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Ida de Guedes à CCJ é marcada por bate-boca e confusão

Deputados da oposição dominam questionamentos; sessão termina em tumulto após petista chamar o ministro da Economia de “tchutchuca”

Por Por Redação - Atualizado em 3 abr 2019, 23h34 - Publicado em 3 abr 2019, 19h59

A audiência do ministro da Economia, Paulo Guedes, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados (CCJ), nesta quarta-feira, 3, foi marcada por bate-boca, clima de tensão e troca de acusações entre os congressistas e o representante do governo Jair Bolsonaro. E acabou terminando após provocação de deputado que chamou Guedes de “tigrão” e “tchutchuca”. A sabatina tinha o objetivo de esclarecer aos deputados pontos sobre a reforma da Previdência.

A sessão foi encerrada por volta das 20h30, após o deputado Zeca Dirceu (PT-PR) afirmar que Guedes é “tigrão” com aposentados, idosos, agricultores e professores e “tchutchuca” quando trata dos mais privilegiados do país, banqueiros e rentistas. O ministro se revoltou com a declaração. “Tchutchuca é a mãe, é a avó”, afirmou Guedes. A sessão virou uma confusão generalizada e foi encerrada.

Em mais de seis horas de reunião, Guedes teve de responder a diversas perguntas, principalmente, de deputados da oposição, que conseguiram praticamente dominar os questionamentos ao ministro. Deputados do PT, do PSOL e do PSB foram protagonistas de bate-bocas.

Guedes se irritou com algumas interrupções de deputados que o questionavam durante a sua fala. O líder da oposição, deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), criticou pontos da reforma da Previdência sobre a idade de aposentadoria de  empregadas domésticas. O deputado deu exemplo de uma senhora que só se iria se aposentar aos 62 anos. O ministro rebateu e disse que, pelas novas regras, ela só iria se aposentar trabalhando cinco meses a mais. Os deputados se revoltaram e começou a discussão.

O ministro se exaltou e acusou os parlamentares de não terem agido nas últimas décadas para corrigir injustiças. “Vocês estão há quatro mandatos no poder. Por que deram dinheiro para a JBS? Por que deram privilégios para bilionários? Vocês estão há 18 anos no poder e não tiveram coragem de mudar. E não querem dar três meses ao novo governo.”

Guedes também criticou o fato de ser interrompido por deputados. “Eu ouvi, eu respeitei a Casa. Mas a Casa não está me respeitando, não me dá o direito de falar.”

Pouco antes de pedir uma pausa, o ministro ainda afirmou que a responsabilidade de avaliar a reforma é dos deputados. “A constitucionalidade é aqui. Nós temos especialistas, mas, se estivermos errados, com certeza os senhores irão corrigir. Sei que você estão representando um papel importante.”

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Na abertura da fala do ministro, no início da sessão, por volta das 14h30, Guedes se envolveu na primeira discussão com deputados da oposição. Enquanto falava, o ministro respondeu à deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) que perguntou, fora do microfone, sobre a necessidade da economia de 1 trilhão de reais em dez anos.

Outros deputados começaram a perguntar fora do microfone e Guedes perdeu a paciência. “Fala mais alto que eu não estou ouvindo”, disse a parlamentares, enquanto a situação gritava “Chile” em alusão ao sistema previdenciário do país, que utiliza a capitalização. Guedes caiu na provocação e respondeu. “O Chile tem 26 mil reais de renda per capita, quase o dobro do Brasil. Acho que a Venezuela está bem melhor.”

Deputados do PSOL levantaram cartazes com dizeres como “PEC da Morte” e “Reforma para banco lucrar”. 

Em outro momento, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) pediu para que o ministro apresentasse sua declaração de Imposto de Renda. Guedes respondeu que já a apresentou à Comissão de Ética. “Não é para ganhar [que entrou no governo], é para perder. Não tenha dúvida. É para fazer um Brasil melhor. Há problemas não resolvidos que estão se agudizando”, afirmou.

Crítica da proposta do governo para o benefício assistencial a idosos de baixa renda, a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) questionou o ministro se ele poderia viver com o valor defendido no texto. “O senhor conseguiria viver um mês, apenas um mês, de sua vida com 400 reais?”

Por volta das 20h, o ministro da Economia fez um comentário que incomodou o Congresso. “Quem aqui acha que ela [a reforma da Previdência] não é necessária? Isso é um problema sério. Sinceramente, vai ter que internar”, disse Guedes.

Os congressistas não aceitaram o comentário e o caracterizaram como uma afronta à Casa, o clima ficou tenso mais uma vez. Quando conseguiu reaver a palavra, Guedes explicou que não falava de sua proposta de reforma, mas que se referia à necessidade brasileira de algum tipo de mudança.

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