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Gasolina com novo padrão passa a valer e deve elevar preço nas bombas

Petrobras garante que redução do consumo será equivalente ao aumento, mas especialistas alertam que, na verdade, os efeitos podem não ser tão significativos

Por Diego Gimenes Atualizado em 3 ago 2020, 16h44 - Publicado em 3 ago 2020, 16h31

A partir desta segunda-feira, 3, a gasolina a produzida ou importada do Brasil passa a seguir novos critérios, visando aumentar a qualidade do combustível — e consequentemente o preço. Passa a valer uma nova resolução da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) que modifica as especificações do combustível, que agora são semelhantes às adotadas no mercado internacional e devem aproximar a qualidade do produto brasileiro ao estrangeiro. O maior benefício da mudança é o aumento da densidade, o que, na prática, pode aumentar a eficiência, diminuir o risco de evaporação do produto no verão brasileiro e aumentar a durabilidade dos novos motores produzidos por montadoras. Mas, todas essas mudanças não devem compensar o aumento real do combustível nas bombas do país.

A Petrobras não estima quanto ao certo o novo combustível deve custar, apesar de admitir que o preço será maior. A estatal, responsável por 90% da produção de gasolina no Brasil afirma que já está disponibilizando o produto nos postos. Porém, o impacto no preço deve ser gradual, já que a gasolina antiga pode ser entregue nas distribuidoras até o dia 3 de outubro e, nos postos, até 3 de novembro. “Se a mudança na especificação e na qualidade da gasolina levar o produto para o mesmo preço do mercado convencional americano, que fica bastante próximo da nova especificação, teremos um aumento na casa dos 12 centavos de dólar por galão do produto para importação, o que deve redundar em um aumento entre 12 e 15 centavos de real no produto final a ser vendido nos postos. Esse impacto depende do período do ano, em vista que a alta é maior nos meses de verão do Hemisfério Norte e menor nos meses de inverno, além de fatores específicos do mercado de derivados de petróleo em cada momento. Nesse sentido, atualmente a alta no preço não deve ser tão grande e vai girar entre 5 e 10 centavos porque o mercado estava muito valorizado, ou seja, a gasolina brasileira já estava mais valorizada que o normal”, analisa Thadeu Silva, chefe da área de óleo e gás da consultoria INTL FCStone.

Um dos pontos que leva a nova composição do combustível a não ser tão festejada é que a quantidade de etanol na composição – 27,5% – será mantida. Para se ter uma ideia, em alguns países o nível de etanol presente na gasolina é de apenas 2%. “Para uma parte pequena do volume que era vendido no Brasil, teremos um aumento de qualidade e rendimento. Para a maior parte do mercado que já era suprida pela Petrobras, a qualidade não deve mudar em nada e o preço vai aumentar”, disse o especialista.

Na prática, a mudança determina um valor mínimo de massa específica (ME), de 715,0 kg/m3, e valor mínimo de 77,0 ºC para a temperatura de destilação em 50% (T50) para a gasolina A e com a fixação de limites para a octanagem RON (Research Octane Number), que já existe nas especificações da gasolina de outros países. Segundo a especialista em regulação da ANP, Ednéa Caliman, o produto brasileiro passará a ter mais qualidade e maior eficiência energética. “Essa definição é importante. Quanto maior a massa específica do combustível em termos de hidrocarbonetos, maior é a densidade energética do combustível, ou seja, para o mesmo volume de combustível injetado no motor haverá a geração de maior quantidade de energia no momento da queima do combustível. Com isso, esperamos que proporcione maior rendimento, gerando diminuição do consumo e aumento da autonomia dos veículos”, disse.

Segundo o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) publicado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 31 de julho, a gasolina acumula, em média, uma alta de 8,26% nas últimas duas semanas.

(Com Agência Brasil)

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