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Ibovespa cai com ressaca da superquarta e receios de inflação global

Investidores se frustram com queda de juros mais lenta que o esperado

Bruno AndradePor Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 mar 2026, 11h49 • Atualizado em 19 mar 2026, 12h27
  • O Ibovespa opera em queda nesta quinta-feira, 19, após as decisões de juros nos Estados Unidos e no Brasil, anunciadas na última quarta-feira, indicarem que o ritmo de cortes será mais lento do que o esperado. O mercado também segue apreensivo diante da disparada do petróleo, em meio a ataques de Irã e Israel a bases de gás e petróleo, o que aumenta as preocupações com a inflação global.

    Por volta das 11h47min, o Ibovespa recuava 0,61%, aos 178.528,30 pontos. Ontem, o banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve, manteve a taxa básica de juros no intervalo entre 3,5% e 3,75%. No comunicado, a autoridade monetária não descartou ajustar sua política caso a guerra no Oriente Médio dificulte o cumprimento da meta de inflação.

    Segundo André Valério, economista sênior do Inter, a decisão foi quase unânime, com o único voto dissidente sendo o de Miran. Para ele, chama a atenção a ausência de dissidência de Waller, que vinha defendendo a continuidade dos cortes. “O fato de ter havido apenas um dissidente implica uma postura levemente mais hawkish”, afirma Valério.

    Em janeiro, cerca de 60% do mercado precificava um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de 17 de junho de 2026. A maioria dos especialistas estimava uma redução total de 0,5 ponto percentual ao longo do ano, com a taxa encerrando 2026 entre 3% e 3,25% ao ano, segundo dados da plataforma FedWatch, da Bolsa de Chicago.

    No entanto, o cenário mudou com a guerra. Após o comunicado, o FedWatch passou a indicar divisão nas apostas: cerca de 35,7% dos investidores esperavam a manutenção dos juros no nível atual até o fim de 2026, enquanto 40,6% projetavam um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de 9 de dezembro. Nesse caso, a taxa encerraria o ano entre 3,25% e 3,5% ao ano.

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    Assim, a decisão do Fed ocorre em um momento de incerteza sobre o nível dos juros ao fim de 2026. O mercado agora oscila entre o intervalo de 3,25% a 3,5% e a manutenção entre 3,5% e 3,75%, acima da projeção predominante em janeiro, que apontava queda para 3% a 3,25% ao ano. Em resumo, a alta do petróleo e o risco inflacionário levaram à revisão para cima das expectativas para os juros americanos.

    Bruno Yamashita, coordenador de Alocação e Inteligência da Avenue, afirma que o banco central americano tem demonstrado maior preocupação com a inflação. Com isso, as expectativas do mercado futuro para cortes de juros perderam força ao longo do ano, pressionando os ativos locais.

    Tom do Copom divide mercado

    Além da decisão nos Estados Unidos, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central brasileiro também anunciou sua decisão. Ontem, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 15% ao ano para 14,75% ao ano.

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    Segundo Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, o Copom adotou um tom relativamente dovish, ainda que condicional, ao enfatizar a dependência dos próximos passos à evolução do cenário. “Em particular, o comitê destacou a relevância dos desdobramentos geopolíticos e de seus efeitos sobre a dinâmica inflacionária e as expectativas”, afirmou. Para ele, o ciclo de flexibilização deve prosseguir de forma gradual, com cortes de 0,25 ponto percentual nas próximas reuniões, refletindo o elevado grau de incerteza.

    Já Pedro Moreira, sócio da ONE Investimentos, avalia que o tom foi mais duro, devido à ausência de guidance para a próxima reunião. “Ainda há espaço para um novo corte, mas isso dependerá da evolução da inflação e, principalmente, dos efeitos do cenário internacional sobre as projeções do Banco Central”, diz.

    Por fim, Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, afirma que o mercado passou a precificar um ritmo mais lento de cortes de juros, especialmente com o petróleo pressionando a inflação. “Esse movimento também aparece nos juros futuros, que sobem justamente porque o prêmio de risco aumenta. Se essa dinâmica continuar, o Banco Central tende a manter uma postura mais cautelosa”, conclui.

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