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Governo americano anuncia nova rodada de estímulo à economia

Fed também anunciou que não vai aumentar as taxas de juros dos atuais níveis mínimos até, pelo menos, meados de 2015

Por Da Redação - 13 set 2012, 15h53

O Federal Reserve (Fed), banco central americano, anunciou, nesta quinta-feira, uma nova rodada de compras de títulos públicos com o objetivo de injetar dinheiro na economia do país. A medida, chamada de ‘afrouxamento quantitativo’ (quantitative easing, em inglês), soma-se a outras duas ações extraordinárias adotadas desde o início da crise financeira, em 2008, para tentar impulsionar a economia. Na prática, o banco central vai imprimir dinheiro.

Após dois dias de reunião, a decisão foi divulgada pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) nesta tarde. Segundo o Fed, serão comprados 40 bilhões de dólares por mês em títulos lastreados em hipotecas emitidos por agências do governo (os chamados MBS, na sigla em inglês, são títulos públicos que financiam o mercado imobiliário). O programa não tem previsão de término e continuará até que as perspectivas de emprego melhorem substancialmente no país.

“Se as perspectivas para o mercado de trabalho não melhorarem significativamente, o comitê continuará sua compra de títulos hipotecários garantidos por agências, a fazer compras adicionais de ativos e a empregar outras ferramentas de política até que tal melhora seja atingida num contexto de estabilidade de preços”, afirmou o Fed em comunicado.

Histórico – Desde o final 2008 o Fed vem executando a compra de títulos americanos lastreados em hipotecas. Na primeira rodada, entre 2008 e 2010, foram comprados1,7 trilhão de dólares em títulos do Tesouro e dívida imobiliária. A segunda etapa do afrouxamento quantitativo, iniciada em novembro de 2010, injetou 600 bilhões de dólares na economia americana, mas acabou sendo considerada por muitos economistas como um “fracasso” – justamente por não ter conseguido dar consistência à retomada da economia americana.

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No segundo trimestre deste ano, a economia americana cresceu 1,7% na taxa anualizada. Os dados de empregos mostraram que apenas 96 mil postos de trabalho foram criados no mês passado, menos do que o necessário para equiparar-se com o crescimento da população.

Países emergentes criticaram o programa, pois sofriam com a forte entrada de dólares em suas economias. No Brasil, o impacto da enxurrada de moeda americana foi a forte desvalorização do dólar frente ao real, que se manteve até a primeira metade de 2011. O ministro Guido Mantega ganhou as manchetes internacionais ao classificar a medida como uma “guerra cambial”.

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Juros – A equipe do Fed também anunciou que não vai aumentar as taxas de juros dos atuais níveis mínimos (zero a 0,25% ao ano) até, pelo menos, meados de 2015. Anteriormente, o Fed havia definido tal estimativa para o final de 2014. “O Comitê está preocupado que, sem novas ações políticas de acomodação, o crescimento econômico possa não ser forte o suficiente para provocar uma melhora sustentada nas condições do mercado de trabalho”, diz o comunicado do Fomc.

Outras ações – O Fed também disse que vai continuar com o programa ‘Operação Twist’, por meio do qual vende títulos de menor prazo que estão em sua carteira e compra papéis com vencimento mais longo, em uma tentativa de reduzir as taxas de juros de longo prazo.

Com essa terceira rodada de relaxamento quantitativo (QE3, na sigla em inglês) e a Operação Twist, o Fed vai adquirir 85 bilhões de dólares em títulos de prazo mais longo, por mês, até o fim do ano – aumento de 45 bilhões de dólares por mês em relação os bônus comprados atualmente (só com a Operação Twist).

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(Com Agência France-Presse e Reuters)

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