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História de crescimento dos emergentes morreu, diz FT

Para o jornal britânico, até mesmo as características econômicas e sociais que uniam os países do grupo deixaram de existir

Por Da Redação - 26 Jul 2013, 16h23

O desempenho econômico abaixo do esperado verificado nos países emergentes ao longo do último ano coloca em evidência a tese de que a época de crescimento desses países chegou ao fim. Segundo o jornal britânico ‘Financial Times’, não só “a história de crescimento desses mercados morreu”, como também as características econômicas e sociais que os uniam não existem mais. O jornal não diz que os emergentes passarão por um período de recessão, mas ressalta que o crescimento dos anos anteriores não deve se repetir tão cedo.

De acordo com analistas ouvidos pelo ‘FT’, os emergentes são caracterizados pelo rápido crescimento impulsionado pelas exportações, algo que fez com que acumulassem enormes superávits em transações correntes, o que, por sua vez, os levou a criar grandes reservas internacionais e expandir a oferta de crédito. Contudo, nenhuma dessas características pode ser usada para descrever os países atualmente, informa o jornal.

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Para o ‘FT’, os protestos que ocorreram na Turquia e no Brasil são efeito dessa desaceleração. “O crescimento dessas economias não acompanha o ritmo das aspirações populares que começaram a surgir justamente antes da crise financeira de 2008-09”. O mercado de capitais reproduz com certa fidelidade esse declínio, chegando mesmo a antecipá-lo. A BM&FBovespa avançou apenas 7,4% no ano passado, refletindo a queda do interesse no investidor estrangeiro no mercado brasileiro. Neste ano, acumula queda de 20% até o pregão de quarta-feira, segundo a consultoria Economatica.

O Brasil, segundo o ‘FT’, é o garoto-propaganda da baixa performance dos emergentes na bolsa. “O governo brasileiro fez com que os investidores acreditassem que o enriquecimento do país nos últimos 15 anos foi resultado de uma transformação estrutural que sedimentou terreno para baixa inflação, boa governança e crescimento estável (…). Ele tem sua parcela de mérito. Mas, agora, analistas dizem que o crescimento do Brasil foi causado pelo boom dos preços das commodities (…). Mais recentemente, as políticas (do governo) têm sido muito menos amigáveis com o investidor”, diz o jornal.

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A revista ‘Economist’ também deu destaque aos emergentes em sua reportagem de capa da semana. Segundo a publicação britânica, o mundo vivencia um período de “grande desaceleração” propiciado, sobretudo, pela nova realidade econômica dos quatro maiores emergentes: Brasil. China, Índia e Rússia. A reportagem também atribui à alta dos preços das commodities o avanço da economia brasileira. A combinação da “inflação teimosa com o lento crescimento mostram que a velocidade-limite da economia é muito menor do que a maioria das pessoas pensava”, informa a revista.

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Segundo a ‘Economist’, o crescimento dos emergentes, a partir de agora, será mais gradual. Essa desaceleração deverá trazer, inclusive, benefícios para o comércio mundial. A revista acredita que o aumento do peso desses países na economia global fez com que houvesse um recuo da abertura comercial, de forma generalizada. “A desaceleração pode trazer um novo foco para as negociações comerciais globais. Um acordo que aborde as barreiras comerciais não-tarifárias e especialmente o comércio de serviços poderia render grandes benefícios”, diz a revista.

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