, bem superior à taxa média dos 15 países analisados, que foi de 0,2%. Os spreads bancários pagos aqui foram, em média, dez vezes maiores.

A infraestrutura logística também não teve a melhor avaliação. O Brasil teve a pior nota do International Institute for Management Development (IMD) neste quesito, com 3,8 de média de 2008 a 2016. A Argentina ficou na frente com 4,3, assim como outros países emergentes como Índia (5,1) e México (5,5).

O estudo ainda considera o desalinhamento cambial ocorrido no período. O câmbio valorizado desestimula exportações e incentiva importações, pois torna o produto que vem de fora mais barato. Entre 2008 e 2019, a diferença média de preços do produto nacional para o importado resultante do desalinhamento cambial e do custo Brasil foi de 25,8%. A forte e rápida desindustrialização do país é uma das consequências desta situação. “Em 2021, a indústria representou 11,2% do PIB (mesmo valor de 1952) e já foi 21,8% em 1985. Além disso, a indústria perdeu também participação no mercado externo, saiu de 82% da pauta de exportações para 53%, entre 2001 e 2021. Para reverter este cenário, é necessário realizar uma reforma tributária, que implemente um Imposto sobre Valor Agregado (IVA), e voltar a valorizar as políticas industriais”, aponta o estudo da Fiesp.

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